
*Mhario Lincoln
Confesso que ainda sofro da Síndrome da Ansiedade, quando vou produzir um texto com estética ou narrativa linear. Quero publicá-lo imediatamente! Aliás, quantas vezes fiz isso com resultados desastrosos!
Então procurei estudar mais um pouco para saber como controlar essa ansiedade e melhorar minha performance na escrita. Acabei conseguindo, em parte, desde a época em que era responsável por colunas diárias, de página inteiras, em dois jornais ludovicenses, em épocas separadas: no "Pequeno" e em "O Imparcial", onde vivenciei essa experiência por longos 45 anos.
E como fiz isso? À princípio em um lugar talvez, menos propício, diante de tratados internacionais de psicologia: numa apostila vendida por correspondência, na época, meados de 1994, pelo Instituto Universal Brasileiro. Alguém lembra?
Pois nessa apostila, de forma direta, estava escrito:
"(...) para uma melhor expressão textual, use as seguintes etapas preliminares:
01 - A produção do texto em si, onde o escritor pensa na essência e coloca no papel a ideia principal;
02 - Nesta etapa, é obrigatório fazer uma releitura vagarosa do texto. Mas só faça isso, quando houver tempo disponível, ou peça para alguém próximo também revisar porque o próprio autor corre o risco de 'engolir' ideias e passar por cima de frases pré-decoradas.
03 - Esqueça publicar (de qualquer jeito) de forma imediata o trabalho isso porque ninguém está ansioso para ler nada, enquanto não for tornado público. Assim, quebra a excitação de expectativas, principalmente no autor, possivelmente ávido por um elogio. Lembre-se: a expectativa maior está fervilhando é na cabeça de quem escreve – nunca na do leitor.
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Controlada essa parte (02), a mais difícil, vem a parte 03, a mais importante: correção (é diferente de releitura). Aí sim, o texto está pronto. Não precisa que as etapas sejam imediatas. Podem levar o tempo que for necessário, já que a ansiedade da publicação e das palmas, já foram controladas.
Isso faz com que o texto ganhe músculos e melhor compreensão. O que se deve saber (sem se autocondenar) é que essa ansiedade é uma resposta natural do corpo a situações percebidas como desafiadoras ou incertas. Quando se trata da produção de texto, essa ansiedade pode surgir de várias maneiras.
AS VÁRIAS MANEIRAS DA ANSIEDADE
a) - Expectativa do 'aplauso' ou do vácuo: os escritores podem sentir ansiedade com a possibilidade de serem aplaudidíssimos ou, simplesmente, julgados negativamente pelo conteúdo que estão criando. (Neste caso, para certos escritores, o escárnio provocado pelo texto, é a melhor opção por tentarem se esconder atrás de um escudo que não mostra o escritor real, mas aquele que necessita de aplausos, também, do outro lado, mesmo que incoerente.
a1 - No caso do julgamento negativo advir, ao contrário da expectativa do escritor que, na cabeça dele, escreveu uma obra-prima e que deveria ser aplaudida pela crítica, há um elemento perigoso embutido aí: a depressão e desilusão o que pode, até mesmo, levar ao abandono definitivo do ato de escrever, isso, sem antes, encher os editores, leitores, pseudos amigos, de culpa por "invejar seu grandioso texto".
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Aliás, abro um parêntese para confessar que eu estive enquadrado nesse item (A1), algumas vezes. Quando escrevi "Sem a Letra A", um ensaio sobre um texto sem a primeira letra do alfabeto, fiquei extasiado por ter concluído 45 páginas sem usar um único "A". Logo veio a decepção ao saber que outras pessoas já haviam escrito, mas sem verbo, o que é muito mais difícil. Não fosse o puxão de orelhas de minha mãe teria abandonado esta profissão que vem me dando tantas alegrias.
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Continuo:
b) - Pressão de desempenho: a pressão de produzir um texto de alta qualidade, especialmente dentro de prazos apertados, pode levar à ansiedade. O desejo de atender às expectativas pode ser avassalador. Assim, caso o autor não tenha realmente tempo para produzir o texto, seja real, sincero e diga, "não posso". Melhor do que produzir algo que realmente não esteja à altura do conhecimento de quem escreve e, pelo atabalho, venha receber uma avassaladora chuva de críticas negativas.
c) - Bloqueio criativo: A ansiedade também pode surgir quando um escritor enfrenta bloqueio criativo, incapaz de encontrar palavras ou ideias para preencher a página em branco. Daí, com humildade, o melhor é voltar a biblioteca, procurar publicações parecidas, frases de algum pensador que mostre a essência do pensamento que o autor pretenda desenvolver ou invista nos mecanismos de buscas tão evidentes neste século XXI. Nada é feio, nem vai tirar a capacidade de escrever que de quem já nasceu com esse dom.
Agora, vem a pior parte:
d) - Preocupações com a perfeição: alguns escritores podem ficar ansiosos em busca do perfeccionismo em seu trabalho. Tal fato, segundo pesquisas sérias feitas em laboratórios de linguística e escrita, afeta (e muito) a qualidade do texto a ser produzido. A ansiedade é tamanha em mostrar que o autor escreveu um texto perfeito, que o resultado é desastroso. Especialmente quando há uma auto supervalorização de conteúdo, isto é, "(...) eu escrevo de um ‘tapa’ só", como se o autor não errasse, nem por "milagre".
A TÉCNICA
Comecei esse texto com as ideias que tive ao ler a tal da apostila do Instituto Universal Brasileiro, lá pelos idos de 1994. Mas agora, basta colocar no professor ‘Google’ que a gente encontra técnicas realmente oficiais, estudadas nas melhores escolas de jornalismo. Vou tentar interpretar.
A produção do texto
É importante adotar estratégias de enfrentamento, como a organização do trabalho, a criação de um ambiente de escrita tranquilo e a prática da escrita regular. Lembre-se que algumas técnicas de relaxamento podem ajudar a aliviar essa ansiedade.
A produção do texto (II)
Antes de começar a escrever, é essencial realizar uma pesquisa sólida sobre o tópico em questão. No caso das citações, solenidades, colunas, ou notícias diárias, todos os nomes (e cargos) ou ocupações devem ser previamente anotados. Isso dá qualidade e credibilidade ao esboço ou plano inicial para o texto.
Nesta fase, o autor elabora um rascunho inicial do texto, seguindo o plano estabelecido. A ênfase aqui é colocar as informações no papel de forma clara e objetiva. Não adianta inventar, nem usar muitos adjetivos para agradar quem quer que seja. Evitar usar temos "grandioso, majestoso, lindíssima, a melhor, o pior, consorte, ídolo, Ilmo. sr. Dr. Professor..etc". (Este não é o caso de documentos oficiais, claro).
Quanto mais linear e mais enxuta for a redação, mais compreensível e independente será; e mais respeito o autor conseguirá de seus leitores, elevando o nível apreciativo.
Após a escrita inicial, o texto passa, então, por uma fase de releitura e revisão. O autor verifica a precisão das informações, (nomes corretos e cargos, especialmente), a clareza da escrita, a organização do conteúdo e a aderência ao estilo de escrita do veículo de comunicação.
Aderência: isso é algo importante e poucos sabem. Todo veículo de comunicação, como o nosso www.facetubes.com.br tem uma linha editorial.
Quanto mais próxima dessa linha editorial, mais acessos à matéria terá, porque os leitores são direcionados, também, pela linha editorial do veículo de comunicação. Nenhum grande jornal do Planeta, digital ou não, gosta de colaboradores egóicos que escrevem textos pessoais e intransferíveis, relaxando completamente o conceito da editoria do veículo que ora ocupam.
Após essas fases iniciais, vem o que se chama de edição final.
Nessa etapa, o texto é aprimorado quanto à gramática, pontuação, coesão e coerência. Qualquer erro ou inconsistência tem que ser corrigido, para só então, a formatação final ser aplicada, ficando essa parte à cargo dos editores de página.
LIVRO LIDO
Quem discutiu amplamente o processo de escrita, incluindo a ansiedade associada a ele, é Anne Lamott em seu livro "Bird by Bird: Some Instructions on Writing and Life" ou "Bird by Bird: Algumas instruções sobre escrita e vida". Aqui, em linguagem cativante, ela aborda as complexidades emocionais da escrita e oferece insights valiosos sobre como superar os desafios que os escritores enfrentam, incluindo a ansiedade.
Um dos meus livros de cabeceira, desde quando inaugurei a primeira plataforma digital, em Curitiba, meados de 2002: a "Plataforma Aqui-Brasil", hoje, Facetubes.
É isso. Espero que não tenha cometido nenhum dos erros que descrevi acima, porque, como sempre, há uma bela desculpa para esses casos: “...errare humanum est”.
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