Mhario Lincoln*
Quando leio o imortal e autêntico Carlos Cunha, sempre o ligo à interpretações (existenciais, claro) que fiz sobre as palavras do Apóstolo Paulo, equiparando-as também, ao mundo da filosofia.
É quase automático não ler um poema de Cunha e não sentir uma pulsação incomum sobre a natureza da jornada humana e a busca por um propósito mais elevado em meio às adversidades da existência.
Nesse contexto, a passagem de 2 Timóteo 4:7-8 pode ser vista - e eu acredito nisso - como uma expressão (poética, por que, não?) da busca pela autenticidade, do enfrentamento das dificuldades e da denúncia do que é considerado contraproducente para a humanidade. Carlos Cunha agia dessa forma, quando escrevia seus poemas. Inesquecíveis poemas que até hoje borbulham sob o paralelepípedo quente das ladeiras de São Luís do Maranhão.
Na verdade, Paulo faz um convite para "combater o bom combate", o que entendo ser como um chamado para enfrentar as vicissitudes da vida de maneira corajosa e determinada. Basta ler, então, Carlos Cunha para entender seu combate poético à infame maneira do descompromisso, da falta de ética, das injustiças e das mentiras.
No poema abaixo, "Bilhete a Papai Noel" - fiz um vídeo comemorativo para este Natal de 2023 - nota-se claramente que Cunha faz uma exortação ao mundo real - mesmo usando a metáfora noeliana - mostrando para a humanidade a imensa necessidade de perseverar diante do esquecimento do 'Papai-Noel' com os meninos pobres, "(...) que vergonha! Eu confesso de você. Sonhei muito, mas quem sonha, não vive bem, já se vê".
Igual escreveu Paulo - a ideia básica, subliminarmente, é a de guardar a fé. Ou seja, tem-se que preservar a convicção nas verdades que acreditamos, mesmo quando confrontadas por dúvidas e dificuldades. No poema, Cunha escreveu: "...ainda tenho os sapatinhos que guardava pra você. Andei por muitos caminhos, não o vi, não sei por que". A dúvida nesses dois versos, demonstra, ipsis litteris, não um rancor, mas um grito por mudança, por conscientização, amordaçado diante do capitalismo brutal que o Mundo passa.
A carta de Paulo faz um convite duro para enfrentar as dificuldades da vida com coragem e integridade, a fim de deixar um contributo para a construção de um mundo mais justo. Por essa razão, creio eu, o poema de Carlos Cunha aborda esses temas filosóficos e existenciais, ao explorar a nostalgia (dele mesmo), na busca por sentido na vida, que não a desilusão por não ganhar 'presentes', mas e sobretudo, pela importância de manter a esperança, mesmo quando confrontada com as realidades cruas da vida.
Essas mensagens - a de Paulo e a de Cunha - continuam ressoando como desafios éticos e existenciais enfrentados pela humanidade no século XXI, à medida que buscamos um caminho significativo em meio às complexidades de nossa era. Por isso, nada mais justo e brilhante do que, de forma das mais simples, porém em alta octanagem, Cunha findar assim, o "Bilhete a Papai Noel:
"Papai-Noel, por favor, não minta para as crianças. Traga mensagens de amor e um Natal só de esperanças!".
Abaixo, o vídeo que o Facetubes produziu:
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