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Carlos Cunha faz apelo para que sejamos honestos sobre a realidade da vida, mantendo a chama da esperança mesmo diante das adversidades.

O "Bilhete a Papai Noel" é um clássico poema de Carlos Cunha. Aparentemente simples, mas carrega 'resets' existenciais profundos". (Mhario Lincoln).

24/12/2023 08h50 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
Ilustração: Mhario Lincoln c/IA
Ilustração: Mhario Lincoln c/IA

Mhario Lincoln*

 

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Quando leio o imortal e autêntico Carlos Cunha, sempre o ligo à interpretações (existenciais, claro) que fiz sobre as palavras do Apóstolo Paulo, equiparando-as também, ao mundo da filosofia.

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É quase automático não ler um poema de Cunha e não sentir uma pulsação incomum sobre a natureza da jornada humana e a busca por um propósito mais elevado em meio às adversidades da existência. 


Nesse contexto, a passagem de 2 Timóteo 4:7-8 pode ser vista - e eu acredito nisso - como uma expressão (poética, por que, não?) da busca pela autenticidade, do enfrentamento das dificuldades e da denúncia do que é considerado contraproducente para a humanidade. Carlos Cunha agia dessa forma, quando escrevia seus poemas. Inesquecíveis poemas que até hoje borbulham sob o paralelepípedo quente das ladeiras de São Luís do Maranhão.


Na verdade, Paulo faz um convite para "combater o bom combate", o que entendo ser como um chamado para enfrentar as vicissitudes da vida de maneira corajosa e determinada. Basta ler, então, Carlos Cunha para entender seu combate poético à infame maneira do descompromisso, da falta de ética, das injustiças e das mentiras. 


No poema abaixo, "Bilhete a Papai Noel" - fiz um vídeo comemorativo para este Natal de 2023 - nota-se claramente que Cunha faz uma exortação ao mundo real - mesmo usando a metáfora noeliana - mostrando para a humanidade a imensa necessidade de perseverar diante do esquecimento do 'Papai-Noel' com os meninos pobres, "(...) que vergonha! Eu confesso de você. Sonhei muito, mas quem sonha, não vive bem, já se vê".


Igual escreveu Paulo - a ideia básica, subliminarmente, é a de guardar a fé. Ou seja, tem-se que preservar a convicção nas verdades que acreditamos, mesmo quando confrontadas por dúvidas e dificuldades. No poema, Cunha escreveu: "...ainda tenho os sapatinhos que guardava pra você. Andei por muitos caminhos, não o vi, não sei por que". A dúvida nesses dois versos, demonstra, ipsis litteris, não um rancor, mas um grito por mudança, por conscientização, amordaçado diante do capitalismo brutal que o Mundo passa.

 

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Carlos Cunha. Arte: MHL.

A carta de Paulo faz um convite duro para enfrentar as dificuldades da vida com coragem e integridade, a fim de deixar um contributo para a construção de um mundo mais justo.  Por essa razão, creio eu, o poema de Carlos Cunha aborda esses temas filosóficos e existenciais, ao explorar a nostalgia (dele mesmo), na busca por sentido na vida, que não a desilusão por não ganhar 'presentes', mas e sobretudo, pela importância de manter a esperança, mesmo quando confrontada com as realidades cruas da vida.  


Essas mensagens - a de Paulo e a de Cunha - continuam ressoando como desafios éticos e existenciais enfrentados pela humanidade no século XXI, à medida que buscamos um caminho significativo em meio às complexidades de nossa era. Por isso, nada mais justo e brilhante do que, de forma das mais simples, porém em alta octanagem, Cunha findar assim, o "Bilhete a Papai Noel:

"Papai-Noel, por favor, não minta para as crianças. Traga mensagens de amor e um Natal só de esperanças!".


Abaixo, o vídeo que o Facetubes produziu:

 

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Marlene BastosHá 3 anos atrásSão Luís do Maranhãoao comparar o verso de Cunha com a carta de Paulo, há um respiro de que a compreensão humana deve ser levada à serio, especialmente na poesia.
Plácido GuimarãesHá 3 anos atrásCodó-Ma/Brasília DFExcepcional poesia de Carlos Cunha. Sua voz firme e forte ainda ressoa no Brasil.
Joizacawpy Há 3 anos atrásSão Luís Nossa que profundidade revestida de simplicidade, Carlos Cunha de forma simples sem alardes, nem tampouco preocupado em uma composição cheia de artifícios impressionantes, mergulha no mais profundo sentido reflexivo do Natal. Tenho escutado algumas críticas a simplicidade no escrever, e não falo dos meus escritos, são críticas destinadas a grandes nomes da literatura que escolheram imprimir em suas construções a simplicidade textual, mas vejo que foi a simplicidade que deu substancialidade...
Poeta ListerHá 3 anos atrásBrasíliaA grande virtude de um homem é a humildade. e quando essa não é aparente, aparece em seus escritos. Parabéns conterrâneo. Vivi em uma São Luís com Carlos Cunha , Erasmos Dias, Bernardo Coelho de Almeida, Marconi Caldas, Nicanor Azevedo, José Chagas, Raimundo Fontenele e com eles aprendi muito.
Nely PinhoHá 3 anos atrásSão Luís MASó um jornalista investigativo, antes mesmo de ser crítico literário, pode se inserir tão profundamente em um poema aparentemente simples e trazer das profundezas da alma de Carlinhos algo que abala os alicerses. Estou fascinada. Mhario. Beijos em Wanda a autêntica representante de seu pai.
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