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A professora Renata Barcellos pergunta: "Como se explica o resultado da redação Enem 2023?"

"O aluno deveria concluir a Educação Básica sabendo elaborar textos diversos (gênero e modo). Saber as características de cada um para não se confundir e cometer equívocos que o levam a ZERAR a etapa da produção textual".

25/01/2024 às 08h51 Atualizada em 25/01/2024 às 10h15
Por: Mhario Lincoln Fonte: Renata Barcellos
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Professora Renata Barcellos
Professora Renata Barcellos

Como se explica o resultado da redação Enem 2023?

*Renata Barcellos

Os últimos dias foram marcados por uma das discussões sobre o péssimo desempenho dos alunos na redação do Enem 2023. Segundo  Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a região de destaque foi o Nordeste. Foram os candidatos de lá que mais conseguiram nota 1000 com a temática proposta “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”. Já, a da reaplicação do Enem, foi “Desafios para a (re)inserção socioeconômica da população em situação de rua no Brasil”. Dois assuntos sérios (e “invisíveis”): trabalho doméstico não remunerado pela mulher (representa 13% do PIB mundial) e a população de rua)  que necessitam serem refletidos e medidas a serem tomadas.

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O Enem 2023 teve um total de mais de 4 milhões de inscritos, mas somente 2,7 milhões de participantes. Os estudantes de escolas públicas foram 65,9% dos inscritos e 70,9% dos que realizaram o exame. Por região, nota 1000 foi: 5 do NORTE, 25 do NORDESTE, 5 do CENTRO-OESTE, 18 do SUDESTE e 7 do SUL. No que diz respeito ao Rio de Janeiro, foram 7 sendo apenas 1 de escola pública. 

O que está acontecendo o com a habilidade de escrita do Ensino Básico ou Superior? Independente, de ser oriundo da rede pública ou privada, o que crianças e jovens estão fazendo nas escolas  no que diz respeito à formação leitora e à escrita? Professores de Língua Portuguesa propõem produção textual dos diversos gêneros e modos textuais? E os das outras áreas do conhecimento também o fazem? É fundamental propor questões discursivas ao longo do ano letivo. Faz-se necessário orientar quanto à sua estrutura constituídas por 3 etapas:  responder, justificar e ilustrar. Na maioria das vezes, chegam ao Ensino Superior sem dominá-la. 

Cabe considerar as características da Era digital e da Geração Alpha (nome dado aos nascidos a partir de 2010 e às crianças a nascerem até 2025), conhecida também como Gen A, eles sucedem a geração Z, os nascidos entre 1997 e 2009... e as suas implicações na forma da expressão oral e escrita dessas gerações. Muitas vezes, esses leem e escrevem em internetês. Se não há orientação acadêmica, reproduzirão essa modalidade em textos formais. Hoje, quando se conversa com um profissional da área de Departamento Pessoal (DP), de recrutamento, só se ouve reclamações como: o péssimo desempenho na habilidade escrita e ou oral, uso inadequado de celular, impontualidade e falta de pró-atividade... Não basta dominar o conhecimento específico da área de atuação. É preciso saber expressar-se oralmente e por escrito e apresentar outras habilidades. No Colégio Estadual José Leite Lopes (CEJLL - NAVE RJ), desenvolvo um projeto intitulado Dia Profissional no qual o aluno aprende a elaborar um currículo, carta de apresentação, apresentar um projeto do seu portifólio...; a fim de prepará-los para o mercado de trabalho.

O aluno deveria concluir a Educação Básica sabendo elaborar textos diversos (gênero e modo). Saber as características de cada um para não se confundir e cometer equívocos que o levam a ZERAR a etapa da produção textual. Há desvios recorrentes como bilhete no lugar de carta, dissertação em vez de argumentação, paráfrase por retextualização...

Quando se refere ao texto argumentativo proposto pelo ENEM, deve-se esclarecer as 5 competências: Competência 1: domínio da norma culta, Competência 2: domínio do assunto proposto, Competência 3: argumentos utilizados: autoridade, causa-consequência, exemplificação, analogia..., Competência 4: coerência e coesão, Competência 5: resolução do problema. Ao menos duas soluções  articulados com a introdução e argumentos utilizados. Lembrando sempre aos alunos que cada competência vale até 200 pontos, totalizando os 1000 pontos. 

Segundo o professor da Educação Básica e Superior Charles Simões (Especialista em Língua Portuguesa), o segredo para um bom desempenho ou até mesmo atingir a essa pontuação máxima é:   “O aluno que quer tirar nota mil em uma redação do ENEM, além de ler muito ele precisa treinar bastante, mas não é só escrever aleatoriamente. Ele além de dominar as características prototípicas textuais deste tipo de texto, também deve dispor de um vasto conhecimento de mundo ou enciclopédico, dominar o conhecimento linguístico e também o conhecimento pragmático para adequar o seu texto ao contexto exigido pelo tema pedido. Muita gente pensa que é fácil, infelizmente, é um conjunto harmônico de conhecimento para organizar em apenas um texto de no mínimo 15 e no máximo 30 linhas. Mas com dedicação, esforço e muito treino, todo mundo é capaz. O segredo é começar treinar desde já, afinal o ato de escrever na sociedade do conhecimento é para sempre”.

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Sempre oriento o domínio das 5 competências, redigir um dos temas possíveis da atualidade. Leitura constante. Saber articular as diversas áreas do saber... No CEJLL-NAVE RJ, os alunos são orientados a produzir um texto argumentativo quinzenalmente (obrigatoriamente). É intercalado 1 semana PRODUÇÃO TEXTUAL – outra ANÁLISE TEXTUAL. Para se escrever, é preciso dominar a estrutura do parágrafo, modo e gênero textual além do tema tratado.  A seguir, o depoimento de dois dos meus alunos do CEJLL – NAVE RJ:

Manuela Santos de Almeida – 3ª ano do curso de Mídias – 940: “Para se sair bem na produção textual e escrever um bom texto, é importante seguir um plano de estudos, organizar as ideias e criar um esboço do texto. Conhecer sobre o mundo e ficar atento aos assuntos mais importantes da atualidade também é importante para manter uma boa estrutura. Manter uma estrutura clara, com introdução, desenvolvimento e conclusão, é essencial. Além disso, revisar o texto sozinho para corrigir erros gramaticais e de pontuação cria autonomia e ajuda a não cometer erros bobos. E, por fim, praticar bastante, escrevendo regularmente para desenvolver as competências exigidas”.

Gabriel Mourelli Witenberg – 3ª ano do curso de Programação de jogos - 920:     “A principal ideia pra se ter ao fazer uma redação é saber exatamente como ela funciona. É fundamental você ter noção de todo o corpo da redação não só na parte de pontuação mas também na quantidade de linhas e parágrafos! Tendo essa noção básica, você já garante uma quantidade bem interessante de pontos. Outra ideia bem importante é você fazer uma linha de raciocínio sobre o tema que você tem em mãos e ir traçando desde como isso afeta a sociedade até como seria feito e por quem para resolvê-lo. Com isso, além de não fugir do tema mantendo a coerência você ainda garante que nessa competência seja quase impossível você não tirar nota máxima. No mais, ter noção dos problemas atuais, porque é sempre bom estar a par deles que nos cercam para caso venha a ser um tema ou caso caia algo coeso a esse problema, você já ter uma certa ciência para comentar sobre ele”.

Urge capacitar o professor a redigir textos diversos e, por consequência,  orientar a efetiva produção de textos nas diversas modalidades (gênero e modo), ao longo dos anos da Educação Básica. Só assim haverá resultado satisfatório. É preciso investir no Ensino Público para que os alunos também tenham um bom desempenho. Lamentável,  por exemplo, estados como Acre, Maranhão, Mato Grosso (dentre outros) sem nenhuma nota 1000 (nem no ensino público nem no privado). Os cursos de Letras precisam ser reformulados para investirem em futuros professores (bom escritores e leitores) com formação adequada. É inadmissível o professor não ter hábito de leitura e de escrita. Como cursar uma graduação em Letras sem ler os clássicos e redigir textos? E as demais graduações oferecerem aulas de Língua Portuguesa e Produção Textual. Um país que não investe em boa educação está fadado ao fracasso. Valorize, cultive e mantenha o domínio da norma culta da Língua Portuguesa!!!

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ELAINE DA SILVA DE SOUZAHá 2 anos Rio de JaneiroFaltou dizer que os alunos do Rio de Janeiro são aprovados mesmo sem saber ler e escrever. chegam no Ensino Médio sem ter essas competencias como proseguir com o aprendizado? O problema da educação pública é sistêmica. Não pode responsabilizar somente um ponto. Pesquise os sistemas publicos e verão que existe aprovação automática oficiosa.
Elaine de Souza Há 2 anos Rio de Janeiro Sempre jogam a culpa para o professor. O problema é mais complexo do que se pensa. Primeiro o professor que ganha uma miséria como no rio de janeiro, não consegue cobrar redação porque não sobra tempo para corrigir, tendo em vista que para receber um pouco mais precisa dar 60 horas de aula semanal. Depois quando pedimos redação, os alunos copiam os textos da Internet. Aí eu pergunto: a quem estou corrigindo? Fácil mesmo é criticar.
Prof. MarceloHá 2 anos Poços de CaldasUma aula sobre como educar.
HELTON TIMOTEO DA SILVAHá 2 anos Rio de JaneiroÓtimas e oportunas reflexões, Renata! De fato, os alunos, com raríssimas exceções, vêm demonstrando cada vez menos proficiência no uso adequado da linguagem, seja na ormalidade, seja por meio da escrita, e em todos os níveis de ensino. Talvez o problema de base seja a falta de leitura de diversos gêneros discursivos desde a primeira infância. Como resolver esse problema? Eis a questão, eis o desafio. Abraços afetivos!
Maria José Lima Há 2 anos São Luís-MAExcelente reflexão prof.Renata!Desenvolver as habilidades de leitura e escrita nos educandos, são funções básicas do ensino escolar desde as séries iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio.É preciso investir na Educação e na Formação inicial e continuada dos professores.
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