
PAULO RODRIGUES ENTREVISTA:
Vanessa Fontenele, Coordenadora do Centro Especializado Integrado à Inclusão- CEII
Vanessa Fontenele é graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA, desde 2013. Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica, Atendimento Educacional Especializado - AEE, Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, Análise do Comportamento Aplicado - ABA, e demais cursos de aperfeiçoamento. No momento é diretora do Centro Especializado Integrado à Inclusão - CEII em Santa Inês.
1. Paulo Rodrigues – Vanessa Fontenele, o Centro Especializado Integrado à Inclusão tem cumprido a sua função social? Ele é necessário para Santa Inês?
Vanessa – Sim, pois os serviços ofertados transcendem os muros deste espaço, em que a realidade social é identificada a partir do primeiro contato com os familiares ou responsáveis, através de triagem geral, até a visita escolar e domiciliar. Essa é uma forma de cumprir nosso papel enquanto instituição, que é garantir os direitos das crianças, adolescentes, adultos com deficiência e os que não tem laudo confirmado que estão matriculados na rede municipal de ensino de Santa Inês, através de escuta e acolhimento. Esse espaço é de suma importância para os alunos com deficiência e os que estão em busca do laudo médico, pois ele tem como objetivo melhorar a qualidade da assistência da Educação Municipal de Santa Inês – MA, no âmbito da Educação Especial por meio das dimensões Educacionais, de Saúde e Inclusão Social. A fim de visar o alcance à eficiência e eficácia e a efetividade na qualidade dos serviços ofertados às pessoas com deficiência (física, intelectual, visual, transtornos globais do desenvolvimento/superdotação), bem como os que tem deficiência visíveis e os que estão em busca do laudo médico.
Este serviço é necessário, pois aqui as famílias tem a oportunidade de trazerem seus filhos que são matriculados na rede municipal de ensino para realizar as intervenções de forma gratuita, e também serem acolhidos e receberem informações diante das queixas apresentadas.
2. Paulo Rodrigues – Vanessa, quais são os serviços ofertados no Centro Especializado Integrado à Inclusão?
Vanessa – São ofertados serviços de Psicopedagogia, Nutrição, Psicologia, Fisioterapia, Assistência Social, Musicoterapia. Além destes temos orientação parental, avaliação, intervenção, apoio pedagógico, Atividades de vida diária – AVD’S, Atividade de vida prática – AVP’S, visitas escolares, visitas domiciliares, palestras, estudos de caso, oficinas para os responsáveis. Estes serviços visam atender os indivíduos de forma integral, garantindo o pleno desenvolvimento e inclusão social nos aspectos físicos, emocionais, sociais, tendo enfoque na aprendizagem, relações sociais, habilidades de comunicação e desempenho acadêmico. Cada pessoa atendida tem direito a dez sessões para avaliação e intervenção, e precisa está matriculada na rede municipal de ensino.
3. Paulo Rodrigues – Podemos afirmar que Santa Inês vai se tornar modelo de inclusão e acessibilidade na educação?
Vanessa - Posso afirmar que Santa Inês já está sendo modelo de inclusão e acessibilidade, pois o Centro é referência no que diz respeito a este formato de atendimento as pessoas com deficiência. O Centro Especializado Integrado à Inclusão - CEII, é um cumprimento de meta estabelecido no Plano Municipal de Educação, que teve como objetivo expandir o trabalho da Educação Especial. Este trabalho é um apoio para a Educação Especial, bem como para todos os níveis de ensino básico municipal, pois funciona como uma política pública que visa assistir e garantir os direitos das pessoas com deficiência matriculadas na rede municipal de ensino. Os alunos atendidos vão desde a Educação Infantil até Educação de Jovens, Adultos e Idosos. Continuamos na expectativa de sempre ampliar e qualificar cada vez mais nosso trabalho, para que a inclusão aconteça de fato dentro dos lares, das escolas e na sociedade.
4.
PR – Quais são os desafios do Centro Especializado Integrado à Inclusão?
Vanessa – Os maiores desafios encontrados é lidar com a realidade social e familiar deste indivíduo, pois muitos familiares tem dificuldade em ter uma frequência ativa nas terapias. E também deste responsável reproduzir as orientações dadas pelos profissionais. Para a inclusão acontecer de fato é necessário a colaboração da família no sentido de cuidar, orientar e está de acordo com o que é solicitado. Mas temos nos comprometidos em dar orientações assertivas para estas famílias para que elas auxiliem seus filhos de forma adequada.
A falta de profissional qualificado é outro fator que nos desafia, pois há poucos profissionais da área de terapia ocupacional e fonoaudiologia, e a demanda de crianças que precisam desses profissionais só tem aumentado.
As mudanças sociais tem ocorrido de forma muito acentuada e isso as vezes nos assusta, pois os índices de pessoas com deficiência têm aumentado cada vez mais, e nós profissionais em certos momentos não conseguimos acompanhar o ritmo, assim se torna bem difícil o processo de inclusão.
5. PR – O prefeito Felipe dos Pneus afirmou no I Fórum Municipal de Educação Especial Inclusiva: “Estamos empenhados em garantir que todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade, independente de suas necessidades”. O olhar sensível do gestor é importante?
Vanessa – Sim, o olhar do gestor é a peça fundamental para que a inclusão aconteça, pois ele é o principal responsável em investir nos serviços que precisam, garantindo o direito dessas pessoas. O gestor Felipe dos Pneus tem abraçado essa causa, em que além dos serviços ofertados do CEII, ele também investe na ampliação das equipes Multiprofissionais nas Unidades Básicas de Saúde – UBS, na AMA, cuidadores escolares nas salas regulares de ensino, reforma nas escolas para tornar o espaço físico sem barreiras, investe na formação continuada dos profissionais da Educação Básica e nos recursos necessários. O diferencial do gestor municipal é a escuta e acolhimento a sociedade, e os profissionais.
6. PR – Deixe uma mensagem para os nossos leitores
Vanessa - Para que a inclusão aconteça é necessário estarmos comprometidos em buscar informações para quebrar as barreiras do preconceito, pois este é um processo que acontece de dentro para fora, de forma subjetiva, através da escuta e acolhimento. Por isso convido aos queridos leitores que busquem sempre informação para o crescimento espiritual, mental como forma de ser melhor a cada dia. Para finalizar cabe ressaltar que “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Declaração Universal dos Direitos Humanos.
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