Orquídea Santos, Chefe da ASCOM, da Academia Poética Brasileira.
O samba de breque é um subgênero do samba que surgiu no Rio de Janeiro entre o final da década de 1930 e o início da década de 1940. A principal característica do estilo é a pausa no acompanhamento acentuadamente sincopado para uma intervenção declamatória do intérprete. Essas paradas bruscas são chamadas de breques, uma designação abrasileirada do inglês “brake”, que significa freio.
O cantor Luiz Barbosa foi o primeiro a trabalhar com o samba-de-breque. Ele ficou conhecido por marcar o ritmo batucando em um chapéu de palha, que introduzia o intervalo que caracterizaria o samba-de-breque. No entanto, quem de fato popularizou e consagrou o estilo foi o cantor carioca Moreira da Silva. Durante uma apresentação no final da década de 1930, Moreira inseriu versos improvisados nos intervalos de um samba, e a iniciativa fez sucesso1. Moreira foi aperfeiçoando o estilo com o passar do tempo, marcando o estilo ao introduzir um discurso em “Na Subida do Morro” e interpretar personagens nos enredos de seus sambas de breque.
Outros expoentes do samba de breque incluem Jorge Veiga, Dilermando Pinheiro, Cyro Monteiro e Germano Mathias. O compositor Sinhô inseriu três redondilhas menores constituindo um verso de quinze sílabas em “Cansei”, de 1929. Em 1933, foram gravadas duas outras canções que tinham “freiadas”: “Minha Palhoça” (de J. Cascata) e “O Orvalho Vem Caindo” (de Noel Rosa e Kid Pepe).
O samba de breque é marcado por uma linguagem poética e uma interpretação teatral, em que o cantor tem liberdade para improvisar. As letras do samba de breque retratam a vida cotidiana do povo brasileiro, com críticas sociais e políticas. Esse estilo musical teve grande influência na música popular brasileira e inspirou diversos artistas, como Chico Buarque e Bezerra da Silva.
Portanto, “Eu escapei por um triz”, de Mhario Lincoln, Paulo Piratta e Chiquinho França, ao resgatar a gloriosa ascensão do samba de breque no Brasil, está se inserindo em uma rica tradição musical que combina ritmo, humor, crítica social e a habilidade de improvisação.
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Com participação de Nuna Neto e Cordeiro Filho (Ilustrações)
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