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Deve-se urgentemente criar espaços que incentivem os alunos a questionar e a explorar o que é ensinado

Possivelmente isso poderia contribuir para poderia contribuir para "a conscientização e a emancipação do público", como diz Bertolt Brecht

18/03/2024 às 10h04 Atualizada em 18/03/2024 às 17h42
Por: Mhario Lincoln Fonte: Flora Guilhonm, Orientadora Ocupacional
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Flora Guilhonm. Inglaterra.
Flora Guilhonm. Inglaterra.

Flora Guilhonm, Orientadora Ocupacional (England/United Kingdom), especial para o Facetubes/Mundo.

Tradução livre: redação do Facetubes

"O dom é simplesmente o start para o aprimoramento intelectual. A humildade, o beliscão pra continuar, mesmo errando..." (Mhario Lincoln).

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Hoje, lendo importante frase da escritora Angela Medeiros Santi, decidi analisá-la e tomo a liberdade de escrever o resultado dessa análise, nesta Plataforma, que, na min ha opinião, é uma lousa imensa para quem quer ter um encontro com diversos e importantes assuntos contemporâneos, no nível "Latu sensu".

A frase mencionada e mais ou menos essa, a seguir: "A estética filosófica permite criar linhas de fuga para ir ao encontro de realmente conhecer o 'real', transformando a percepção ordinária, para desconstruir realidades estabelecidas", colhida em uma publicação brasileira que li, com base em conceito estabelecido pela professora Angela Medeiros Santi. Tentei interpreta-la como um chamado para que a educação vá além da mera transmissão de conhecimento. Portanto, ela sugere que a educação deve envolver uma transformação da percepção, permitindo aos alunos questionar e desconstruir as realidades estabelecidas.

 

Isso está em consonância com o pensamento de Walter Benjamin, que valorizava a capacidade de questionar e reinterpretar o passado para iluminar o presente.


Em algumas instituições de ensino que tenho conhecimento, essas, construíram em suas grades curriculares, vários avanços com relação ao pensamento de Benjamin. Fiz um apanhado pedagógico de como isso funcionaria lembrando que no ensino médio brasileiro, mais especificamente, a aplicação de uma abordagem crítica e reflexiva pode ser transformadora para os alunos. Aqui estão algumas maneiras de incorporar esses princípios:

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a) Pode ser através de currículos interdisciplinares, a fim de para explorar questões complexas e desafios do mundo real. Por exemplo, ao estudar história, também considere as implicações sociais e políticas dos eventos passados. Deve-se incentivar os alunos a fazer conexões entre diferentes áreas do conhecimento, promovendo uma visão holística.
b) A segunda opção é exercer um questionamento ativo, isto é, encorajando os alunos a fazer perguntas críticas sobre o material apresentado. Isso pode envolver questionar a validade das fontes, os preconceitos subjacentes e as implicações mais amplas. Mas, deve-se desenvolver habilidades de pesquisa e análise para que esses possam buscar respostas por conta própria.
c) Agora entra-se numa fase onde as discussões e debates são importantes em sala de aula, principalmente, sobre tópicos relevantes. Isso ajuda os alunos a considerar diferentes perspectivas e aprimorar suas habilidades de argumentação. Deve-se criar um ambiente seguro onde os alunos possam expressar opiniões divergentes e aprender com os colegas; e
d) Um dos pontos fundamentais que eu acho é a questão da análise de mídia e de cultura. Aí vem a primeira grande pergunta. Como a mídia molda nossa percepção do mundo? Daí, a importância da analise das notícias, das publicidades, dos filmes e redes sociais criticamente.

À propósito desse último ítem encontra-se Bertolt Brecht que critica ferozmente a noção de "arte pela arte" e enfatiza a importância da arte "como meio de comunicação e transformação social". Ele acreditava que, ao desafiar as percepções e ideologias dominantes, a arte poderia contribuir para a conscientização e a emancipação do público.

 
Aqui, vale um apêdice rápido: Bertolt Brecht, em seus "Diários de Trabalho" e outros escritos teóricos, apresenta uma concepção revolucionária do teatro e da arte, visando uma transformação social. Brecht via a arte como um instrumento para a mudança social. Ele defendia que a arte deveria ser engajada politicamente e servir como uma ferramenta para expor as injustiças e desigualdades da sociedade. Em seus escritos, Brecht critica a noção de arte pela arte e enfatiza a importância da arte como meio de comunicação e transformação social. Ele acreditava que, "ao desafiar as percepções e ideologias dominantes, a arte poderia contribuir para a conscientização e a emancipação do público".


Pois bem, há de se incluir nesse texto, outro pensador magnífico: Jonathan Crary, que, por sua vez, em seu livro "24/7: Late Capitalism and the Ends of Sleep", discute como a sociedade contemporânea "está imersa em um regime de constante atividade e disponibilidade", o que ele chama de "24/7". (Atividades 24 horas, sete dias por semana). Esse regime tem implicações profundas para a percepção, a atenção e a experiência do tempo.


Então, a relação entre a frase sobre estética filosófica (lá em cima, baseada em publicação da professora e escritora Angela Medeiros Santi) e a observação de Crary, se encontram exatamente na crítica ao modo como as realidades estabelecidas (neste caso, a constante demanda por produtividade e atenção) moldam nossa percepção e experiência do mundo. Ambos apontam para a necessidade de uma abordagem crítica e reflexiva que possa desafiar e transformar essas realidades. No contexto da educação, isso implica criar espaços de aprendizagem que não apenas reconheçam essas dinâmicas, mas também incentivem os alunos a questioná-las e a explorar alternativas.

Obrigada, 

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JORGE CRUZ DE OLIVEIRA JUNIORHá 2 anos CuritibaSempre acreditei que a escola tem que formar o cidadão, consciente do seu papel no mundo em que vive e crítico de suas ações e das outras pessoas. Muito bom artigo.
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