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Socorro Guterres, exclusivo para o Facetubes: “Eram os deuses humanos?”

Socorro Guterres é uma das três indicações para uma vaga na Academia Poética Brasileira.

14/12/2024 às 11h28 Atualizada em 14/12/2024 às 12h11
Por: Mhario Lincoln Fonte: Socorro Guterres
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Arte: mhlai
Arte: mhlai

Eram os deuses humanos?

*Socorro Guterres   

Há muito tempo atrás, na mesoamérica, por volta do primeiro século depois de Cristo, havia uma cidadela de variada etnia e enigmáticos residenciais multifamiliares, localizada no México pré-hispânico, com uma população anterior aos Maias e aos Astecas.  Embora tenha sido um grande centro religioso, foi povoada bem antes da era cristã, dispondo-se em bairros complexos, sendo então considerada pelos astecas, que encontraram as ruínas dessa metrópole, como origem da civilização. Sem deixar escrituras, não conhecemos exatamente que povo habitou tal lugar, denominado posteriormente de Teotihuacan, cidade onde os homens se fazem deuses.  

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Contudo, podemos traçar uma via imaginária que nos conduza ao apogeu dessa era e nos permita visitar a localidade cosmopolita que chegou a ter milhares de habitantes convivendo entre suas duas pirâmides gigantes, do Sol, com grande camera interna que se abre em quatro portas no formato de pétalas de flor, e a pirâmide da Lua, em cujo topo se louva a grande deusa, ou Mulher Aranha de Teotihuacan,  e ainda o  templo da Serpente Emplumada, todos situados ao longo de uma extensa avenida. 


Certamente nos recepciona um bravo guerreiro adornado com vistoso cocar de penas. Talvez ele seja um dos que futuramente seriam sacrificados em oferendas, lembrando que morrer nessa situação era considerado um privilégio.  Mas, caminhemos com nosso anfitrião a tentar desvendar a magia dessas terras altas.  Totec, vamos designá- lo desse modo, nos apresenta à colorida cidadela, circundada por montanhas, cujo tom vermelho faz sobressair os pisos incrivelmente brancos.  

 

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Nela os teotihuacanos empregaram na arte da construção, ainda que não conhecessem os metais, as pedras vulcânicas oriundas da lava, exibindo vibrantes murais, que fascinam nesse passeio onde podemos observar finas ferramentas elaboradas a partir de rochas ígneas extrusivas, as obsidianas, espécie de vidro mineraloide, como exemplificam as pontas de lanças e dados portados por nosso herói. Há festas e ritos religiosos, pois estamos em pleno equinócio de primavera com o sol iluminando os degraus da pirâmide do Sol, que se sobrepõe à pirâmide da Lua, ambas majestosas, interligadas pela grande avenida, Calçada dos Mortos, assim intitulada pelos astecas ao descobrirem os restos desta metrópole, por acreditarem que as edificações que ladeavam o percurso seriam mausoléus de reis.

 

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Totec nos oferece, em prato de argila decorado com motivos geométricos, saboroso milho, cultivado em clima propício e solo fértil, para o qual contribui engenhosa irrigação. E por falar no maiz, alimento básico no sustento da comunidade, Teotec nos apresenta,  em especial deferência,  o Templo de Quetzalcoatl, a Serpente Emplumada, espécie de réptil voador, que estabeleceu as fronteiras entre céu e terra, o qual está relacionado aos cultos de renovação da natureza, posto que é igualmente criador da humanidade, associado ainda ao aprendizado, música e poesia,  como  nos demonstra o  guerreiro-guia o manuseio de esmeradas flautas,  com as quais os habitantes conduzem essa arte.

 

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Na verdade, Quetzalcoatl dispõem-se na forma de serpente, por estar ligado à terra, enquanto que as plumas remetem ao céu, sendo, portanto, homem e deus.  Bom e tolerante ensinou o cultivo do milho e uniu mito, lenda e história, tendo proibido, em época posterior, os sacrifícios humanos.  Nesse templo, Teotec detalha sobre as esculturas que adornam a estrutura reproduzindo sobretudo os deuses Quetzalcoatl e Tlaloc, associados igualmente à água dos rios e mares, como indicam junto às máscaras dessas divindades, conchas e elementos marinhos.  Há mercadores por toda parte e a cidade de arquitetura monumental transmite grande prosperidade sob o governo teocrático.  


Mas, de súbito vem a nossa mente que tudo é passado, tudo é mutável.  A via imaginária desfaz-se e o que vemos agora são as ruínas redescobertas,  em que o presente tenta preservar a magnitude anterior, que resplandece em mistério aos milhares de visitantes.  Por que desapareceu tão grande civilização? Que seca mingou seus rios? Quais conflitos internos fizeram o pacífico Quetzalcoatl se ausentar?  Quando o milho não chegou mais aos pratos ornamentais? Teotec já não pode responder, certamente repousa no inframundo da Pirâmide do Sol.

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JaimeHá 1 ano BSB/DFQue maravilhosa publicação informativa.
alcina maria silva azevedoHá 1 ano Campinas -SPQuantos mistérios e civilizações ficaram no passado e, desconhecemos! Quanto conhecimento nos foi roubado! Belíssima reportagem.
Marcia PintoHá 1 ano Natal RGNsocorro, amo os temas que você escreve.
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