
Da editoria de Esporte Cultural – Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln.
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, masca chiclete à beira do campo – um ritual já característico do treinador. O italiano é raramente visto sem uma goma de mascar durante as partidas, e não por acaso: ele próprio admitiu que o chiclete substituiu o cigarro como válvula de escape para a tensão à beira do gramado.
“Eu costumava fumar muito. É para isso que serve o chiclete”, revelou Ancelotti em entrevista ao programa Universo Valdano. Segundos antes de sua estreia como treinador do Brasil, lá estava ele colocando uma pastilha na boca para controlar a ansiedade, como registrou a imprensa equatoriana.
Mas o hábito de mascar algo para aliviar o nervosismo é muito anterior ao futebol moderno – talvez tão antigo quanto a própria humanidade. Estudos arqueológicos revelam indícios surpreendentes: arqueólogos encontraram “gomas” mastigadas de cerca de 9.500 anos em um sítio pré-histórico na Suécia.
Na Antiguidade, vários povos já mascavam resinas naturais. Os maias no México mastigavam o látex da árvore sapota (chicle) para enganar a sede e a fome, um costume depois assimilado pelos astecas; e os gregos antigos mascavam a resina de mastiche (árvore pistacheira) para limpar os dentes e perfumar o hálito.
Ou seja, muito antes de existirem chicletes embalados, mastigar substâncias pegajosas – seja por necessidade, higiene ou mero hábito – já fazia parte da cultura humana.
No caso de Ancelotti e tantos outros técnicos, mastigar chiclete virou quase um ritual de concentração. Psicólogos e psiquiatras explicam que há, de fato, fundamento comportamental nesse hábito aparentemente banal.
O pioneiro pesquisador do estresse, professor Hans Selye apontou que mascar chiclete com muita frequência pode ser um sintoma de ansiedade e tensão acumulada. A psiquiatra Lorena Gonçalo, de São Paulo, observa que o ato de mastigar repetidamente pode ter caráter compulsivo, um comportamento ritualístico ligado ao transtorno obsessivo-compulsivo que busca aliviar a inquietação interna.
Em outras palavras, ocupar a boca mascando algo serve de descarga para a ansiedade. A terapeuta Jenna Watson, especializada em manejo do estresse, compara esse gesto a outros tiques nervosos – balançar as pernas, roer unhas ou enrolar o cabelo – que momentaneamente reduzem a tensão ao ativar circuitos motores e distraírem a mente.
Do ponto de vista médico, porém, nem tudo são vantagens. Dentistas alertam que o uso prolongado de chicletes pode trazer prejuízos à saúde bucal e geral. O movimento mastigatório excessivo desgasta o esmalte dentário – a camada protetora dos dentes – e sobrecarrega a articulação temporomandibular (ATM). “Mascar chiclete pode agravar problemas na mandíbula em pessoas propensas a lesões na ATM”, explicam vários dentistas.
Por isso, é recomendado mastigar goma apenas por curtos períodos após as refeições (cerca de 15 minutos) e evitar o hábito contínuo ao longo do dia. Há também efeitos sistêmicos: mascar constantemente pode, em alguns casos, agravar o refluxo ácido – o ato de mastigar estimula a produção de saliva e pode relaxar o esfíncter do esôfago, aumentando a sensação de azia.
Além disso, quem masca rápido demais costuma engolir ar inadvertidamente, o que provoca inchaço abdominal e gases. Mesmo os chicletes sem açúcar merecem moderação: adoçantes como xilitol e sorbitol, presentes nessas gomas, têm efeito laxativo quando consumidos em excesso, podendo causar diarreia e cólicas abdominais.
Em resumo, embora mascar moderadamente um chiclete sem açúcar após as refeições possa auxiliar na higiene bucal – estimulando a salivação que neutraliza ácidos e reduz o risco de cárie – o abuso do hábito apresenta riscos reais, confirmam os especialistas.
No universo esportivo, contudo, a imagem do treinador ruminando chicletes à beira do campo já se tornou folclórica e, em geral, bem aceita como estratégia pessoal. Sir Alex Ferguson, lendário ex-técnico do Manchester United, talvez seja o caso mais icônico: ele era tão associado ao chiclete que um torcedor chegou a leiloar (de forma controversa) o suposto “último chiclete” mascado por Ferguson em sua partida de despedida em 2013.
A mania de Carlo Ancelotti, portanto, insere-se numa longa tradição dos bancos de reserva, mas também virou uma curiosidade midiática internacional. Jornais esportivos na Itália e na Espanha já dedicaram notas ao tema. O diário espanhol AS revelou qual é a goma favorita do técnico – Mentos Pure Fresh, que Ancelotti costuma tirar aos punhados de uma caixinha no bolso do paletó. O italiano, segundo o Corriere della Sera, termina um pacote por jogo, mastigando apenas durante os 90 minutos e nunca fora dos campos. Já na sua estreia pela Seleção Brasileira, na quinta passada, os jornalistas do Globo Esporte chegaram a contar oito chicletes consumidos por Ancelotti (cinco no primeiro tempo e três no segundo) em um empate contra o Equador – dado reproduzido com curiosidade pelo Corriere dello Sport.
O prestigiado El País, de Madri, brincou que é difícil tirar Ancelotti do sério, “ainda mais se ele tiver um pacote de chicletes à mão”. E com você é assim também? Deixe opinião abaixo nos comentários. Ao final, sortearemos uma caixa (50 tabeletes) de Goma de Mascar “Menta”, entre os que comentarem a matéria. Tá bom?
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