
Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/Ginai
Um cubo de apenas quatro centímetros pode conter as angústias de um planeta inteiro? Na instalação O Fim do Mundo, o artista chileno Alfredo Jaar propõe exatamente isso: ele condensa a violência geopolítica e o colapso ecológico em um minúsculo cubo forjado a partir de dez minerais cruciais à vida moderna.
Com forte teor político e ambiental, a obra reflete os efeitos devastadores da mineração em larga escala e da disputa voraz por recursos naturais em nosso planeta combalido. Jaar reuniu materiais como cobalto, lítio, estanho, coltan e terras raras – metais estratégicos indispensáveis às tecnologias digitais e à transição energética – moldando um símbolo tangível da ganância humana e de suas consequências globais.
Exposta inicialmente na monumental Kesselhaus do centro de arte KINDL, em Berlim, de setembro de 2024 a junho de 2025, O Fim do Mundo surpreende pela inversão de escala. Em vez de preencher o vasto espaço industrial com grandiosidade, Jaar instalou no meio do vazio um cubo luminoso de 4×4×4 cm, banhado por uma luz vermelha que envolve o ambiente em silêncio quase litúrgico.
O resultado é uma atmosfera de alerta e reverência: o diminuto “planeta” metálico ganha gravidade simbólica e convida à contemplação do abismo ambiental que nos cerca. A recepção tem sido visceral – muitos visitantes se emocionaram até as lágrimas diante da cena austera
– e a crítica internacional saudou a instalação por sua originalidade contundente e urgência de mensagem. Ao expor a ganância e a exploração insaciável dos recursos naturais, O Fim do Mundo levanta questões inquietantes sobre o futuro do planeta, em um alerta artístico tão urgente quanto ressoante.
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