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Sobre a autoentrevista de José Neres: “Que aula, príncipe!”

“Se eu convidasse Freud e Lacan para sentarem na nossa mesma mesa (onde eu e Neres já estamos sentados), diria que a prática consciente de se entrevistar pode ser vista como um modo de dialogar com o próprio discurso e produzir significação interna”. MHL

01/09/2025 às 09h10 Atualizada em 01/09/2025 às 14h46
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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Ele & Ele mesmo (Arte: mhl).
Ele & Ele mesmo (Arte: mhl).

*Mhario Lincoln

Abro a internet hoje pela manhã e me deparo com uma autoentrevista do professor José Neres, meu confrade APB, poeta, escritor e membro da Academia Maranhense de Letras. Essa fórmula literária, especialmente quando compartilhada publicamente, a mim me pareceu ser um gesto de desprendimento, fato que para Neres, tímido e avesso a insistência de elogios, me fez pensar, analisar e tentar escrever o texto, ora apresentado nesta Plataforma Nacional do Facetubes.

 

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Em primeiríssimo lugar, meus aplausos porque, em psicologia social, existe uma teoria a qual quando alguém consegue refletir sobre seus valores pessoais relevantes isso vem a ajudar (o leitor, também, como eu) a reduzir o estresse interno e a resistir a ameaças do desgaste produtivo.

 

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A meu ver, quando alguém se autoentrevista, reafirma internamente sua visão e trajetória — um processo poderoso de ratificação de suas conquistas. É um ato de coragem simbólico, de se permitir ser visto com honestidade. Com hombridade. Fatores que Neres cultua com bom alvitre.

 

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Além disso, a tendência humana de lembrar com mais intensidade o que foi agradável — chamada de Pollyanna principle ou viés de positividade — sugere que, ao narrar sua história e escolhas literárias, a pessoa naturalmente se conecta com experiências significativas e positivas.

 

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Isso torna a autoentrevista um convite à resiliência emocional, um relato poético que sublima memórias e preferências com leveza. Aliás, fiz algumas autoentrevistas. E as aproveitei, em alguns momentos, nas produções do VICEVERSA, seção interessante de (entrevistas mútuas: convidado/entrevistador/convidado) do nosso Facetubes.

 

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Há um detalhe que até parecer contraditório. Contudo, a autoentrevista pode revelar possíveis reticências, quanto bravura. Sob o espectro da psicologia cognitiva, a chamada self-enhancement motive (neste caso por mim analisado), mostra que Neres tendeu a valorizar muito mais o seu existencial, a sua vivência literária, do que valorizar a si mesmo. Só essa faceta já me encantou, porque ao expor essa vivência existencial, ele (indiretamente e sem narcisismo do ‘eu sou’, ‘eu fiz’, ‘eu sou o melhor’), acabou expondo sua melhor versão.

 

Outro detalhe: falar de si em público exige enfrentar o evaluation apprehension — o julgamento alheio, que frequentemente silencia quem demonstra timidez. Com Neres, parece que a litetatura – em contrapartida - o incita a ir além de suas condições pessoais. E isso é ótimo para leitores famintos, como eu.

 

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Se eu convidasse Freud e Lacan para sentarem na nossa mesma mesa (onde eu e Neres já estamos sentados), diria que a prática consciente de se entrevistar pode ser vista como um modo de dialogar com o próprio discurso e produzir significação interna. Especialmente quando vai buscar motivos para citar obras e contextos interpessoais tão interessantes. Essa prática se insere na tradição psicanalítica de tornar o inconsciente acessível através da linguagem — um gesto que Lacan chamaria de "fazer dizer", e que Freud valorizaria como expressão da dinâmica interna.

 

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Portanto, sem mais delongas, passemos ao belo texto de Neres, numa aula em que a experiência e vivência, registrando pensamentos e sentimentos para entender melhor suas emoções e crenças, são inseridas como fundamento imersivo num autodiálogo, sem aquela chatice insuportável do autoelogio. Parabéns, príncipe!

 

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Mhario Lincoln, Presidente da Academia Poética Brasileira.

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Fontes: Medium – Success through the Positive Self-Interview; Wikipedia – Self-affirmation theory; Paulo Freire – Pedagogia do Oprimido.

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UMA ENTREVISTA (?)

Claro que ninguém me entrevistou. Mas por falta do que fazer em uma tarde de domingo, resolvi colocar no papel um pouco de minha vida e de minhas ideias.
Se tiver alguma pergunta, deixe nos comentários e talvez eu responda e acrescente aqui.
Boa semana para todos!

 

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Onde e quando você nasceu? Quem são seus pais?

Nasci em São José de Ribamar,
Sou filho de José e de Maria
Anos setenta me viram chegar
Entre choros de dor e de alegria.


Que recordações você tem dessa época?

Da época não consigo recordar,
Mas lembro-me da cidade vazia,
Da rua, da lua e do belo mar
Que viraram saudade e poesia.


Como foram os primeiros anos de sua vida?

Minha cidade não foi meu lar.
Para Brasília fui com minha tia
E meu padrinho para me criar 

E depois para um Goiás que crescia
E lá logo comecei a estudar
E ler tudo que na mão me caía.

Fale-nos um pouco de sua formação acadêmica 

Eu creio que tenha mil corações…
Até acho isso algo muito natural
Cursei técnico em Edificações 
E concluí Design Editorial…

Em Letras e História vivi emoções…
Jornalismo foi algo bem legal,
Pedagogia me ensinou mil lições 
E sou gerontólogo bem normal.

Fiz várias especializações,
Como em Educação Ambiental,
Literatura e comunicações.

Desenvolvimento Regional
E suas duas mil aplicações 
Estão na minha tese doutoral.


Qual o primeiro livro que você leu? Ainda se lembra?

Eu leio quase tudo que me dão 
Mas o primeiro livro que li inteiro 
Foi A Tulipa Negra, um romanção
devorado de modo bem ligeiro.


Diga três livros que valem a pena reler

Gosto de Cem anos de Solidão 
E do Poema Sujo por inteiro
Quando li Na Ardente Escuridão,
Reconheci teatro verdadeiro.


Que livros você recomendaria para quem pensa em se apaixonar pela literatura?

Édipo Rei é potente emoção,
Um belo e perfeito o livro pioneiro;
Cyrano de Bergerac é paixão 

A deixar o coração prisioneiro;
Drácula é obra de perfeição,
Vale qualquer investido dinheiro.


Que autores você gosta de ler?

Assis Brasil, Montello e Gullar,
Chagas, Rubião, Clarice, Monteiro,
Buero Vallejo, Sabino, Duras,
Calvino, Cervantes, Rosa, Louzeiro,

Cunha, Machado de Assis e Yourcenar,
Eco, Márquez e Tribuzi Pinheiro;
Barreto, Shakespeare,Scliar,
Quintana e nosso Catulo violeiro…

Bandeira, Tolstói, Fonseca, Dumas -
Tanto segundo como do primeiro,
Aquele Kafka sempre a ensinar

Como amar todo livro por inteiro,
Agatha, pra mistério decifrar…
Todo escritor será sempre um guerreiro…


Fale um pouco sobre sua obra

Escrevo tanto em verso quanto em prosa
Mas para a verdade sempre falar
O primeiro livro foi Negra Rosa
Depois veio a Mulher de Potifar,

Restos de Vidas… é uma dolorosa
Forma que um dia achei para falar
De uma sociedade caprichosa
Que passou a vida a nos explorar.

Numa escrita bem vaga e vaporosa
Pelos microcontos fui passear,
Já narrei inclusive traição airosa

E faço críticas bem devagar
Numa escrita nada milagrosa
Peno pra alguma página salvar.


Que você acha da educação de nosso país atualmente?

Para nosso país a solução 
É algo que soa bem urgente…
Ela está na caneta, fé e na mão 
De quem, acho, talvez nem seja gente…

É preciso investir na educação 
De modo justo, honesto e coerente
Não dar trégua para essa corrupção 
Que devora até mesmo a vã semente…

Não se pode esperar nova eleição 
Ou surgir algum anjo reluzente
Que venha pra salvar nossa nação 

Educar nosso povo é a solução…
Falar isso soa até meio indecente,
Se quem nos rouba nos chama de irmão…

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Judith BittencourtHá 9 meses WhatsApp SLZO ser poético e autêntico. Obrigada Mhario e José Neres.????????
alcina maria silva azevedoHá 9 meses Campinas -SPConfrade José Neres. Que show! Eu nunca havia lido uma entrevista como essa! Parabéns! A poesia vibra e corre em suas veias, de uma forma linda e inucitada. Um forte abraço de admiração.
Nana SilvaHá 9 meses Brasília DF Uma boa leitura. Um bom aprendizado. Um Guia.
LeopoldoHá 9 meses São Luís Ma Homem de.pés no chão. Consciência limpa..uma espécime em extinção.
Joizacawpy Há 9 meses São luís Que leesente que ganhamos nós leitor, obrigada Mhario. Quanto se auto entrevistar para José Neres é completamente cabível, sua história lhe permite tudo que pareça ousadia, ora quem melhor que ele mesmo para fazer perguntas pertinentes interessantes e necessárias sobre sua trajetória. De brinde ele escreve em versos, contrariando as regras, pois dizem que escrever em versos em algo tão peculiar da poesia que não deve ser escrito para determinadas finalidades. Neste caso ficou perfeita.
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