
Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln.
O antigo prédio do Banco do Brasil — hoje sede do Tribunal de Justiça do Maranhão, em frente ao Palácio dos Leões, na Av. Pedro II — será inaugurado, na segunda-feira, 10 de novembro, às 9h, rebatizado com o nome de Durval Soares da Fonseca. A decisão do Plenário da Corte Estadual não é apenas um ato administrativo: é a consagração pública de uma biografia que uniu retidão, serviço e amor ao Maranhão. Pai do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Reynaldo Soares da Fonseca, e de outros filhos de respeitáveis condutas, além de uma família ilibada, Durval representa a linhagem silenciosa de brasileiros que dignificam a vida pública sem holofotes, com trabalho diário e fé no progresso.
Nascido em São Luís em 6 de agosto de 1927, filho de João Viana da Fonseca e Carmina Soares da Fonseca, ele atravessou a educação maranhense com brilho — Colégio Maranhense (Maristas) e Liceu Maranhense —, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Maranhão e seguiu a trilha do aperfeiçoamento: pós-graduação em Processo Civil, com tese sobre Embargos do Devedor, na Fundação Getulio Vargas; especialização em Direito Bancário pelo Banco do Brasil em parceria com a FGV e cursos de atualização em crédito agrícola. A erudição, porém, nunca o afastou do chão do serviço: foi aprovado para escriturário do Banco do Brasil, depois para advogado da instituição, até chefiar a Assessoria Jurídica do BB. Foram 41 anos de casa, somados a 47 anos de advocacia militante, décadas 60 a 90, servindo ao público com firmeza técnica e humanidade.
A presença de Durval Soares da Fonseca se fez sentir em diferentes frentes do Maranhão. Foi funcionário da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e presidente da AABB-MA, fomentando esporte e convivência comunitária. Na Ordem dos Advogados do Brasil, seção Maranhão, atuou como conselheiro seccional e secretário-geral, ajudando a fortalecer a institucionalidade da advocacia. Como jurista, serviu ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão em dois mandatos (1977–79 e 1979–81) na cadeira de desembargador eleitoral, período lembrado pela serenidade de voto, pelo respeito às garantias e pela disposição de ouvir antes de decidir. Recebeu inúmeras honrarias, entre elas a da Academia Maranhense de Letras, que viu em sua trajetória a rara combinação de cultura, ética e espírito público.
A história que hoje se inscreve na pedra da memória do Judiciário maranhense começou com um menino que aprendeu cedo o valor da disciplina e terminou com um advogado que nunca perdeu a ternura pelo próximo. Ao dar seu nome a um edifício que por quase um século acolheu a inteligência financeira do país e agora abriga a inteligência judiciária do Estado, o Maranhão sela um símbolo: a justiça que se faz todos os dias, no zelo pelo expediente, na precisão da palavra e na coragem de assumir responsabilidades.
A família Soares da Fonseca, emocionada e agradecida pelo legado de seu amado patriarca, convida a sociedade a partilhar esse momento de reconhecimento. Todos são bem-vindos, acolhidos com carinho, para celebrar um nome que atravessa instituições e permanece nas pessoas. Durval foi marido dedicado de Maria Thereza Soares da Fonseca, pai que ensinou pelo exemplo e profissional que elevou cada função que assumiu. Na lembrança dos colegas, não há adjetivo mais fiel: leal — à lei, à ética e à sua terra.
Na manhã de 10 de novembro, quando a placa for descerrada e a casa de justiça passar a dizer em alto-relevo “Durval Soares da Fonseca”, São Luís verá mais do que um batismo oficial. Verá um Maranhão que honra suas referências e inspira as novas gerações a estudar, servir e liderar com humildade. Que esse edifício guarde, em suas salas e corredores, a mesma sobriedade, o mesmo senso de dever e a mesma delicadeza que marcaram a vida de quem agora lhe dá nome.
Mín. 13° Máx. 20°