Dino de Alcântara
Josué Montello, numa concorrida palestra em São Luís, nos anos 90, narrou um episódio inusitado sobre Viriato Corrêa. O romancista de Os Tambores de São Luís contou que presenciou, por várias vezes, a visita de alunos das primeiras séries à casa de Viriato. E, como despertasse o interesse da plateia, narrou-nos o seguinte episódio.
Certa vez, afirmou Montello, os alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus foram com a professora Rosa Maria visitar Viriato. Quando os alunos viram o escritor maranhense, com os seus 1,39m, pensaram que era um menino vestido de homem.
Logo correram para ele, abraçando-o, como se fosse não um senhor de 70 anos, mas um menino igual a eles. Era uma sintonia entre o autor de 'Cazuza' e as crianças, que até a professora ficou admirada com a cena. Um deles, o Olavo, devia ter mais ou menos 7 anos, era filho de um funcionário público maranhense que para o Rio tinha se mudado, puxava a parte de baixo do paletó de Viriato, como se quisesse atenção só para ele, e nada do escritor atender o pequeno aluno. Mas ele não desistiu e puxou com mais força. Foi aí que Viriato, voltando a atenção ao menino, deu com um olhar curioso de criança. E, como se tivesse falando com um jovenzinho, perguntou o que desejava. Ao que a criança, não sabendo que Viriato tinha 70 anos, portanto não era uma criança como eles, do Sagrado Coração de Jesus, perguntou na sua fala ainda com uma boa dose de gagueira: “ÊÊÊÊÊ, cocoleguinha, você tem carrinho de brincar?”
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