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“PENSANDO SEM IA”.  Novos artigo de segunda #55/ José Neres (APB-MA).

José Neres, da Academia Poética Brasileira e convidado especial da Plataforma Nacional do Facetubes.

13/11/2025 às 17h25
Por: Mhario Lincoln Fonte: José Neres
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Original do texto.
Original do texto.

Imagem (original do texto, criada com auxílio de Inteligência Artificial)

José Neres, original de: https://conversar100medo.blogspot.com/2025/11/artigo-de-segunda-56-pensando-sem-ia.html   

Repleto do compromisso, não consegui escrever meu texto semanal domingo nem na segunda-feira. Hoje, depois de não conseguir ir para uma reunião, de não conseguir ser atendido por um médico, que não soube cumprir seus horários, de falar para algumas dezenas de universitários (saudades do tempo em que ministrava aula em cursos superiores!), de dirigir por horas em um engarrafamento brutal e de elaborar algumas questões, finalmente consegui parar um pouco para colocar algumas ideias na tela do computador e depois transferir para este pobre, porém carinhoso blog.

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Começo pensando na COP30

Pode ser impressão minha, mas até agora não tive notícia sobre as discussões e debates entre os especialistas nos assuntos ambientais. Claro que as COPs são eventos mais políticos que científicos e quem realmente entende do assunto fica sempre silenciado pelos holofotes focados em quem compareceu apenas por obrigação protocolar ou para tirar uma foto.

Claro que são poucas as pessoas que conseguem ouvir um debate sério entre estudiosos do assunto. Claro que é mais fácil divulgar cifras estronômicas do que lembrar que pequenas atitudes podem também ajudar a mitigar os danos causados ao planeta. Nem tudo é somente dinheiro. Há muitas situações em que é preciso investir em estratégias de ensino que levem jovens e adultos a refletirem sobre o papel de cada um de nós dentro da imensa engrenagem chamada ambiente.

Claro que divulgar nomes de cientistas e de pesquisadores presentes no evento não atrai o olhar do grande público. É bem melhor e mais midiático transmitir os shows das celebridades, as gafes (muitas) dos políticos que pouco sabem do assunto, as esdrúxulas performances artísticas que costumam atrair multidões etc. Mas não custa nada pelo menos fingir que questões ambientais são um assunto sério e que vai muito além de estender uma bandeja para mendigar recursos financeiros.

Não há dúvida de que toda a população poderia colher bons resultados com o simples fato de quem tem a caneta e o dinheiro nas mãos parar para ouvir aquelas pessoas que estudam o assunto de forma séria e verdadeira. Pouco adianta pintar a paisagem de verde e fazer de conta que isso resolve os verdadeiros problemas que assombram o futuro da humanidade. Temos motivos para acreditar que a propaganda é a alma de um negócio cada vez mais sem alma.

Mas tudo deve ser impressão minha. Tenho certeza de que essas pessoas iluminadas estão cuidando de nosso presente e de nosso futuro. Só espero que não seja da mesma forma que cuidaram de tudo isso no passado.

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Deixo a COP30 de lado e passo para outro pensamento intrusivo...

***

Qual a lógica de as clínicas e consultórios dizerem para os pacientes que os médicos atenderão pelo sistema de horário marcado, se têm certeza de que não cumprirão o horário estipulado.

Pior ainda é o fato de pedirem que o paciente chegue com antecedência de aproximadamente meia hora. Ou seja, o paciente acaba sendo convidado a perder tempo antes e depois da consulta. E não se trata de um atraso de apenas alguns minutos. Hoje, esperei por uma hora e 20 minutos até descobrir que o “doutor” tinha acabado de chegar. Educadamente, dirigi-me à recepção, pedi o cancelamento da consulta e fui embora. Resultado: perdi meu precioso tempo e não consegui resolver o problema de saúde. Meus parabéns à atendente, dona de uma educação exemplar.

***

Outro pensamento invade minha cansada mente...

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Olho para um lado e para o outro e vejo que muitas pessoas estão cada vez mais dependentes da chamada Inteligência Artificial. O professor – muitas vezes após recorrer à IA –  passa uma tarefa para os alunos, que, por sua vez, recorrem aos mesmos mecanismos para executarem a tarefa. Parece que algumas pessoas não conseguem mais raciocinar com o próprio cérebro.  Sem uma máquina por perto, o raciocínio entra em pane e cai em estado de profunda e incontornável letargia. Isso não deve ser visto como algo normal.

Ainda há os casos em que algumas pessoas decidem posar como intelectuais, chegando inclusive a pedir resumo de obras que depois são resenhadas como se tivessem sido lidas realmente. Pior que tem gente que acredita.

Não sou contra o uso da Inteligência Artificial, porém não posso deixar de ficar espantado quando ela é utilizada como uma fraude que visa disfarçar nossa natural incompetência.

Um detalhe: alguns vídeos criados com IA ficam tão realistas que muitas pessoas estão acreditando até que as vacas voam sobre um mosteiro.

***

Hora de descansar. Cedo tenho mais uma jornada de atividades. Obrigado pela paciência. Só espero que ninguém tenha recorrido à IA para resumir este breve texto. Mas não duvido!

 

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