
Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes
Com: Mhario LIncoln
Pedreiras viveu, na noite de 3 de dezembro desde final de 2025, uma daquelas raras ocasiões em que a cidade parece respirar ao ritmo de um único coração. No plenário da Câmara Municipal, as luzes, os abraços e os olhares convergiam para uma figura aparentemente frágil, mas imensa em história e ternura: a poeta Maria do Socorro Menezes, a 'dona poesia', que comemorou 85 anos cercada por livros, amigos e gratidão.
Mais que um aniversário, a solenidade transformou-se num rito de reconhecimento público a uma mulher que fez da palavra um abrigo para a memória de Pedreiras e um farol para quem chega depois dela.
A noite ganhou contornos ainda mais especiais com o lançamento de “Iara”, novo livro do escritor e poeta Aldo Gomes, membro imortal da Academia Pedreirense de Letras. Entre discursos, autógrafos e aplausos, ficava nítido que não se tratava de dois acontecimentos isolados, mas de um diálogo entre gerações: de um lado, Maria, que atravessou décadas registrando em versos a vida do povo do Médio Mearim; de outro, um autor que reconhece, no caminho aberto por ela e por tantos outros, a estrada por onde também seguirá.
Um dos momentos mais tocantes da solenidade veio com a participação de Ana Neres Lima, escritora, acadêmica da Academia Poética Brasileira e força motriz do projeto “O Sonho de Maria”, pessoa a quem dedico minha mais pura admiração e respeito. Ao apresentar dois vídeos em homenagem à aniversariante, Ana costurou imagens de bastidores, trechos de recitais e depoimentos de familiares, compondo um retrato íntimo e delicado da poetisa.
Em silêncio, muitos na plateia enxugavam lágrimas discretas: viam ali não apenas a figura pública, mas a avó, a amiga, a mestra que há anos transforma lembranças em poesia e esperança em verso.
A trajetória de Maria do Socorro Menezes explica a emoção que tomou conta do ambiente. Pedreirense de alma e de destino, ela construiu sua obra entre a dureza da vida sertaneja e a ternura com que recolhe as histórias de sua gente. Membro da Academia Pedreirense de Letras e patronesse universal (2017) da Academia Poética Brasileira, ela reuniu em “Retalhos de Maria” e, mais recentemente, em “Relicário de Maria”, os momentos em que a simplicidade do cotidiano se transfigura em matéria de beleza e resistência.
Em um de seus poemas mais líricos, ela escreve: “cada pétala perdida eu coloco sobre a dor”, Maria nos mostra que sua poesia é um gesto de cura: ela borda, sobre a ferida, uma flor que não permite ao sofrimento a última palavra.
Nessa história afetiva que se alonga por décadas, muitos nomes ajudam a compor o desenho dos dias. Adalberto Franklin e Samuel Barrêto (in memoriam), Joana Bittecourt, Raimundo Carneiro Corrêa, Joaquim Cantanhede, Giselda Castro, Sandra Pontes, Sharlene Serra, Luiza Cantanhede e tantos outros que fazem parte desses preciosos “retalhos de vida, sonhos e realizações” compartilhados de nossa Maria.
Maria, sempre Maria porque ela é a pessoa-chave que continua a receber todo incentivo por sua obra magnífica, real, quase uma catarse. E eu fico profundamente contente em ver o talento de Maria sustentado por mãos tão generosas que acreditaram nessa história lírica.
Portanto, a homenagem, organizada pela Academia Pedreirense de Letras, pela Academia Poética Brasileira, pelo Memorial Padre Jorge de Melo (João Israel Da Silva Azevedo) e pela equipe do Projeto Sonho de Maria, com apoio da FUP e da Prefeitura de Pedreiras, deu forma institucional a um sentimento que a cidade já nutria havia muito tempo. Os vídeos foram produzidos pela FUP - Fundação Municipal de Cultura de Pedreiras e pelo Jornalista Joaquim Cantanhede, produtor do Projeto Sonho de Maria.
Autoridades, acadêmicos, familiares e admiradores lotaram o plenário não para exaltar títulos, mas para agradecer a uma mulher que, mesmo sem buscar protagonismo, se tornou referência afetiva e cultural. Na fala de quem subiu à tribuna, repetia-se a mesma ideia: Maria do Socorro Menezes ensinou que a melhor idade da poesia é aquela em que se vive plenamente o sonho, sem temer as rugas nem o tempo.
Sigamos, pois, oque disse Ana Neres: “O projeto O Sonho de Maria continua, agora, pelas mãos e pela sensibilidade de tantos parceiros que se somam à causa, garantindo que cada ‘retalho’ e cada ‘relicário’ de Dona Maria siga alcançando novas gerações”.
Foto: Lá atrás, com Maria, o inesquecível Samuel Barreto. Na frente, as dinâmicas poetas e membras da APB-MA, Ana Neres e Sharlene Serra. Essa foi uma das viagens literárias inesquecíveis que eu participei no Maranhão.
Assim, a homenagem à confreira Maria do Socorro Menezes, aos 85 anos, é um pacto coletivo de gratidão à poesia que fez de Pedreiras um território lírico de alto nível sentimental. Enquanto houver alguém recitando seus versos na praça, na escola ou em salas de leitura, o sonho de Maria permanecerá vivo — e com ele a certeza de que a palavra, quando nasce do amor à terra e às pessoas, não envelhece jamais.
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