
Editoria de Economia da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, poeta e jornalista c/Positivo empresas.
O Grupo Positivo, um dos conglomerados empresariais mais tradicionais do Paraná, entra em 2025 exibindo uma combinação rara no ambiente corporativo brasileiro: receita recorde próxima de R$ 1,2 bilhão, com projeção de chegar a R$ 1,3 bilhão no próximo ano, e uma agenda ambiental que deixou de ser peça de marketing para se tornar eixo estruturante do negócio.
Sob a liderança de Lucas Guimarães, CEO do grupo, a estratégia é explícita: usar o resultado financeiro para alavancar compromissos ambientais de longo prazo, em especial na cadeia gráfica e educacional. A Posigraf, gráfica do grupo, é apresentada como a primeira e única gráfica carbono neutro da América Latina, apoiando-se em energia de fontes renováveis e em programas de compensação de emissões que se tornaram diferencial competitivo junto a clientes com metas ESG mais rigorosas.
O pilar dessa política está fincado na Reserva Mata do Uru, área de Mata Atlântica adotada em 2003 em parceria com a ONG SPVS, no interior do Paraná. Ali, o grupo já investiu mais de R$ 2 milhões em conservação, pesquisa e educação ambiental, recebendo mais de 30 mil visitantes – entre estudantes, professores e pesquisadores – em atividades de trilhas, oficinas e práticas pedagógicas ao ar livre.A área, hoje classificada como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), tornou-se extensões simbólica e prática da Posigraf, integrando biodiversidade, ciência e reputação corporativa.
No coração do modelo de negócios, o livro físico permanece central. Cerca de 60% da produção gráfica é destinada ao setor educacional – incluindo redes privadas, o Aprende Brasil Educação, presente em centenas de prefeituras, e contratos com secretarias estaduais, como São Paulo –, enquanto os outros 40% atendem a grandes grupos empresariais, casos como o Grupo Boticário. Em um mercado pressionado pela digitalização, o grupo aposta em estudos que apontam maior retenção de conteúdo no material impresso e usa essa evidência como argumento pedagógico e comercial.
O ambiente regulatório também joga a favor. Avança no país a implantação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, que tende a organizar o mercado de carbono e estimular empresas a darem preço às próprias emissões. Esse contexto torna ativos intangíveis – como o selo carbono zero da Posigraf, a rastreabilidade de insumos e a gestão de resíduos em linha com a Política Nacional de Resíduos Sólidos – parte de uma equação econômica que passa a ser mensurada por investidores e clientes institucionais.
Mais do que cumprir norma, o grupo busca transformar preservação em cultura. A agenda ambiental está integrada ao currículo de escolas ligadas ao Positivo, com certificações ISO 14000, projetos interdisciplinares e ações permanentes de reciclagem e uso racional de energia. Segundo a empresa, o universo diretamente impactado por essas ações – entre estudantes, famílias, professores e colaboradores – já supera 100 mil pessoas, numa lógica em que cada aluno é também um multiplicador do discurso ambiental.
No curto prazo, o recorde de faturamento indica que a combinação entre foco no segmento educacional, serviços complementares e política ESG consistente produz efeito em caixa. No médio e longo prazos, a aposta é mais ambiciosa: transformar a Mata do Uru e a Posigraf em vitrines de um modelo de negócio que conecta lucro, conservação e educação ambiental, num momento em que o Brasil se prepara para assumir papel central na agenda climática global.
Para o mercado, o recado é claro: sustentabilidade deixou de ser custo e passou a ser ativo estratégico – medido tanto em bilhões de reais quanto em hectares de floresta preservada.
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