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A Grandeza Cultural do Maranhão e os Desafios do Presente

Convidado da Plataforma Nacional do Facetubes: Carlos Furtado, Fazedor de Cultura e Presidente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares - AMCLAM

01/02/2026 às 18h30
Por: Mhario Lincoln Fonte: Carlos Furtado (autor)
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Carlos Furtado. AMCLAM
Carlos Furtado. AMCLAM

Carlos Furtado*

Já registrei, em crônicas e artigos — e nunca é demais reiterar —, que o Maranhão vivencia um período singular e luminoso de sua história cultural. Trata-se de um tempo fecundo, em que a cultura se espraia em múltiplas formas, linguagens e expressões, materializando-se por meio de inúmeras personagens que, com dedicação e coragem, constroem e sustentam esse momento extraordinário.
Nesse vasto universo, as Academias de Letras — particularmente no campo literário, uma vez que existem instituições que adentram por outros campos — expandem-se de maneira exponencial, revelando uma quantidade verdadeiramente espetacular de literatos até então invisibilizados ou desconhecidos pela sociedade maranhense e brasileira. Paralelamente, as Academias Mistas, que congregam as ciências e as artes, afirmam-se como espaços vivos de produção intelectual e sensível. Soma-se a isso a força do cinema, da música, das artes plásticas, do teatro e das mais diversas manifestações culturais, todas a evidenciar a pujança criativa do Maranhão.

 

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Carlos Furtado, autor.

Em escritos anteriores, fiz questão de registrar que a Associação Maranhense de Escritores Independentes (AMEI) constituiu — e continua a constituir — um marco histórico fundamental nesse processo. Sob a liderança visionária de José Antônio Viegas, a AMEI, desde seus primórdios, catalisou a criação de diversas Academias de Letras e estimulou decisivamente escritores em todas as regiões do estado. Essas Academias floresceram, consolidaram-se e hoje ofertam uma gama expressiva de atividades, nas quais a criatividade, o ineditismo e o compromisso cultural são marcas permanentes.
De igual modo, a Academia Maranhense de Letras (AML) — o mais importante templo cultural do Maranhão e um dos mais respeitados do Brasil literário — inaugurou um novo e promissor ciclo sob a gestão de seu presidente, Lourival Serejo. Ao abrir suas portas para a realização de solenidades, encontros, lançamentos de livros e eventos protagonizados por Academias e Institutos Culturais desprovidos de sedes próprias, a AML reafirmou sua vocação maior: ser a casa de todos que pensam, produzem e difundem cultura.


Enquanto isso, órgãos e instituições públicas e privadas, sensíveis à relevância cultural, têm oportunizado às instituições e aos agentes independentes momentos de intensa atividade intelectual e artística, permitindo, por meio de seus gestores, o uso de auditórios, salas e espaços diversos. É impossível não reconhecer, nesse contexto, pessoas que fazem efetivamente a diferença: Aline do Nascimento, da Biblioteca Pública; Joseane Sousa, da Casa de Cultura Josué Montello; Eduardo Nicolau, do Ministério Público; Evangelina Noronha, da Fundação Sousândrade; Leuzinete Pereira, da Escola de Governo; Maurício Feijó, da FECOMÉRCIO; Amélia Cunha, do Museu Histórico e Geográfico; Uimar Júnior, da Galeria Trapiche; Carlos Soares, da AMPEM; Carlos Nina, do Lítero; além de prefeitos municipais que, em suas gestões atuais ou pretéritas, compreenderam a importância do acolhimento cultural. Evidentemente, muitos outros gestores também abrem portas e corações a escritores, poetas, artistas plásticos, cantores, compositores e músicos, contribuindo, decisivamente, para a disseminação cultural neste recanto do Brasil — a eterna Athenas Brasileira.

 

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Mhario Lincoln e Carlos Furtado.

Papel igualmente significativo exercem aqueles que se dedicam à divulgação de obras e espetáculos. Nesse mister, destacam-se Wellington Rabelo, Walkir Marinho e alguns poucos blogueiros que, de forma gratuita e abnegada, difundem a cultura, conscientes de seu relevante papel social. Em âmbito nacional, o maranhense Mhário Lincoln ocupa posição preponderante, seja por meio de críticas construtivas e impulsionadoras, seja pela apresentação de novos talentos, pelo reconhecimento de trajetórias e pela ampla divulgação de produções culturais, com especial atenção aos maranhenses, sem jamais perder a dimensão nacional de sua atuação.

Em contraste com essa vitalidade cultural, é lamentável registrar que os gestores estadual e da capital maranhense têm priorizado, quase exclusivamente, as grandes festas populares — o carnaval e o período junino. Até aí, tudo bem. Ocorre que investem cifras elevadas na contratação de artistas nacionais, em contrapartida, os artistas populares maranhenses recebem cachês irrisórios, incompatíveis com sua importância cultural e simbólica.


As Academias, por sua vez, permanecem relegadas ao esquecimento. Mesmo com leis já aprovadas, que lhes possibilitariam arcar com despesas mínimas de funcionamento, seguem inoperantes, à espera de regulamentações e da devida inclusão nas leis orçamentárias.

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Ainda assim, apesar da escassez de apoio institucional, os fazedores de cultura — amparados por aqueles que idealizam, organizam e promovem eventos culturais — seguem firmes em sua missão. Persistem, resistem e criam, sem perder a esperança de que novos ventos soprem, despertando consciências e inaugurando um novo tempo para a cultura maranhense.

Carlos Furtado
Fazedor de cultura
Presidente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares

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LUCIANO CORDEIROHá 3 meses CuritibaPrezado Cel. Furtado! Gostaria de reigstrar neste importante espaço, minha adminiração e por vossa pessoa e por seus conterraneos maranhenses. Seja pela iniciativa, seja pela relevância dos trabalhos apresentados com a devida pubicação e credenciamento que o rigor literário e cultural exigem. De igual sorte, agradeço pelo apoio incondicioanl à ALMEPAR (Academia de Letras dos Militares Estaduais do Paraná) e demais Policiais Militares que se lançam a linda aventura da escrita.
Rafael VianaHá 4 meses São Luís/MAParabéns Coronel pelas sábias palavras e pelo incentivo formidável à cultura do nosso Estado.
josemar silva da cruzHá 4 meses SalvadorCaro confrade, boa noite. Concordo "ipsis littere" e "ipsis verbis" com tudo que está dito em seu texto. Que, aliás, está muito bem escrito. Queiram ou não queiram ajudamos a fazer cultura em nossos estados. E ajudamos a perpetuar o caldo cultural de onde vivemos através de nossas obras. E o fazemos aos "trancos e barrancos" , tirando leite de pedra, muita vezes sem apoio dos órgãos do governo. Mas, sigamos em frente, esse é nosso "mister", enaltece nossas almas e nos faz feliz ao fazermos.
Fabiane Há 4 meses São Luís Coronel Carlos Furtado, seu comentário sobre a grandeza cultural do Maranhão é fantástico! É incrível como você destaca a riqueza e a resiliência da cultura maranhense, sem deixar de abordar os desafios atuais. Sua paixão e conhecimento são admiráveis! ???? Continue compartilhando sua visão e contribuindo para valorizar ainda mais nossa cultura!
Diniz Há 4 meses São Luís MAImportante realce do momento de ebulição porque passa a cultura maranhense com a liderança da AML, apoia de instituições afins e pessoas comprometidas com a causa, e a entrada em cena da AMCLAM que, apesar de pouco tempo de criação, tem se destacado com relevante produção literária dos seus membros, realização de significativos eventos e participações no cenário da cultura local, estadual e nacional. Destaque- se ainda o apelo para o que as Academias tenham o reconhecimento do poder público.
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