Dino de Alcântara
São Luís sempre foi uma cidade que teve (e ainda tem) muitos tipos singulares. Trata-se de homens e mulheres com uma particularidade que os torna visíveis, ainda que sejam pessoas pobres, excluídas, etc.
Um dos tipos mais conhecidos em São Luís do Maranhão foi, sem dúvida, Ivanaldo Godinho Oliveira, o famoso Rei dos Homens.
Era um tipo que andava geralmente com paletó e gravata, às vezes com duas calças, outras vezes, não usava o paletó, mas colocava duas, três camisas. Caminhava entre o Hotel Central e o Abrigo da João Lisboa, às vezes com um jornal dobrado debaixo do braço. Muitos atestavam que ele não sabia ler nem escrever, mas os que o conheceram na intimidade garantem que lia bem. Aos passantes, pedia um dinheiro ou um cigarro.
Foi tão conhecido e popular, que Zé Sarney dedicou um dos seus textos publicados na Folha de S. Paulo a ele – “Rei dos homens é um menino”:
Segundo o cronista, “Rei-dos-Homens se dizia enviado de Deus e era em seu nome que vivia e pregava. O coitado era alvo de chacota geral, com aquela quantidade de roupas e cumprindo sua missão de pregar na porta das igrejas. Ele misturava as coisas. Dizia que São José era coronel da polícia, São João fora visto tomando banho de mar na praia dos Lençóis”.
Um dia, Rei dos Homens dizia a todos os seus conhecidos no centro de São Luís e no Monte Castelo, onde morava, que ia fazer uma campanha:
“Rei dos Homens vai fazer uma campanha. Se cada brasileiro der um real a Rei dos Homens, ninguém fica liso, e Rei dos Homens, milionário!”
Hoje Rei dos Homens é uma figura de nossa história, da nossa rica memória cultural!
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