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O SUICÍDIO NO MEIO POLICIAL: SILÊNCIO, DOR E A URGÊNCIA DO CUIDADO

Cel Carlos Furtado é convidado da Academia Poética Brasileira.

22/03/2026 03h35 Atualizada há 6 meses atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Cel Carlos Furtado (autor).
Cel. Carlos Furtado
Cel. Carlos Furtado

Por Carlos Furtado*

A sociedade, em sua legítima expectativa por segurança, deposita sobre os ombros do policial a missão de proteger, servir e, não raras vezes, sacrificar-se. Entretanto, por trás da farda que simboliza autoridade, coragem e disciplina, habita um ser humano sujeito às mesmas fragilidades, angústias e dores que qualquer outro cidadão.

O suicídio no meio policial não pode ser compreendido como um evento isolado ou fruto de uma única causa. Trata-se de um fenômeno complexo, que resulta da confluência de fatores emocionais, profissionais, sociais e institucionais, muitas vezes silenciosamente acumulados ao longo dos anos.

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A rotina policial é marcada pela exposição contínua à violência, ao risco iminente e ao contato frequente com o sofrimento humano. Essa vivência, quando não devidamente elaborada, pode desencadear quadros como Depressão, Ansiedade e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, comprometendo progressivamente a saúde mental do profissional.

Some-se a isso uma cultura institucional que, historicamente, valorizou a rigidez emocional e a aparente invulnerabilidade. Em muitos casos, admitir fragilidade ainda é visto como sinal de fraqueza, o que leva inúmeros policiais a silenciarem suas dores, evitando buscar ajuda por receio de julgamento ou prejuízo na carreira.

Outro aspecto relevante é o fácil acesso a meios letais, inerente à própria natureza da profissão, o que potencializa o risco em momentos de crise. Paralelamente, questões pessoais — como conflitos familiares, dificuldades financeiras e o isolamento social — podem agravar ainda mais o quadro.

Não se pode ignorar, igualmente, o impacto da passagem para a reserva. Para muitos, a carreira policial constitui não apenas uma profissão, mas a própria identidade. O afastamento das atividades operacionais pode gerar sentimentos de perda de propósito, inutilidade e desamparo emocional.

Diante desse cenário, é imperativo que as instituições de segurança pública avancem na implementação de políticas estruturadas e permanentes de atenção à saúde mental. O acompanhamento psicológico contínuo, a criação de ambientes institucionais acolhedores e a desconstrução do estigma em torno do sofrimento psíquico são medidas urgentes e inadiáveis.

Mais do que isso, é necessário fomentar uma cultura de cuidado mútuo, na qual o companheiro de farda não seja apenas um colega de missão, mas também um ponto de apoio nos momentos de fragilidade. O olhar atento, a escuta sensível e a solidariedade podem, muitas vezes, representar a diferença entre o desespero e a esperança.

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O suicídio de um policial não é apenas uma perda individual ou familiar — é uma ferida institucional e social. Cada vida perdida representa um alerta que não pode ser ignorado.

Cuidar de quem protege é, antes de tudo, um dever moral. É reconhecer que a verdadeira força não reside na negação da dor, mas na coragem de enfrentá-la e, sobretudo, na humildade de buscar ajuda.

Somente assim poderemos construir instituições mais humanas, mais justas e verdadeiramente comprometidas com a vida — inclusive a daqueles que juraram defendê-la.

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*Cel. Veterano da PMMA; Presidente das Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal; Presidente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares; Especialização em Gestão Estratégica e em Defesa Social; Especialização em Cidadania, Direitos Humanos e Gestão da Segurança Pública; Bacharel em Direito e História Licenciatura. Possuidor de todos os cursos regulares da corporação: Formação de Oficiais; Aperfeiçoamento de Oficiais e Superior de Polícia._

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José vicente da silva filhoHá 3 semanas atrásSão Paulo, SPO Coronel Furtado expõe com sua competente análise esse grande drama de nossas polícias. Tenho observado ao longo do tempo em pesquisa recente na PM paulista que há um problema pouco tratado: os policiais da base não são tratados com a devida atenção e respeito dentro de sua instituição, o que constitui fator de estressamento até mais relevante do que as agruras do trabalho policial. José vicente da silva filho, coronel reformado da PM/SP, mestre em psicologia pela USP
Cel PM Wilton RibeiroHá 5 meses atrásRJCaro Cel Furtado, a pressão física e psicológica sofrida pelo Policial Militar no cumprimento de sua missão constitucional é quase única no rol de outras profissões e papéis sociais. Chega a tal ponto que a fuga pela destruição da própria vida acaba sendo sua única certeza na busca de um momento de paz. Infelizmente essa situação está se alastrando como fogo em palha seca. O que antes atingia Polícias em áreas mais críticas como PMERJ e PMSP hoje já se apresenta como um fenômeno nacional. Triste
AMARILIO MELOHá 5 meses atrásFortaleza-ceaeaMeu Caro Carlos Furtado, saiba que voce é um verdadeiro cientista a estudar e pesquisar profundamente o verdadeiro "FENÔMENO DO SABER VIVER E SOBREVIVER DOS POLICIAIS BRASILEIROS", que realmente merece atenção de diferentes niveis de governos e gestores das "políticas públicas de segurança pública brasileira! "
Amarilio MeloHá 5 meses atrásFortaleza - CearaRealmente sua avaliação conjuntural sobre policiais militares que se dedicam integralmente ao trabalho e passam por situações que precisam ter uma atenção dos gestores em busca de soluções...portanto todos que fazem parte da sociedade brasileira compreendam o grande sacrifício de proficionais da segurança pública!
Joaidson Torres de Albuquerque Há 5 meses atrásPalmas-TO Ao Autor, que admiro por sua persistente busca de qualidade na segurança pública do Maranhão e do Brasil, meus cumprimentos tos por este brilhante e reflexivo texto, que traduz a ansiedade de todos os que estamos em meio tão frágil mas,que tem que se mostrar forte sempre. Este paradoxo, gera muitas consequências, entre elas a abordada Parabéns Confrade Carlos Furtado!!!
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