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O SUICÍDIO NO MEIO POLICIAL: SILÊNCIO, DOR E A URGÊNCIA DO CUIDADO

Cel Carlos Furtado é convidado da Academia Poética Brasileira.

22/03/2026 às 03h35 Atualizada em 22/03/2026 às 03h42
Por: Mhario Lincoln Fonte: Cel Carlos Furtado (autor).
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Cel. Carlos Furtado
Cel. Carlos Furtado

Por Carlos Furtado*

A sociedade, em sua legítima expectativa por segurança, deposita sobre os ombros do policial a missão de proteger, servir e, não raras vezes, sacrificar-se. Entretanto, por trás da farda que simboliza autoridade, coragem e disciplina, habita um ser humano sujeito às mesmas fragilidades, angústias e dores que qualquer outro cidadão.

O suicídio no meio policial não pode ser compreendido como um evento isolado ou fruto de uma única causa. Trata-se de um fenômeno complexo, que resulta da confluência de fatores emocionais, profissionais, sociais e institucionais, muitas vezes silenciosamente acumulados ao longo dos anos.

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A rotina policial é marcada pela exposição contínua à violência, ao risco iminente e ao contato frequente com o sofrimento humano. Essa vivência, quando não devidamente elaborada, pode desencadear quadros como Depressão, Ansiedade e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, comprometendo progressivamente a saúde mental do profissional.

Some-se a isso uma cultura institucional que, historicamente, valorizou a rigidez emocional e a aparente invulnerabilidade. Em muitos casos, admitir fragilidade ainda é visto como sinal de fraqueza, o que leva inúmeros policiais a silenciarem suas dores, evitando buscar ajuda por receio de julgamento ou prejuízo na carreira.

Outro aspecto relevante é o fácil acesso a meios letais, inerente à própria natureza da profissão, o que potencializa o risco em momentos de crise. Paralelamente, questões pessoais — como conflitos familiares, dificuldades financeiras e o isolamento social — podem agravar ainda mais o quadro.

Não se pode ignorar, igualmente, o impacto da passagem para a reserva. Para muitos, a carreira policial constitui não apenas uma profissão, mas a própria identidade. O afastamento das atividades operacionais pode gerar sentimentos de perda de propósito, inutilidade e desamparo emocional.

Diante desse cenário, é imperativo que as instituições de segurança pública avancem na implementação de políticas estruturadas e permanentes de atenção à saúde mental. O acompanhamento psicológico contínuo, a criação de ambientes institucionais acolhedores e a desconstrução do estigma em torno do sofrimento psíquico são medidas urgentes e inadiáveis.

Mais do que isso, é necessário fomentar uma cultura de cuidado mútuo, na qual o companheiro de farda não seja apenas um colega de missão, mas também um ponto de apoio nos momentos de fragilidade. O olhar atento, a escuta sensível e a solidariedade podem, muitas vezes, representar a diferença entre o desespero e a esperança.

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O suicídio de um policial não é apenas uma perda individual ou familiar — é uma ferida institucional e social. Cada vida perdida representa um alerta que não pode ser ignorado.

Cuidar de quem protege é, antes de tudo, um dever moral. É reconhecer que a verdadeira força não reside na negação da dor, mas na coragem de enfrentá-la e, sobretudo, na humildade de buscar ajuda.

Somente assim poderemos construir instituições mais humanas, mais justas e verdadeiramente comprometidas com a vida — inclusive a daqueles que juraram defendê-la.

——————————
*Cel. Veterano da PMMA; Presidente das Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal; Presidente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares; Especialização em Gestão Estratégica e em Defesa Social; Especialização em Cidadania, Direitos Humanos e Gestão da Segurança Pública; Bacharel em Direito e História Licenciatura. Possuidor de todos os cursos regulares da corporação: Formação de Oficiais; Aperfeiçoamento de Oficiais e Superior de Polícia._

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Cel PM Wilton RibeiroHá 2 meses RJCaro Cel Furtado, a pressão física e psicológica sofrida pelo Policial Militar no cumprimento de sua missão constitucional é quase única no rol de outras profissões e papéis sociais. Chega a tal ponto que a fuga pela destruição da própria vida acaba sendo sua única certeza na busca de um momento de paz. Infelizmente essa situação está se alastrando como fogo em palha seca. O que antes atingia Polícias em áreas mais críticas como PMERJ e PMSP hoje já se apresenta como um fenômeno nacional. Triste
AMARILIO MELOHá 2 meses Fortaleza-ceaeaMeu Caro Carlos Furtado, saiba que voce é um verdadeiro cientista a estudar e pesquisar profundamente o verdadeiro "FENÔMENO DO SABER VIVER E SOBREVIVER DOS POLICIAIS BRASILEIROS", que realmente merece atenção de diferentes niveis de governos e gestores das "políticas públicas de segurança pública brasileira! "
Amarilio MeloHá 2 meses Fortaleza - CearaRealmente sua avaliação conjuntural sobre policiais militares que se dedicam integralmente ao trabalho e passam por situações que precisam ter uma atenção dos gestores em busca de soluções...portanto todos que fazem parte da sociedade brasileira compreendam o grande sacrifício de proficionais da segurança pública!
Joaidson Torres de Albuquerque Há 2 meses Palmas-TO Ao Autor, que admiro por sua persistente busca de qualidade na segurança pública do Maranhão e do Brasil, meus cumprimentos tos por este brilhante e reflexivo texto, que traduz a ansiedade de todos os que estamos em meio tão frágil mas,que tem que se mostrar forte sempre. Este paradoxo, gera muitas consequências, entre elas a abordada Parabéns Confrade Carlos Furtado!!!
JAIME Há 2 meses BSB-DFTexto atualizado para o momento difícil em que vivemos.
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