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SEGUNDA POÉTICA faz homenagem ao Cordel Brasileiro, com Esmeralda Costa

Esmeralda Costa é da Academia Poética Brasileira e titular da coluna “Cordel Brasileiro”.

06/04/2026 às 13h26 Atualizada em 06/04/2026 às 14h14
Por: Mhario Lincoln Fonte: Esmeralda Costa
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Esmeralda Costa, editora da coluna “Cordel Brasileiro”
Esmeralda Costa, editora da coluna “Cordel Brasileiro”

NOTA DO EDITOR: A participação da colunista, cordelista e escritora Esmeralda Costa na Segunda Poética ganha peso especial porque não se limita à presença autoral: ela abre uma página inteira para lembrar alguns dos grandes cordelistas brasileiros e, com isso, reposiciona o cordel no lugar que ele merece dentro da cultura escrita do país. A homenagem da Plataforma Nacional do Facetubes acerta ao tratar essa tradição não como peça de nostalgia, mas como linguagem viva, popular e formadora de memória. Foi nas feiras livres, nos livretos pendurados, na voz dos vendedores, no humor, na denúncia e na invenção verbal que o cordel ajudou o povo nordestino a narrar o Brasil com autonomia.

Esse valor não ficou restrito ao território nacional. A literatura de cordel foi registrada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil em 19 de setembro de 2018, reconhecimento que consolidou oficialmente sua importância histórica, social e artística. No plano internacional, nomes como J. Borges ajudaram a projetar essa tradição para fora do país: o artista pernambucano recebeu distinção da UNESCO na categoria Ação Educativa/Cultural e foi reconhecido também como Patrimônio Vivo de Pernambuco. Sua obra, ligada ao cordel e à xilogravura, já circulou em exposições e espaços culturais internacionais, reforçando a força visual e narrativa desse gênero.

Também no campo acadêmico o cordel ultrapassou fronteiras. O pesquisador norte-americano Mark J. Curran, professor da Arizona State University, tornou-se uma das principais referências estrangeiras no estudo do gênero, especialmente com o livro Retrato do Brasil em cordel, dedicado a mostrar como esses folhetos traduzem valores, conflitos, religiosidade e costumes brasileiros. Quando a Segunda Poética abre espaço para esse universo, não apenas homenageia poetas tradicionais. Ela afirma que o cordel brasileiro saiu das bancas populares, entrou nas instituições, alcançou universidades, ganhou leitura internacional e continua sendo uma das formas mais claras de o povo falar de si mesmo com ritmo, ironia e verdade. É isso que torna esta edição singular hoje: ela entende que valorizar o cordel é valorizar uma das vozes mais legítimas da cultura brasileira. (Mhario Lincoln).

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Segunda Poética com Participação de Membros da Academia Cearense de Literatura de Cordel 

A Força da Mulher Campossalense
Esmeralda Costa

Peço ao Supremo Poeta
A divina inspiração
Para escrever um cordel
Com rima e com oração
Para exaltar a mulher
Seu exemplo e profissão.

A mulher campossalense
Ela é verso e poesia
E quando canta ela traz
A mais doce melodia
Com sua força ela inspira
Dia e noite, noite e dia.

Seu verso vem da grandeza
Do seu coração materno
Que se doa pelo filho
Com amor puro e eterno
Segue o exemplo de Maria
A mãe de Deus Sempiterno.

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O Bom Deus é testemunha
Da força dessa mulher
Enfrentando os desafios
Que a nossa história requer
Mostrando que o seu lugar
Ela faz onde quiser.

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https://cantinhopo.blogspot.com/2026/03/a-forca-da-mulher-campossalense.html

 

João Rodrigues 

Retratos da Humanidade

João Rodrigues 

Certa noite, na calçada
Eu vi despontar a lua
Toda banhada de prata
Sem pudor e toda nua
Aquilo foi um convite
Para passear na rua.

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Saí bem despreocupado
Tanto quanto um vagabundo
Daqueles que nunca pensam
Que há problemas no mundo
Queria deixar de pensar
Ao menos por um segundo.

Com a noite me beijando
A lua por companhia
Com as estrelas sorrindo
O vento numa alegria
Sussurrava em meu ouvido
Verso, rima e poesia.

Feito uma folha no vento
Saí andando à vontade
Sem rumo, sem direção
Pelas ruas da cidade
Pois eu queria esquecer
Dos males da humanidade

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https://cantinhopo.blogspot.com/2026/03/retratos-da-humanidade.html

 

Lucivânio Correia .

O Menino Que Sonhou Ser Um Soldado

Lucivânio Correia 

Menino que é menino
Sonha desde o seu nascer
Cresce sonhando em crescer
Para não ser pequenino
E às vezes o seu destino
Prestando muita atenção
Por amor ou compaixão
Transforma o sonho sonhado
E o sonho realizado
Às vezes é profissão

Sinais do tempo ou não
Me lembro eu era criança
Já fazia a segurança
Brinquei, polícia e ladrão
Eu não era o capitão
Mas servia dedicado
Prendia os cabra safado
Que se metia a gabola
No pátio da minha escola
Eu brinquei de ser Soldado

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Kênia Diógenes.

AS GUARDIÃS DO FUTURO

Kênia Diógenes

Eu cumpria o meu dever
A casa quase arrumada
Quando coisa desvairada
Veio então me acontecer
Espero que possa crer
Em história tão medonha
Não quero ser enfadonha
No que venho a relatar
Sugiro me acompanhar
Se gostar, então disponha.

Quando da primeira vez
Que tal fato aconteceu:
“- Tô maluca!”, pensei eu.
“Agora endoidei, talvez?”
Um barulho assim se fez
Junto com a ventania
E não mais reconhecia
O local em que me achava
Deus do céu! Onde eu estava?
Era no que eu refletia.

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Josenir Lacerda

Certas Dores

Josenir Lacerda

Pra certos tipos de dores
Não tem cura, nem remédio
Germina rancor e tédio
Onde brotavam amores
O que eram brilhos e cores
Vem o cinza e contagia
Prende o sonho e a utopia
Seca o balão da vontade
Ante a dura realidade
Queda enferma a fantasia.

A dor que não é da gente
Mas de alguém que a gente ama
Coração sofre, reclama
Enfraquecido e carente
Busca um norte, reticente
Mas resposta não consegue
Descrente e confuso segue
Magoado então vagueia
E na escuridão tateia
Ao cansaço quase entregue

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https://cantinhopo.blogspot.com/2026/03/certas-dores.html

 

Pedro Sampaio. 

Gonzaguinha Oitentão É..Tema da Procissão.

Pedro Sampaio 

A Procissão das Sanfonas
É xodó em Teresina 
Gente de todas as zonas 
Enfeitando cada esquina 
Reunindo tradição 
Memória do Gonzagão 
Pura essência nordestina.

São dezessete edições 
Essa marca é alcançada 
Patrimônio anotações 
Da cultura declarada 
Com marco imaterial  
Lá na esfera estadual
Fez a lei ser aprovada.

Procissão é um exemplo 
Resistente do Nordeste
Do Baião já virou templo 
Isso é fato inconteste 
Conquistou muitos espaços 
Sanfoneiros criam laços 
Como bons "Cabra da Peste". 

P.P.M premiada 
A classe, foi Som de Rua
Nesse prêmio consagrada 
E com garra continua 
Sendo bem reconhecida 
Na conquista concebida 
A Colônia "senta a pua". 

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https://cantinhopo.blogspot.com/2026/03/gonzaguinha-oitentao-e-tema-da-procissao.html

 

 

Auri Lopes

Guias da Liberdade 

Auri Lopes

Muita gente segue perguntando
“Violência doméstica, o que seria? “
Pois respondo esse caso de porfia
Calmamente cada ponto explicando
Cada ação ou omissão se baseando
No gênero feminino que vier
Causar morte ou lesão numa mulher
Sofrimento físico ou sexual
Psicológico ou de dano moral 
Ou no patrimonial que lhe provier


A violência que mais se evidencia
Pelo ato extremo da agressão
Que extrapola os limites da razão
Causando sempre  muita dor e agonia
A integridade aqui perde seu guia
Com a conduta que traz o espancamento
O alicerce do abuso e sofrimento
chegando ao cume da agressão corporal
Deixa registro do quanto esse sinal
Aponta os riscos do relacionamento

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https://cantinhopo.blogspot.com/2023/03/os-guias-da-liberdade.html

 

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Apolonio AraujoHá 2 meses Rio de JaneiroA nossa querida Colonista, rendo todas as omenagens, pela sua luta e grandeza levando a todos alegria e a força da mulher cordelista, empenhada em divulgar, dignificar esta página tão rica de nossa cultura. Parabéns, poetiza pela sua grandeza e responsabilidade com que desenvolve o seu trabalho. Muito obrigado, siga enfrente voce tem muito potencial para nós mostrar. Abraço.
Lindicássia Nascimento Há 2 meses Barbalha-CE Parabéns à colunista pela rica matéria, que apresenta uma valiosa diversidade de poetas cordelistas da Academia Cearense de Literatura de Cordel. Esmeralda, a cada publicação, surpreende pelo dinamismo e sensibilidade na escolha de temas tão pertinentes ao momento. A ACLC segue em evidência, e, com isso, todo o coletivo conquista o merecido reconhecimento. Parabéns à colunista e a todos os participantes.
JOAQUIM FURTADO DA SILVAHá 2 meses MACAPÁ-APEu adorei ler, poetisa Esmeralda. BELA MANEIRA DE RESUMIR CADA TRABALHO, com os links para continuação.
Lucivânio CorreiaHá 2 meses Juazeiro do NorteCada força que se soma àquela que o Cordel emana, será sempre bem-vinda. Rendo graças aos responsáveis pela Plataforma Nacional do Facetubes e a minha querida amiga Poetisa Esmeralda Costa que tem amplificado a voz do Cordel através de suas ricas matérias sobre o tema na coluna Cordel Brasileiro.
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