
Cel Carlos Furtado
O anfitrião, Cap Fonseca, preparou tudo com esmero singular. Nada faltou. Das bebidas — cerveja, whisky e vinho — às iguarias fartamente dispostas à mesa — carneiro, porco e galinha — tudo foi pensado com o máximo zelo para receber amigos e convidados em seu sítio, na aprazível Raposa, em clima de plena liberalidade e alegria.
Ao som de boa música, foram chegando, pouco a pouco, coronéis, tenentes-coronéis, majores, capitães, tenentes, sargentos, cabos e soldados. Naquele ambiente fraterno, viveu-se um momento ímpar: companheiros de caserna reunidos, unidos e irmanados pelo elo da amizade construída ao longo dos anos de serviço prestado neste grandioso Estado do Maranhão.
Sob o signo permanente da hierarquia e da disciplina — sempre presentes de forma salutar — oficiais e praças se saudavam cordialmente à medida que chegavam, muitos já acompanhados de suas famílias e, em grande parte, integrando hoje a reserva remunerada. O respeito mútuo, a camaradagem e a alegria eram visíveis em cada gesto.
Foto 01: Cel. Furtado, Cap. Maia. Ten. Ferraz, Cap. Fonseca, Cel. Silva Filho, integrantes da turma CFS/1981
Vieram então as lembranças. Recordaram-se causos e fatos vivenciados na lida policial-militar. Alguns relatos despertavam saudade, sobretudo pelos muitos companheiros que já partiram para outro plano espiritual. Outros arrancavam risos espontâneos. Houve ainda memórias complexas, próprias das agruras e desafios da vida policial. Contudo, todas elas reafirmavam uma certeza comum: tudo valeu a pena.
Porque, embora a farda repouse nos armários, a pele, o espírito policial-militar, o tirocínio, a destreza e a vocação permanecem vivos, latentes na alma de cada um daqueles homens que um dia juraram servir e proteger.
Assim transcorreram as comemorações do aniversário do Cap Fonseca e de sua filha Yasmin. Ele, amigo querido, com quem tivemos o privilégio de ingressar na gloriosa Polícia Militar do Maranhão, transpondo os umbrais do Corpo da Guarda do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), de joelhos, em 05 de março de 1981 — data que ficou para sempre gravada em nossas mentes e em nossos corações.
Como bem comentou um dos presentes: “Graças a Deus, desta vez nos reunimos não para velar um companheiro, como tantas vezes temos feito nos últimos tempos, mas para relembrar os bons momentos vividos e abraçar um amigo por ocasião do seu natalício.”
E nessa frase simples, porém profunda, resumiu-se a grandeza daquele encontro: celebrar a vida, a amizade e a memória de uma geração honrada.
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