Plataforma Nacional do Facetubes — Editoria de Literatura e Arte
O Maranhão conquistou o primeiro e o segundo lugares na categoria Poesia do "I Concurso Literário da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil — AJEB Nacional". A edição de 2026 adotou o tema “Inclusão Social” e recebeu trabalhos de escritoras vinculadas às coordenadorias da entidade no Brasil e no exterior.
Maria Luiza Catanhêde Gomes, (Vice-presidente regional da APB-PI) conhecida no meio literário como Luiza Cantanhêde, venceu com o poema O Menino da Última Carteira. Sharlene Serra (Academia Poética Brasileira, seccional DF), ficou em segundo lugar com Antes do Nome que Deram. A cearense Fátima Duarte recebeu o terceiro lugar pelo poema A Cadeira Vazia. O resultado colocou duas representantes da AJEB Maranhão e da Academia Poética Brasileira, nas primeiras posições da categoria.
O concurso foi criado para estimular a produção literária feminina e a reflexão sobre pessoas e grupos expostos a barreiras sociais. O edital mencionou pessoas com deficiência, idosos, mulheres e povos originários. Foram aceitos poemas, contos e crônicas inéditos. A comissão julgadora considerou originalidade, criatividade, adequação ao tema, qualidade literária, coerência textual e revisão da escrita. As vencedoras receberão medalhas, certificados, livros e publicação na Revista Literária da AJEB Nacional.
A importância institucional da premiação decorre da abrangência da AJEB. A associação foi fundada em 8 de abril de 1970, em Curitiba, pela jornalista e escritora Hellê Vellozo Fernandes. A entidade mantém coordenadorias em mais de 20 estados e informa possuir mais de 700 associadas. Sua atuação reúne publicações, encontros, antologias, saraus e ações destinadas à circulação da produção de mulheres jornalistas e escritoras.
A cerimônia está marcada para 9 de setembro de 2026, durante a participação da AJEB no Espaço Leia da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A Bienal ocorrerá de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi. A presença das vencedoras nesse espaço amplia a circulação dos textos e aproxima a produção maranhense de editoras, leitores, pesquisadores e entidades literárias de diferentes regiões.
Vale acrescentar: Luiza Cantanhêde, natural de Santa Inês, no Maranhão, e radicada em Teresina desde 1983, construiu uma obra ligada à memória familiar, ao cotidiano, às desigualdades e à vida das populações afastadas dos centros de decisão. Publicou livros como Palafitas, Amanhã, serei uma flor insana e Pequeno ensaio amoroso. Recebeu menções em concursos da União Brasileira de Escritores, o Prêmio Destaque Nordeste e o primeiro lugar em Poesia no Prêmio Nacional Off Flip — Edição Nordeste de 2023.
Sharlene Serra atua como escritora, poeta, pedagoga e educadora ligada à Educação Inclusiva. É autora da Coleção Incluir (logo virá surpresa por aí), e desenvolve atividades de leitura, escrita e formação destinadas ao público infantojuvenil. Também preside a Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil, instituição voltada para crianças e adolescentes de 9 a 16 anos, com ações de leitura, escrita criativa e estímulo à autoria.
O tema escolhido pela AJEB encontra base na Constituição Federal. O artigo 3º estabelece como objetivos da República a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades e a promoção do bem de todos sem discriminações de origem, raça, sexo, cor ou idade. A inclusão social, nesse sentido, envolve acesso à educação, trabalho, cultura, renda, informação, mobilidade e participação nas decisões da sociedade.
Entre as normas brasileiras está a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei nº 13.146, de 2015. O texto assegura igualdade de oportunidades, acessibilidade, educação, trabalho, cultura, comunicação e participação social. A lei determina que ambientes públicos e privados eliminem barreiras físicas, comunicacionais, tecnológicas e de comportamento que impeçam o exercício de direitos.
Assim, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB, uma organizações da sociedade civil, demonstra coragem e dinamismo ao instituir um concurso de elevada importância como esse, que atraiu dezenas de poetas, escritoras e contistas do Brasil. Esse tema veio integrar, além da área específica AJEB, o exército de brasileiros que lutam na Coalizão Brasileira pela Educação Inclusiva, rede formada por mais de 30 organizações.
Desta forma, o concurso da AJEB insere a literatura nesse processo. Claro que texto literário não substitui a lei, a escola, a política social ou o investimento público. Mas - e sobretudo - registra experiências, apresenta personagens geralmente afastados das narrativas centrais e leva o leitor a reconhecer situações que aparecem nas salas de aula, nas famílias, no trabalho e nas cidades.
Desta forma, as conquistas de Luiza Cantanhêde e Sharlene Serra merecem aplausos, não só pela página escrita, mas por essa luta insana (algumas vezes) de sempre pertencer aos debates, aos circulos de discussão, ao meio onde o tema "inclusão social", está inserido. Duas escritoras maranhenses que tratam essa inclusão como matéria literária e mais que isso, uma, insere-se na prática; outra integraliza-se totalmente com o tema, nas lides educacionais do país.
Ouvido, o jornalista Mhario Lincoln, presidente da Academia Poética Brasileira (entidade a que as duas pertencem), e editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes, disse: "o resultado leva ao espaço nacional uma produção vinculada ao Maranhão e coloca a poesia diante de uma questão objetiva: ninguém participa plenamente da sociedade quando encontra barreiras para estudar, trabalhar, ler, comunicar-se ou ser reconhecido pelo próprio nome. Parabéns portanto às nossas confreiras por tão honrado mérito".
--------------------------
Fontes consultadas: AJEB Nacional; edital do I Concurso Literário da AJEB; Câmara Brasileira do Livro; Bienal Internacional do Livro de São Paulo; Constituição Federal; Presidência da República; Ministério da Educação; Ministério do Trabalho e Emprego; Inep; Instituto Rodrigo Mendes; Fundação Dorina Nowill; CUFA; Gerando Falcões e acervo da Plataforma Nacional do Facetubes.
EXCLUSIVO Roque Pires Macatrão: “Partida e adeus”. De Claudio Pavão Santana
DIA DO CORDELISTA Salve 1º de Agosto – Dia do Poeta Cordelista: Guardião da Memória, da Cultura e da Palavra em Versos
80 ANOS “Oitenta anos e a Maré da Esperança”. Natalino Salgado Filho.
Cordel Brasileiro Literatura de Cordel: A Tradição Que Aprendeu a Dialogar Com o Futuro
Dia do Escritor Sem “blá-blá-blá”, a realidade é essa: o Brasil publica muito, vende para poucos e ainda lê abaixo de seu potencial
SAÚDE MENTAL Dr. RUY PALHANO: “Quando a existência deixa de ser rotina e se transforma em revelação” Mín. 14° Máx. 28°
Mín. 15° Máx. 23°
Tempo nubladoMín. 14° Máx. 25°
Parcialmente nublado
ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA Programa de estreia em rede internacional: USA, América Latina e Caribe, com Chiquinho França
Coronel Carlos Furtado “Os Muros que ensinam a Sonhar”, por Cel. CARLOS FURTADO
Coluna de RUY PALHANO Dr. Ruy Palhano: “Implicações biológicas e psicossociais do choro humano”
Renata Barcellos “Feiras literárias”, por Renata Barcellos (BarcellArtes)