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Grandes Livros EXCLUSIVO

Quais as cidades inseridas em grandes romances que ultrapassaram seus limites estáticos e estéticos?

Lembram de “Santa Fé”, “Antares”, “Tocaia Grande”, “Manarairema”, “Duas Pontes” e “Vila Velha”? Essas, são provavelmente as que alcançaram maior autonomia simbólica dentro da crítica literária nacional. E São Luís?

14/07/2026 11h00 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes
Uma possível Macondo. (GINAIFT).
Uma possível Macondo. (GINAIFT).

Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln.

Macondo, criada pelo colombiano Gabriel García Márquez, e Sucupira, concebida por Dias Gomes, em "O Bem Amado", transformaram-se em espaços simbólicos; verdadeiras cidades imaginárias que ultrapassaram suas obras e passaram a representar sociedades inteiras. 

Na literatura brasileira, algumas criações alcançaram importância semelhante. A Plataforma Nacional do Facetubes foi a campo para apurar quais as cidades do imaginário popular mais se destacaram no Brasil. Porém, há de se observar que a relação abaixo não constitui uma classificação matemática de popularidade, mas reúne cidades ficcionais presentes em romances consagrados, estudos acadêmicos, adaptações e resenhas críticas.

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Vale destacar, no entretanto, que entre essas criações, Santa Fé, Antares, Tocaia Grande, Manarairema, Duas Pontes e Vila Velha são provavelmente as que alcançaram maior autonomia simbólica dentro da crítica literária porque elas não funcionam apenas como cenários. São personagens coletivas, com história, memória, conflitos, hierarquias e personalidade própria.

Mas vamos à lista:

 

Capa.

1. Santa Fé

Autor: Erico Verissimo
Obra: O Tempo e o Vento

A trilogia acompanha cerca de dois séculos da formação histórica do Rio Grande do Sul por meio das famílias Terra, Cambará e Amaral. Santa Fé cresce de povoado a cidade enquanto enfrenta guerras, revoluções, disputas políticas e transformações econômicas.
Personagens como Ana Terra, Bibiana e o capitão Rodrigo representam diferentes forças envolvidas na construção daquela sociedade. A cidade converte-se em síntese ficcional do Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, em representação da própria formação brasileira.

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Capa.

2. Antares

Autor: Erico Verissimo
Obra: Incidente em Antares

O romance reconstrói inicialmente a formação política de Antares, marcada pela rivalidade entre duas famílias oligárquicas. Durante uma greve geral, sete mortos ficam sem sepultura porque os trabalhadores do cemitério interrompem suas atividades.
Os cadáveres levantam-se, dirigem-se à praça e revelam crimes, mentiras e segredos dos cidadãos considerados respeitáveis. A cidade funciona como microcosmo do Brasil autoritário, expondo corrupção, desigualdade, repressão política e hipocrisia social.

 

Capa.

3. Tocaia Grande — oficialmente Irisópolis

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Autor: Jorge Amado
Obra: Tocaia Grande: a Face Obscura

O romance narra o surgimento de um povoado construído no lugar onde anteriormente ocorrera uma emboscada sangrenta. Tropeiros, prostitutas, comerciantes, trabalhadores negros, árabes e sertanejos participam da formação espontânea da comunidade.
O crescimento da cidade é atravessado pelo coronelismo, pela disputa de terras e pela violência dos grandes proprietários. Ao contar a origem de Irisópolis, Jorge Amado oferece uma versão popular da História, observada pelo lado dos vencidos e marginalizados.

 

Capa.

4. Sant’Ana do Agreste

Autor: Jorge Amado
Obra: Tieta do Agreste

Tieta é expulsa de Sant’Ana do Agreste pelo pai, após ser acusada pela irmã Perpétua de comportamento considerado escandaloso. Vinte e seis anos depois, retorna rica, poderosa e cercada por uma imagem de respeitabilidade construída em São Paulo.
Sua presença desorganiza a moral conservadora da cidade e revela os interesses, desejos ocultos e contradições dos moradores. O romance confronta tradição e modernização, discutindo liberdade feminina, moral religiosa, exploração econômica e preservação ambiental.

 

Capa.

5. Manarairema

Autor: José J. Veiga
Obra: A Hora dos Ruminantes

Manarairema é uma comunidade pacata cuja rotina muda quando homens misteriosos instalam um acampamento do outro lado do rio. Sem explicar suas intenções, os forasteiros passam gradualmente a controlar os moradores e a impor uma atmosfera de medo.
A cidade também sofre invasões insólitas de cachorros e bois, que ocupam as ruas e paralisam a vida cotidiana. O fantástico transforma-se em alegoria da submissão coletiva, da perda da liberdade e dos mecanismos utilizados pelos regimes autoritários.

 

Capa.

6. Vila dos Confins

Autor: Mário Palmério
Obra: Vila dos Confins

O romance acompanha a primeira eleição municipal realizada após a emancipação política de uma pequena comunidade do sertão brasileiro. O deputado Paulo Santos apoia uma candidatura de oposição contra o grupo controlado pelo coronel Chico Belo.
Compra de votos, intimidação, violência, troca de favores e manipulação eleitoral determinam o funcionamento da política local. A Vila dos Confins torna-se uma representação duradoura do coronelismo e das deformações históricas da democracia brasileira.

 

 

Capa.

7. Lagoa Branca

Autor: Josué Guimarães
Obra: Os Tambores Silenciosos

Em 1936, Lagoa Branca é governada pelo autoritário coronel Cândido Braga, que deseja apresentar a cidade como um lugar perfeito. Para sustentar essa aparência, ele censura jornais, controla informações, persegue adversários e interfere na vida dos moradores.
Sete irmãs observam os acontecimentos enquanto misteriosos pássaros negros começam a surgir sobre a cidade. A narrativa utiliza humor, alegoria e elementos fantásticos para denunciar a censura, o fascismo e a fabricação política de uma falsa normalidade.

 

Capa.

8. Abarama

Autor: Josué Guimarães
Obra: Depois do Último Trem

Eduardo retorna a Abarama depois de muitos anos e encontra sua cidade natal praticamente abandonada. Uma barragem deverá inundar toda a região, obrigando os moradores a deixar casas, ruas e lembranças familiares.
Entre construções vazias e habitantes sem perspectivas, o protagonista confronta perdas pessoais e histórias que permaneceram inacabadas. A cidade condenada ao desaparecimento transforma-se em símbolo da memória, da passagem do tempo e da impotência diante do chamado progresso.

 

Capa.

9. Vila Velha

Autor: Lúcio Cardoso
Obra: Crônica da Casa Assassinada

Na fictícia Vila Velha, a tradicional família Meneses vive isolada numa chácara marcada pela decadência econômica e moral. A chegada de Nina, mulher vinda do Rio de Janeiro, rompe o equilíbrio conservador e desperta paixões, ciúmes e ressentimentos.
Cartas, depoimentos, confissões e diários recompõem de maneira fragmentada a destruição da família e de sua casa. A cidade e a propriedade representam a ruína de uma aristocracia patriarcal, escravista e incapaz de conviver com a transformação social.

 

Capa.

10. Duas Pontes

Autor: Autran Dourado
Obra: O Risco do Bordado

O escritor João da Fonseca Ribeiro retorna a Duas Pontes, cidade de sua infância, depois de uma longa ausência. Pessoas, casas, objetos e episódios cotidianos despertam recordações fragmentadas de sua formação afetiva e intelectual. O personagem revisita descobertas relacionadas à sexualidade, à morte, às relações familiares, à amizade e à própria literatura. Duas Pontes torna-se uma geografia permanente na obra de Autran Dourado, reunindo memória pessoal, imaginação e decadência do mundo patriarcal mineiro.

 

 

ESPECIAL

Autor: Josué Montello / Obra: Os Tambores de São Luís.

Capa.

Claro que o protagonista é Damião, todos sabem. É nele que se concentra a ação: negro, antigo escravizado e professor já octogenário. Damião funciona como o centro psicológico, histórico e moral do romance.

Mas bem que a cidade de São Luís poderia ser uma 'sub-protagonista' (se é que esse termo existe). São Luís, a capital real do Maranhão, não é apenas o lugar onde a história acontece. A cidade pode ser lida como uma segunda protagonista — ou uma protagonista coletiva, histórica e simbólica. A própria estrutura do livro confirma essa leitura. A ação principal transcorre durante aproximadamente onze horas, entre a noite e a manhã, enquanto Damião atravessa São Luís, saindo do centro em direção à Camboa para acompanhar o nascimento de seu trineto. Ruas, becos, praças, largos, bairros e periferias não aparecem como referências decorativas: cada lugar desperta recordações e abre uma passagem para o passado. A cidade não apenas guarda a memória de Damião; ela provoca essa memória.

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