Gerude: dos tambores de Codó à construção de uma obra musical significativa
No VICEVERSA, o compositor e intérprete maranhense percorre a infância em Codó, a formação musical, a abertura de espaços para a produção do Maranhão, suas canções, parceiros e o momento em que o compositor passou a ocupar um espaço maior que o cantor.
A trajetória de Gerude atravessa diferentes matrizes da música produzida no Maranhão. Os tambores ouvidos ainda menino em sua cidade natal, convivem em sua memória com Luiz Gonzaga, o bumba-meu-boi, o tambor de mina, o tambor de crioula, o forró, os discos existentes na casa dos pais e, mais tarde, o rock.
Nesta edição do VICEVERSA, Gerude revisita essa formação e fala também sobre rádio, circulação nacional da música maranhense, composições que ganharam outros intérpretes, parceiros de diferentes períodos e uma produção autoral que continua em atividade. Um show ou uma aula de persistência e talento.
01 — MHARIO LINCOLN: Quanto da música que você produz hoje nasceu daquela infância em Codó, entre os tambores, o bumba-meu-boi, o tambor de mina, o tambor de crioula e os primeiros contatos com o baião e o forró?
GERUDE: Minha formação começa praticamente toda em Codó. Aos dez anos tive um contato que ficou para sempre na memória: vi Luiz Gonzaga se apresentar na cidade. A sanfona, a maneira como ele se comunicava com o público, o baião, o xote e o forró me atingiram de imediato. O xote, inclusive, foi um dos primeiros ritmos que usei quando comecei a compor. Ao mesmo tempo, eu crescia ouvindo tambor de mina, tambor de crioula e bumba-meu-boi. Brinquei de boi embaixo de cofo, fazendo miolo, aprendi matraca e pandeiro e frequentei ambientes onde aqueles tambores estavam presentes. Em casa havia outra escola: meu pai gostava muito de música e mantinha uma grande coleção de discos. Ouvíamos de tudo. Depois veio o rock, com Led Zeppelin, Deep Purple, Alice Cooper e outros grupos. Minha formação nasceu dessa soma: os tambores de Codó, a música popular nordestina, os discos de casa e o rock internacional.
02 — MHARIO LINCOLN: Vamos falar de música do Maranhão. Em que momento realmente ela começou a conquistar espaço nas rádios do próprio Estado e quais foram as maiores dificuldades para chegar ao circuito nacional?
GERUDE: Durante muito tempo, a música produzida no Maranhão quase não tocava nas rádios. "Nonato e Seu Conjunto" foi uma das grandes exceções. Era uma banda com repertório próprio, bons músicos e personalidade. Depois houve experiências importantes no rádio, como o trabalho de "César Roberto". A mudança mais forte veio com a Rádio Mirante, que passou a abrir espaço de maneira efetiva para a música maranhense. Em 1983, quando lancei o compacto "Banda do Baixo", minha música virou BG da emissora e começou a tocar muito. Aquilo ajudou a criar outro ambiente e outras rádios passaram também a executar artistas daqui. No plano nacional era diferente. Naquele período, quem quisesse construir uma carreira maior precisava praticamente estar no eixo Rio–São Paulo e permanecer lá. Cláudio Fontana fez isso, Alcione fez seu caminho, depois vieram outros nomes, como Zeca Baleiro e Rita Benneditto. Eu consegui uma circulação maior como compositor. Fui gravado por João Nogueira, Jair Rodrigues, Amelinha e outros intérpretes. Alcione gravou dez músicas minhas. Houve período em que ela fazia shows com três ou quatro composições minhas no repertório. Isso, para um compositor maranhense, teve um significado enorme.
03 — MHARIO LINCOLN: Antes do compositor, houve o menino que cantava, subia aos palcos e descobria o violão. Como nasceu o artista Gerude?
GERUDE: Eu já cantava quando era garoto, em festas escolares e eventos realizados em Codó. Cheguei a subir ao palco ainda criança, primeiro fazendo dublagens e depois cantando de verdade. Mais tarde, no Colégio Salesiano, participei de um teste para ser cantor da banda. Eu conhecia as músicas, tinha ritmo e afinação, e fui escolhido. Passei a cantar nos eventos da escola e até estudei algumas canções em italiano com um padre que tocava piano. O violão apareceu por volta dos 15 anos. Eu já tinha tido algum contato com o instrumento e depois comecei a pegar o violão que havia em casa para tocar com os amigos. Daí para conhecer Sérgio Abib foi um pulo. Ele foi fazer um show em Codó, precisou de um violão e chegou à minha casa. Fui assistir à apresentação e fiquei impressionado com aquele homem sozinho no palco, cantando suas próprias músicas. Anos depois, já em São Luís, reencontrei Sérgio e ele se tornou um dos meus primeiros parceiros. A construção do artista veio assim: ouvindo, cantando, observando e, depois, compondo.
04 — MHARIO LINCOLN: Algumas músicas suas se incorporaram à memória musical do Maranhão. Como nasceram obras como Nação Botequim, Jamaica São Luís e Tempo de Guarnecer?
GERUDE: Nação Botequim nasceu ainda na década de 1980. Eu ia para a casa de amigos, o pessoal jogava baralho e eu ficava com o violão. A música apareceu ali. A primeira letra não me agradava e, depois, encontrei Augusto Tapinha e pedi que me ajudasse. Ele abriu outro caminho para a letra, trabalhamos juntos uma parte e terminei a composição em casa. Nós também fizemos Negrinha Vadia. Já Jamaica São Luís nasceu de uma ideia inicial de Simba Carvalho. Ele trouxe o embrião e eu segui por outro caminho, aproximando São Luís dessa relação histórica com o reggae. Tempo de Guarnecer também foi sendo construída por etapas, até chegar à forma definitiva. Papete gravou, outros intérpretes vieram depois e Alcione transformou a música em título de um de seus trabalhos. Quando uma canção sai da nossa casa, chega a outros intérpretes e o público começa a cantá-la, ela passa a ter uma vida que já não pertence somente ao compositor.
05 — MHARIO LINCOLN: Sua obra também foi construída através de muitas parcerias. Quem foram os nomes decisivos nesse processo e o que cada encontro acrescentou à sua criação?
GERUDE: Meu primeiro grande parceiro foi Jorge Tadeu. Fizemos muitas músicas. Ele tinha uma ousadia muito grande com as palavras e me ensinou uma coisa importante: não bastava pensar a letra, era preciso falar, experimentar, eliminar o que não funcionava. Depois veio Ronald Pinheiro. Nós tocávamos juntos, ele no bandolim e eu no violão, e daí nasceu uma parceria enorme, com centenas de músicas. Sérgio Abib também foi fundamental. Vieram Augusto Tapinha, Nosly, Luiz Lobo, Alex Salen e vários outros. Mais recentemente tenho trabalhado com parceiros como Ronaldo Braga, Eloy Melonio e Sérgio Barbosa. Gosto também de musicar poemas. Muitas vezes a melodia aparece antes da palavra. Hoje chego a registrar melodias assoviando no celular e depois desenvolvo aquilo sozinho ou envio para um parceiro. Tenho muitas músicas ainda guardadas. A parceria, para mim, acrescenta caminhos, sem apagar aquilo que cada compositor traz de sua própria formação.
06 — MHARIO LINCOLN: Você já afirmou que, em determinado momento, “o compositor atropelou o cantor”. Quando percebeu essa mudança?
GERUDE: Houve um período em que eu estava compondo muito e, ao mesmo tempo, minha voz ficou prejudicada por uma fase de uso de drogas. Passei algum tempo sem conseguir cantar como queria. Como tinha muitas músicas guardadas, comecei a mostrá-las para outros artistas e as gravações foram acontecendo. Quando parei com as drogas, recuperei a voz e voltei a fazer meus shows normalmente. O compositor, naquele momento, já tinha ganhado outra dimensão. Hoje tenho músicas de carnaval, São João, pop, rock, baião, forró, reggae e outras vertentes. Continuo criando praticamente o tempo inteiro. Algumas músicas já nascem com letra; outras aparecem primeiro como melodia, inclusive assoviada e registrada no celular. Tenho muito mais material do que conseguiria gravar sozinho. É nesse sentido que digo que o compositor atropelou o cantor: a produção autoral se tornou maior do que a capacidade de registrar tudo como intérprete.
Perguntas de Gerude
01 — GERUDE: Você, sua mãe Flor de Lys e sua irmã Orquídea tiveram presença marcante no colunismo social maranhense. O que levou à interrupção desse trabalho e ao afastamento de vocês desse cenário?
MHARIO LINCOLN: Muito afetiva tua pergunta meu amigo porque recupera um período importante da nossa história familiar. Na verdade, não houve um rompimento coletivo. Foram ciclos que se encerraram ou tomaram outros caminhos. Minha mãe, Flor de Lys, construiu sua própria história no jornalismo e na televisão, aqui, por mais de 40 anos, a segunda apresentadora mais longeva da história da região. O primeiro é José Raimundo (Maranhão TV), ainda hoje (2026), no ar. Após o falecimento a minha mãe, em 2011, Orquídea deu continuidade a esse trabalho durante muitos anos e continua exercendo a sua profissão (Jornalismo UFMA), através de sua coluna no "Jornal Pequeno". Eu também passei pelo Curso de Jornalismo/UFMa. Sou Radialista (curso de especialização/UFMA), além de ser formado em Direito (com dois livros na área publicados), fato que me levou para a Academia Maranhense de Letras Jurídicas. Como advogado, atuei em várias repartições públicas no Maranhão. Concomitantemente exercia também meu jornalismo. Devo-lhe confessar que o colunismo social (mais de 40 anos em O IMPARCIAL E JORNAL PEQUENO), foi uma grande escola para mim. Aprendi a observar pessoas, comportamentos e acontecimentos. Em determinado momento, meu próprio jornalismo passou a exigir outros caminhos e acabei seguindo o rumo da Literatura, da Arte e da Música, meus velhos e antigos amores. É como se eu tivesse voltado pra casa após longos anos de ausência.
02 — GERUDE: Você começou muito ligado à música, tocou em bandas e desenvolveu a composição, até fazer do jornalismo sua principal atividade profissional. O que determinou essa mudança de caminho, sem que você abandonasse a música?
MHARIO LINCOLN: Exatamente isso, Gerude. Essas atividades sempre caminharam comigo. A música veio primeiro. Toquei bateria, participei do conjuntos (SUPER-5), Conjunto ZéQUITA e vivi intensamente aquele ambiente. Depois surgiu a oportunidade de trabalhar no "Jornal Pequeno". Ingressei por experiência aos 14 anos, quando fiz matérias policiais ao lado do jornalista Eloi Cutrim. O jornalismo foi ocupando espaço, virou profissão e passou a exigir cada vez mais de mim. Contudo, nunca abandonei a música. Fui estudar piano com D. Hermênia. Depois com Dona Zazá. Estudei flauta "doce". Era um viajor e observador atrás de Garrinha, baterista do "Conjunto Nonato". Ficava aos pés do palco olhando toda a apresentação de Garrincha. Depois passei a acompanhar de perto a técnica de João Pedro Borges, nosso grande violonista (sagrado). Sempre tive muita facilidade de ver nos outros e aprender comigo mesmo depois. Passei a compor também. Nesse período participei de vários concursos de música. Tinha muitas músicas escritas. Inclusive uma delas - a primeira - "Ave Mãe do Céu", com Makarra onde gravamos em acetado no estúdio de Arnoud Filho (perto do Palaceta Cristo Rei), canto com a praça dos Amores. Hoje, aos 73 anos, difícil viver sem jornalismo, literatura e música.
03 — GERUDE: O que levou você a deixar o Maranhão e se estabelecer em Curitiba? Foi uma decisão familiar, profissional ou uma busca por novos caminhos no jornalismo e na vida?
MHARIO LINCOLN: Eu havia me aposentado e queria acompanhar o crescimento do meu primeiro neto, então o primeiro neto de toda a família. Minha esposa é paranaense e, depois de viver comigo mais de 26 anos no Maranhão, também desejou ficar mais próxima da mãe, já idosa. Somou-se a isso um convite do então prefeito de Curitiba para prestar serviços ao lado do secretário de Esportes e Lazer, Raul Plasmann. Tudo somou: razões familiares, profissionais e afetivas que acabaram convergindo para a mesma decisão. Aqui, mais que tudo, cresci muito profissionalmente. Ao lado do jornalista João Batista do Lago, que já morava aqui em Curitiba-PR, montamos o "Portal AQUI BRASIL", possivelmente a primeira plataforma informativa audiovisual, com emissora de rádioweb, tvweb e um grande jornal digital de informações. WEB/UHF. Foram 10 anos. Acho que esse trabalho foi pioneiro em reunir rádio, tv e jornal em uma publicação só. Essa experiência me levou a outra ainda maior: a Plataforma Nacional do Facetubes (www.facetubes.com.br). O fato é que esse trabalho atual absorve todo o meu tempo, mas me dá, como resposta, mais de 100 mil acessos mensais no Brasil e fora dele. Isso me deixa muito orgulhoso. Mesmo porque eu batalhei pra me qualificar. Fiz vários cursos, inclusive de Direção de Cinema, em 1 ano (no centro europeu), que me deu amparo para produzir, editar e roteirizar meus vídeos e clips musicais. Fiz curso de Capista e Diagramação Eletrônica (para livros etc), de Harmonia e Compasso, com dois grandes nomes da música internacional. Técnicas de Trilhas para Filmes e Documentários. Li muitos livros técnicos de Robeiro e Técnicas Audiovisuais. Tive que me preparar muito para não perder o rumo das coisas neste mundo que em 10 anos evoluiu 100. E agora, termino até o fim do ano o "Curso de Engenharia de Pomtps", para a produção de músicas profissionais, onde busco entender a grande revolução do século XXI: a linguagem (correta) de Inteligências Artificias Aplicadas e Generativas. Como sempre tive dificuldades para essas coisas, inclusive para entender esse meu possível "talento", tive que batalhar demais para conseguir fazer algo que me desse coragem de publicar. Poeta, músico, compositor etc. Não tive o dom de tudo isso acontecer comigo, desde pequenininho.
04 — GERUDE: Falando em IA, como você avalia as possibilidades que a internet abriu para desenvolver, a distância, seu trabalho jornalístico e cultural, especialmente através do Facetubes?
MHARIO LINCOLN: No meu caso específico, a internet eliminou grande parte das distâncias que antes limitavam o trabalho jornalístico e cultural. Hoje posso estar em Curitiba e publicar um escritor do Maranhão, conversar com um artista ou escritor em outro país. O Marco Neves, em Portugal ou a Fátima Melo, em San Francisco, na California (EUA), por exemplo, e fazer uma obra circular em poucos minutos. A Plataforma Nacional do Facetubes cresceu dentro dessa possibilidade. Hoje, através da tecnologia VPN, a Plataforma amplia espaços para mais de 40 países na Europa, Asia, EUA, América Latina e Caribe e possibilita visibilidade para quem escreve, canta, compõe, pesquisa e produz cultura integrando a equipe do Facetubes. As respostas estão aí. Muitas pessoas divulgadas aqui, hoje tem livros publicados e são chamadas para palestras em vários pontos do país. (Isso é maravilhoso porque não penso em meu umbigo. Nunca pensei. Sempre abri portas, sempre fui muito coletivo e não me arrependo, nem com algumas decepções pelas quais passei). Isso é um fato, caro Gerude!
05 — GERUDE: Depois de mais de duas décadas em Curitiba, você ainda pensa em voltar a morar no Maranhão ou considera que sua vida familiar, profissional e cultural está definitivamente estabelecida no Paraná?
MHARIO LINCOLN: Gerude, tua pergunta é muito generosa e toca numa decisão que mudou minha vida. Minha vinda para Curitiba resultou de várias circunstâncias. Não posso responder, entretanto, em sua plenitude. Mesmo porque, ainda sinto muitas saudades de meu Maranhão. Mesmo com as minhas realizações profissionais em terras curitibanas, onde trabalhei em jornais da cidade, ou do apoio da "Feira do Poeta" à minha música e à poesia, além de uma integração cada vez maior com a vida cultural paranaense. Estou aqui há mais de 20 anos e fui eleito (de forma emocionante pra mim), para o Centro de Letras do Paraná, casa das mais tradicionais, qualificando-se entre os Sodalícios mais respeitados no Brasil. Aqui, lancei quatro livros com grande receptividade. As músicas que lanço via EP tem grandes acolhidas nas emissoras de rádio do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. "Flor de Açucena", por exemplo, com Erasmo Dibel, Wellington Reis e Chiquinho França tocou, no ano passado, 80 vezes só em 1 dia. Isso é acalentador para um nordestino. Tem meu lado afetivo: meus três netos são curitibanos, minha família (dois filhos nascidos em S.Luís, mas que vieram cedo para Curitiba), - todos moram aqui. E mais: minha vida cultural, que só aprofunda - a cada dia - minha ligação com esta cidade. Contudo, em São Luís, onde nasci e me criei, ainda tenho irmãs, primos, sobrinhos, parentes e amigos muito queridos. Por isso, continua sendo minha origem, minha memória e uma presença permanente no meu trabalho.
06 — GERUDE: Olhando o Maranhão de fora, como você avalia hoje a cultura e, principalmente, a música maranhense, incluindo o movimento pela valorização dos artistas, melhores cachês e políticas culturais permanentes?
MHARIO LINCOLN: Sem dúvida, Gerude, essa é uma das perguntas centrais desta conversa porque você conhece essa realidade por dentro. A distância me deu perspectiva, nunca afastamento. O Maranhão continua produzindo músicos, compositores e intérpretes capazes de dialogar com qualquer cenário nacional. O que ainda precisa avançar é a continuidade, a circulação e a valorização profissional. Cachê não é favor. Artista trabalha, estuda, ensaia, investe em equipamento e dedica anos à formação. Por isso vejo com muito respeito (e com meu integral apoio), movimentos que procuram organizar essa discussão de forma coletiva, transparente e sem donos. Especial o SOS Música e Cultura, a mim apresentado pelo meu parceiro musical Chiquinho França. Há anos ele persegue o objetivo de colocar a música do Maranhão em seu verdadeiro pedestal. Aliás, a reportagem sobre esse movimento está publicada aqui no Facetubes: (https://www.facetubes.com.br/noticia/8226/qagora-sim-nos-q-artistas-maranhenses-transformam-uniao-em-movimento-pela-musica-e-pela-cultura).
Destarte, mesmo em Curitiba, continuo fazendo o que está ao meu alcance: abrindo espaços cada vez maiores, estabelecendo conexões e contribuindo para que a música e a cultura do Maranhão - a minha terra e isso me orgulha muito - circulem cada vez mais. Obrigado Gerude por ter aceito essa conversa franca e com muita 'sustança, piqueno'. Você é um entrevistador nato, atento, conhecedor e perspicaz, amigo. ABS.
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