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Como o Machismo e o Patriarcado influíram na criação da Academia Brasileira de Letras

Até hoje muitas mulheres vítimas dos mesmos preconceitos, têm que lutar e dar suas vidas em prol de suas causas.

07/03/2021 às 21h03 Atualizada em 09/03/2021 às 14h14
Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação (Aventuras na História).
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Júlia Lopes de Almeida.
Júlia Lopes de Almeida.

JÚLIA LOPES DE ALMEIDA: A INJUSTA E ESQUECIDA SAGA DA ESCRITORA BRASILEIRA

A autora abolicionista foi impedida de assumir o seu lugar na Academia Brasileira de Letras, contudo, a história teve novos desdobramentos recentemente

Textos escolhidos. (AH): original de Victória Gearini

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Júlia Lopes de Almeida, escritora brasileira - Wikimedia Commons

Fundada em 1897, sob os moldes franceses, a Academia Brasileira de Letras (ABL) contou com a ilustre colaboração da escritora e abolicionista Júlia Lopes de Almeida. Contudo, embora a memorável autora tenha participado de reuniões e contribuído ativamente para a criação da instituição, ela foi esquecida.

Os intelectuais que estava à frente, seguiram as regras da Académie Française de Lettres. Desta forma, os colegas da escritora votaram contra a sua participação no seleto grupo. Renegando o protagonismo e a emancipação feminina, a ABL concedeu um lugar no grupo ao marido da escritora, chamado Filinto de Almeida. Portanto, a cadeira de número 03 passou a ser ocupada pelo seu companheiro, uma vez que a academia não aceitava a participação de mulheres. 

Ideais revolucionários 

Nascida em 24 de setembro de 1862, no Rio de Janeiro, Júlia Lopes de Almeida mudou-se para Campinas ainda criança. Provinda de uma família de portugueses ricos e cultos, aos 19 anos já escrevia para A Gazeta de Campinas, segundo relatou o site Brasil Escola. 

Júlia Lopes de Almeida.

Júlia Lopes de Almeida, escritora brasileira / Crédito: Divulgação / Youtube / tvbrasil

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Criada por uma família liberal, a jovem mudou-se para Lisboa, em 1886, onde publicou a obra Contos infantis, junto de sua irmã, a também escritora Adelina Lopes Vieira. Ainda segundo o site, em Portugal, a escritora conheceu o poeta Filinto de Almeida, com quem acabou se cansando pouco tempo depois. Aos 24 anos, ela publicou a primeira obra para adultos, intitulada Traços e iluminuras. 

Ao retornar para o Brasil, em 1888, ela escreveu alguns romances, contos, crônicas, ensaios e peças teatrais. Considerada uma mulher revolucionária e além do seu tempo, Júlia defendia, ainda, a abolição da escravatura, a proclamação da República e a emancipação dos corpos femininos.  Segundo o site da Editora Darkside, a abolicionista realizou inúmeras palestras ao longo de sua vida, a fim de conscientizar as mulheres sobre seus papéis de emancipação perante a sociedade misógina da época. 

A brasileira tornou-se uma das escritoras mais publicadas durante o período da Primeira República (1889-1930). Tal sucesso lhe rendeu visibilidade e a publicação de diversos artigos e matérias que abordavam direitos iguais entre os gêneros. 

 

Júlia morreu no dia 30 de maio de 1934, no Rio de Janeiro, vítima de malária. A revolucionária nunca viu a justiça ser feita, mas deixou um grande legado para a História.

De acordo com uma matéria do Jornal da USP, a regra de não permitir mulheres na instituição foi mantida até 1977, até que Rachel de Queiroz foi aceita como a primeira escritora feminina a integrar a academia.

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Conforme repercutido pela Editora Darkside, em 2017 a ABL reconheceu a injustiça cometida contra ela. Na época, a autora foi homenageada e incluída como co-fundadora. Assim como a carioca, diversas outras personagens femininas da história nacional e internacional tiveram suas histórias silenciadas e esquecidas ao longo da História.

Vítimas do machismo e patriarcado, muitas tiveram que lutar e dar suas vidas em prol de uma causa. Contudo, cada vez mais, a luta das mulheres tem ganhado força e histórias como a de Júlia são resgatadas e contempladas pelas gerações futuras.

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Uimar JuniorHá 5 anos Sao luis - Ma Acho que ainda não evoluímos suficientemente e ainda estamos brincando de pular cadeiras e sempre bloqueando as cadeiras das mulheres.
Kalil Guimarães Há 5 anos Brasília-DFEsse ranço persiste! A mulher para ocupar uma cadeira não é fácil, não só ABL.
Alcina Maria Silva AzevedoHá 5 anos Campinas SPUm absurdo isso acontecer. Antigamente, o machismo era dominante. E ainda hoje, ainda existe muitos preconceitos contra a mulher. Elas assumem cargos de grande responsabilidade, mas ganhando bem menos do que os homens.
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