
Dilercy Alder
Considero ainda o ano de 1975 ano do verdejar de Maria Firmina, o marco que eu intitulei de o seu “Ano Rosa-de-Jericó”. Essa rosa é também chamada de flor-da-ressurreição por sua impressionante capacidade de “voltar à vida”. As Rosas de Jericó podem ser transportadas por muitos quilômetros pelos ventos, vivendo secas, sem água, mesmo durante muito tempo e, ao encontrarem um lugar úmido, elas afundam raízes na terra e se abrem, voltando a verdejar! (ADLER, 2017, p.65).
Nesse ano, 1975, considerado então o do sesquicentenário do aniversário de nascimento de Maria Firmina, o governador Osvaldo da Costa Nunes Freire inaugurou o busto da escritora na Praça do Partheon, em São Luís; promoveu a publicação da edição fac-símile do romance Úrsula; também foi lançado o livro de Nascimento Morais Filho: "Maria Firmina dos Reis, fragmentos de uma vida"; foi instituída a Medalha de Honra ao Mérito, pela Prefeitura Municipal de São Luís; foi criado um carimbo em sua homenagem, uma marca filatélica produzida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, com tempo determinado de utilização, destinada a difundir o trabalho de relevantes personalidades e instituições, destacando comumente o motivo, a legenda, a data e o local de sua emissão. Um detalhe digno de realce é que na parte inferior do carimbo consta um grilhão de ferro rompido, como marca significativa da Campanha Abolicionista que Maria Firmina empreendeu por meio da literatura, e eu acrescentaria, e por meio da música (compôs o Hino da Libertação dos Escravos (1988), além da própria postura que retratava a sua orientação político-ideológica.
Outro dado digno de realce é que Maria Firmina viveu num século abundante em mudanças políticas estruturais da sociedade brasileira: nasceu no ano da Proclamação da Independência do Brasil, 7 de setembro de1822; testemunhou a Libertação dos Escravos, por meio da Lei Áurea, oficialmente Lei Imperial n.º 3.353, sancionada em 13 de maio de 1888 e a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.
Além disso, dos 95 anos que Maria Firmina viveu neste plano físico (11 de março de 1822 a 11 novembro de 1917), conviveu 66 anos com a escravidão. Isso torna pertinente brindar o leitor com o Hino, a letra e música, de autoria de Maria Firmina dos Reis, em louvor ao término da escravidão, pelo menos em termos legais:
HINO À LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS
Maria Firmina dos Reis
Salve Pátria do Progresso!
Salve! Salve Deus a Igualdade!
Salve! Salve o Sol que raiou hoje,
Difundindo a Liberdade!
Quebrou-se enfim a cadeia
Da nefanda Escravidão!
Aqueles que antes oprimias,
Hoje terás como irmãos!
(1888).
Maria Firmina também deixou grandes contribuições à educação. Em 1847, concorreu à cadeira de Instrução Primária, tendo sido a única candidata aprovada nesse Concurso Público. Foi então nomeada professora de primeiras letras do sexo feminino da Villa de Guimarães e, ao se aposentar, no início da década de 1880, fundou a primeira escola mista gratuita do estado do Maranhão.
O meu contato mais próximo com Maria Firmina deu-se em Guimarães, por ocasião da divulgação do projeto Mil poemas para Gonçalves Dias, na V Semana Literária Maria Firmina dos Reis, promovida pelo Centro de Ensino Médio Nossa Senhora da Assunção, no período de 26 a 30 de novembro de 2012. Nessa ocasião vi, ouvi e vivi Maria Firmina na voz e interpretação teatral dos alunos da escola e me encantei!!!
Nesse evento, além de Maria Firmina, foram homenageados grandes nomes da Literatura Maranhense, como Gonçalves Dias, Sousândrade, Raimundo Correia, Artur Azevedo, Aluísio de Azevedo, José Loureiro, Ferreira Gullar, Maria Firmina dos Reis, Josué Montelo, Bandeira Tribuzi além de músicos maranhenses.
Mas foi em Guimarães que nasceu a ideia de trazer Maria Firmina de volta a São Luís, de forma honrosa, para ocupar um nobre lugar na sua cidade natal; um lugar digno da primeira romancista brasileira, qual seja, o de Patrona da Academia de Letras de São Luís. O nome de Maria Firmina foi proposto por mim e por Ana Luiza Almeida Ferro, tendo sido aprovado por unanimidade. Assim é que Maria Firmina dos Reis tornou-se a Patrona da Academia Ludovicense de Letras-ALL, Casa de Maria Firmina dos Reis.
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