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Por que a poeta chilena Stella Díaz Varín não ganhou o Prêmio Nobel de Literatura na década de 40, no auge de sua produção poética?

Principais obras: Razón de mi ser (1949), Sinfonía del hombre fósil (1953), Tiempo, medida imaginaria (1959), La Arenera (1987) e Los dones previsibles (1992).

15/07/2025 às 10h42 Atualizada em 15/07/2025 às 12h41
Por: Mhario Lincoln Fonte: Redação do Facetubes
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Divulgação/Google
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Sem dúvida, um dos mais aplaudidos poemas de , ao redor do mundo literário, é da chilena Stella Díaz Varín (La Serena, Chile, 1926 - Santiago, Chile, 2006), sem dúvida, a mulher que fundiu com mais radicalismo a fronteira entre biografia e obra na poesia chilena da segunda metade do século XX. 

 

Assim como seu caráter indomável poderia boicotar uma leitura poética ou subjugar a firmeza masculina, seus textos revelavam uma estética em constante conflito com a ordem social que a cercava. Por isso,  quem quer ter uma ideia da poesia latina de força, deve ler Stella Díaz Varím. Especialmente o poema acima referido e abaixo transcrito, em tradução livre, de Mhario Lincoln:

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Sonolência Inaudita

Eu digo

A chaga do tempo é profunda,

cada abertura das horas

em que ressoa o desmoronamento dos cálices

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é desolação para o espírito.

No entanto, não interpretes o teu sexo

como se desfazendo da imagem,

não procures encontrar-me na redoma da minha sede interior;

deves saber

que o sacrifício do meu mundo triangular

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provocou a ira dos homens,

mas os deuses abençoaram a minha audácia.

 

Eu sei que minha lira pulsava em teus joelhos

e ardia de sóis em tua boca,

e não fui feliz.

Na estrutura cinzenta dos teus milênios

não existiu a remota eucaristia,

nem no soberbo impulso da tua mão

residia a minha felicidade.

 

Eu caminhei e fui aos meus reinos interiores

para verificar meu pensamento.

minha planta, na vinha e na rocha,

e no mamilo escuro da sombra,

adormeci,

e tu, seguias-me atrás,

e eu ouvia de dentro de mim que me chamavas,

e sentia o canto das espigas no campo de sol,

embalando pássaros.

mas, tu ias com teus lobos atrás da minha pegada,

mordendo-me nas têmporas os teus desejos

sinistros, no espasmo do teu sangue.

Sabes quanto tempo durou minha marcha ao caos?

Até o domínio das madressilvas.

 

Meus pés de bailarina

de tanto se torturarem, não sangravam,

e uma visão da região do sono

envolvia meus tules amarelos.

 

Como devem doer-me as olheiras na vigília azul!

Ficar tanto tempo sozinha me faz mal,

sentir-me minha já não sinto.

Grande benevolência dos céus

poder me embeber de orvalho,

doce punhal de sábio sacrifício,

estilete lacrante de minha agonia presumida.

 

Como desejo, irmão,

tua estadia em minha hora suprema,

a joia zodiacal do teu olhar

sobre a terra branca do meu seio,

como desejo o toque da tua palma

quando soar o desmoronamento do meu cálice.

 

Da sonora eternidade do níquel

chega a vibração do meu silêncio;

estou comigo mesma,

e me deito nela.

De "Razão de meu ser" (1949).

 

A figura de Díaz Varín surgiu no Chile pouco depois que sua compatriota Gabriela Mistral recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1945 (até agora, o único concedido a uma latino-americana nessa categoria). Paradoxalmente, naquela época, quase todos os talentos literários eram homens e se agrupavam na Geração de 50, como Nicanor Parra, Enrique Lihn, Alejandro Jodorowsky, Miguel Arteche, José Donoso, Jorge Edwards, Claudio Giaconi, Luis Oyarzún, Enrique Lafourcade, entre outros.

 

Durante esses anos, ela teve confrontos e idílios com seus contemporâneos - Parra dedicou-lhe o poema "La víbora", um dos textos de Poemas y antipoemas (1954) - aos quais atraía com seu aura sedutora e mantinha afastados pela reputação combativa que havia conquistado, ao ponto de espancar alguém mais de uma vez por um comentário imprudente. Sua vida é repleta de dezenas de histórias que aumentam a lenda de sua personalidade cativante, boêmia e agitadora, na qual alguns colidiram e outros se encantaram.

 

A bibliografia de Díaz Varín consiste em quatro livros e um poema longo: Razón de mi ser (1949), Sinfonía del hombre fósil (1953), Tiempo, medida imaginaria (1959), La Arenera (1987) e Los dones previsibles (1992).

 

Enrique Lihn, no prefácio deste último título, afirmou: "A voz de Stella é fiel a si mesma", ou seja, a maioria dos poetas de sua geração entendia a poesia como "canto, em primeiro lugar, e apenas em segundo lugar como escrita". 

 

A redação do Facetubes em pesquisa por sites chilenos, traduziu o seguinte texto pertinente a um dos aclamados livros de Díaz Varín, este, de título:"Los dones previsibles" (1992): 

 

"No poema, falava-se em primeira pessoa, que deveria roubar com sua voz todos os filmes, começando pela bíblia. O falante, mais cantor do que poeta, dos versos, deveria ser "antipoeta e mágico" - Huidobro; heroico e multitudinário - De Rokha; um mito - Neruda. Stella Díaz Varín, reconhecendo a necessidade de ter uma voz própria e ressonante, e nela 'a razão de meu ser', tentou diferenciá-la com uma violência específica e fez dela uma lenda turbulenta".

 

Aqui, abaixo, um dos polêmicos poemas constantes nessa obra, in tradução livre (MHL):

'La Palabra' 

Uma só será a minha luta

E a minha vitória;

Encontrar a palavra escondida

Naquela vez do nosso pacto secreto

A poucos dias de terminar a infância.

Deves lembrar

Onde a guardaste

Devias pronunciá-la ao menos uma vez...

Já a teria encontrado

Mas tens razão, esse era o pacto.

Olha como está a minha casa, desarmada.

Folha por folha, minha casa, dos pés à cabeça.

E o meu pomar, permanentemente vasculhado

E os meus livros como um pomar,

Folheados até desfiarem

Sem encontrar a palavra.

Termina a busca e o tempo

Vencida e condenada

Por não encontrar a palavra que escondeste.

(De Los dones previsibles/1992).

 

Versão original:

"Una sola será mi lucha

Y mi triunfo;

Encontrar la palabra encondida

aquella vez de nuestro pacto secreto

a pocos días de terminar la infancia.

Debes recordar

dónde la guardaste

Debiste pronunciarla siquiera una vez…

Ya la habría encontrado

Pero tienes razón ese era el pacto.

Mira cómo está mi casa, desarmada.

Hoja por hoja mi casa, de pies a cabeza.

Y mi huerto, forado permanente

Y mis libros como un huerto,

Hojeado hasta el deshilache

Sin dar con la palabra.

Se termina la búsqueda y el tiempo

Vencida y condenada

Por no hallar la palabra que escondiste".

(De Los dones previsibles/1992).

 

O jornalista e poeta Mhario Lincoln, acerca dessa poesia - 'La Palabra' -  em podcast do www.facetubes.com.br, falou: "O poema é uma reflexão profunda sobre a busca pela palavra escondida, que representa um pacto secreto feito durante a infância. Díaz Varín expressa sua determinação em encontrar essa palavra, que se torna um símbolo de vitória pessoal. A linguagem utilizada é simples e direta, mas carregada de significado, quando evoca imagens vívidas para transmitir sua angústia e frustração diante da incapacidade de encontrar essa palavra. A metáfora da casa desarmada, das folhas sendo vasculhadas e dos livros desgastados como um pomar, reforça a sensação de desordem e frustração (...)".

 

Divulgação/Google.

E finaliza Mhario Lincoln, "em rápida análise posso chegar à conclusão lógica de que esse poema é uma profunda reflexão sobre a memória, a infância e a dificuldade de recuperar algo que foi perdido, numa estrutura de estrofes curtas e ritmo cadenciado, porém, com muita força emocional".

 

Nos últimos anos de sua vida, Varín se associou ao coletivo surrealista 'Derrame' para apoiar as novas gerações de poetas. Em 2008, foi lançado o documentário 'La colorina', dirigido por Fernando Guzzoni, sobre o legado da poetisa, que reúne depoimentos daqueles que compartilharam momentos de sua vida, caracterizada, de acordo com a lenda urbana, por permanecer à margem da cultura oficial, opondo-se com rudeza e incorreção.

 

O PRÊMIO NOBEL

Brilhante, uma das mais cultuadas poetas chilenas, a aplaudida Stella Díaz Varín não ganhou o Prêmio Nobel de Literatura na década de 40, mas, sim, sua compatriota Gabriela Mistral, pseudônimo escolhido de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena, Nobel de Literatura de 1945. E por que? 

A redação do Facetubes pesquisou em vários sites especializados uma razão plausível para que Díaz não tenha sido laureada pelo Nobel. As respostas foram confusas e as razões, muito mais. Uma delas, com transcrição abaixo:

"O processo de seleção e premiação do Nobel é altamente complexo e envolve diversos fatores. O comitê responsável pela concessão do prêmio avalia uma ampla gama de obras literárias de diferentes países e gêneros, levando em consideração critérios como originalidade, qualidade artística, impacto cultural e contribuições significativas para a literatura mundial. Apesar da produção lírica notável de Stella Díaz Varín, uma combinação de fatores complexos, não a tornaram a escolha do Comitê naquele momento específico".

 

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JaimeHá 11 meses BSB/DFPresidente ML, texto de Muita erudição. Parabéns!!!
Valdenir GonçalvesHá 3 anos CascavelBelíssimas poesias!Um viajar no mundo mágico do belo poético!"
Carmen Regina DiasHá 3 anos CascavelSó por estes versos Stella Diaz Varin eu já lhe entregaria o Nobel da Poesia: (...) não interpretes o teu sexo como se desfazendo da imagem, não procures encontrar-me na redoma da minha sede interior; deves saber que o sacrifício do meu mundo triangular provocou a ira dos homens, mas os deuses *abençoaram a minha audácia*. Eu sei que minha lira pulsava em teus joelhos e ardia de sóis em tua boca, e não fui feliz. (...) desejo o toque da tua palma quando soar o desmoronamento do m
Carmen Regina DiasHá 3 anos CascavelEstou em êxtase diante de seus verso. Em cada linha, cada verso, profundidades de alma remetem a um relicário vivo. Guerreira da palavra, resistência em versos. ADOREI. Desejo mergulhar nessas águas da mais pura arte: Grata, mestre Mhario Lincoln por este presente: "Una sola será mi lucha Y mi triunfo; Encontrar la palabra encondida aquella vez de nuestro pacto secreto a pocos días de terminar la infancia. Debes recordar dóndela guardaste... Magnífico!
Joizacawpy Há 3 anos São Luís Obrigada Mhario por trazer um pouco mais da literatura a nível não só nacional como mundial. A poeta era profunda e original, não há justificativa para não terem lhe concedido o Nobel...
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