
Redação do Facetubes/29/07/2023
Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón, uma figura inigualável na história da arte contemporânea internacional, desvela em suas obras uma autobiografia visual, uma narrativa íntima de sua realidade. Através de cores contrastantes e símbolos intrincados, Frida mergulha no âmago de eventos que não só moldaram sua vida, mas também ecoaram ao longo da história da arte mexicana.
Os autorretratos são um testemunho evidente desse mergulho profundo em sua alma. Além de uma mera busca hedonista, eles espelham a constante dor que a assolava, tanto física quanto emocionalmente. As marcas indeléveis de uma infância marcada pela poliomielite, um acidente devastador na adolescência que a confinou à cama por quase toda a vida, e desilusões amorosas, são expressas com crueza.
Uma das pinturas mais icônicas, "La columna rota", (01), datada de 1945, retrata Frida após uma das 32 cirurgias que teve que enfrentar ao longo da vida. Esse procedimento na coluna vertebral a deixou "aprisionada" em um colete de metal, supostamente para aliviar suas dores físicas.
As sequelas permanentes desse episódio são também observadas em "El Venado herido" de 1946. A artista é figurada como um veado, com nove flechas cravadas em seu corpo, sangrando lentamente. Essa obra expressa sua decepção após uma cirurgia na coluna vertebral em Nova York, da qual ela esperava aliviar suas dores nas costas, mas sem sucesso.
Logo após seu casamento com Diego Rivera, Frida enfrentou o primeiro de três abortos. A dor deixada pela perda do primeiro bebê é evidente em "Frida y la cesárea", uma pintura iniciada em 1931 e jamais concluída.
"La cama volando" é outra obra fruto de uma experiência traumática. Frida engravidou apesar das previsões médicas pessimistas após o acidente, mas um aborto natural a levou a pintar essa obra, que materializa suas frustrações por não poder ter filhos.
"Las dos Fridas" (As Duas Fridas), de 1939, é uma pintura emblemática criada após seu retorno ao México, após mais de seis meses no exterior e seu divórcio de Diego. Nessa composição, Frida retrata duas versões de si mesma: uma Frida mexicana vestida de tehuana, representando a parte amada por Diego, e uma Frida mais europeia, trajando um vestido de noiva vitoriano de renda branca, simbolizando a mulher que Diego abandonou. O menino-Diego segurado pela Frida casada está conectado ao coração por uma artéria. Contudo, a artéria, saindo do coração da Frida europeia, está sangrando, simbolizando o fim do casamento e os diversos abortos da artista.
Em "Diego y Yo" (Diego e Eu) de 1949, Frida expressa seus sentimentos sobre Diego Rivera, retratando a relação tumultuosa marcada por infidelidades mútuas. O rosto de Diego na testa de Frida reflete sua presença constante em seus pensamentos, enquanto os três olhos denotam a admiração que ela sente pela inteligência do muralista.
"Unos cuantos piquetitos" reflete a sensação de traição de Frida ao descobrir que sua irmã Cristina e Diego Rivera estavam tendo um caso. Inspirada em um caso real relatado em um jornal, a pintura mostra uma mulher perfurada por facadas por seu marido, com quem Frida se identifica.
"La máscara (de la locura)" é uma obra associada a outra das muitas infidelidades de Diego Rivera. Nesse autorretrato, Frida evita olhar diretamente para o espectador, usando uma máscara que oculta sua dor. Ela não expõe abertamente seu sofrimento, mas o grau de desespero transparece nessa pintura... até a loucura.
A simbologia enraizada na maioria das obras de Kahlo remonta à crença profundamente mexicana de que após a vida terrena, a alma embarca em uma jornada espiritual distinta. Entretanto, essas pinturas são também um claro testemunho de uma mulher que encontrou na arte uma fonte de força e vida, transcendendo suas próprias angústias para tocar a humanidade com sua verdadeira essência.
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