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Dra. Flora Guilhonm: "Strange Fruit, um Clássico Atemporal; uma História Impactante".

Texto da Orientadora Ocupacional (England/United Kingdom), dra. Flora Guilhonm .

15/08/2023 às 16h02
Por: Mhario Lincoln Fonte: Correspondente Inglesa / Flora Guilhonm .
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Correspondente internacional.
Correspondente internacional.

"Negros pendurados em árvores, no Missisipe: estranha fruta"

*Flora Guilhonm, (England/United Kingdom).

 

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Embora não tenha havido - publicamente - um movimento equivalente ao linchamento racial dos Estados Unidos, na história britânica, é importante notar que a luta contra o racismo e a detecção racial é uma questão global que afetou muitos países, incluindo o Reino Unido e também o Brasil, pelo que tenho acompanhado por aqui.

Na Inglaterra, também houve casos de discriminação racial, violência e segregação ao longo da história, principalmente em relação às comunidades negras e minorias étnicas. Porém, o movimento antiescravagista na Inglaterra teve um papel importante na luta contra a escravidão e na promoção dos direitos humanos. No entanto, a natureza e o contexto do racismo no Reino Unido podem ter sido diferentes daqueles nos Estados Unidos.

Na verdade, há 84 anos, em 20 de abril deste 2023, a cantora de jazz Billie Holiday gravava uma das músicas mais incônicas da humanidade: "Strange Fruit", composta após linchamentos de negros que chocou todo o país americano do norte.

Foi tão impactante ao longo dos anos que em 1999, foi escolhida pela revista Time como a "canção do século", e a história de como "Strange Fruit" foi concebida tornou-se lendária. Originalmente um poema chamado "Bitter Fruit", foi escrita pelo professor judeu Abel Meeropol, sob o pseudônimo Lewis Allen, em resposta aos linchamentos de negros em vários estados do sul dos Estados Unidos. Aliás, é  importante mencionar que a música "Strange Fruit" é profundamente enraizada na experiência americana de linchamento racial, segregação e injustiça, e sua criação e impacto estão fortemente ligados à história do país ianque. 

A letra da música utiliza a imagem metafórica de árvores do sul que carregam um "fruto estranho" (Strange Fruit) - corpos negros enforcados, com sangue nas folhas e raízes para evocar a brutalidade e injustiça do linchamento, com a descrição de corpos negros pendurados nas árvores, enquanto os olhos e as bocas estão distorcidos pela agonia.

A referência ao "cheiro de magnólias, doce e fresco" (Scent of magnolias, sweet and fresh) contrasta fortemente com a imagem subsequente do "cheiro repentino de carne queimada" (...the sudden smell of burning flesh), destacando-se uma brutal mudança do ambiente pacífico para a violência racial: "Aqui está a fruta para os corvos colherem" (Here is fruit for the crows to pluck).

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A última estrofe da música enfatiza a amargura e a estranheza dessa "colheita" (Here is a strange and bitter crop) - uma metáfora usada para descrever as vidas negras que foram perdidas para o linchamento. A música captura o lamento, a indignação e o protesto contra a crueldade e o racismo que marcaram a história dos Estados Unidos.

 

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Letra original e tradução livre.

 

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Tomo a liberdade e peço permissão ao meu editor Mhario Lincoln - que fez uma extraordinária releitura dessa letra-poema em seu livro "Segredos Poéticos" - para resgatar esse assunto, pois todo tempo é tempo para que continuemos essa luta por justiça e igualdade. Acredito que essa música ainda tem um impacto profundo na consciência pública, porque se tornou um hino de todos os movimentos pelos direitos civis. 

Eu acredito que esses versos de sangue fazem deles, algo ainda muito radioativo por sua relevância. Porque a questão da raça ainda está nas primeiras páginas do noticiário diário. Como disse William Duffy, co-autor da autobiografia de Holiday, "Lady Sings the Blues" (A Senhora Canta o Blues):

- "Holiday não canta músicas; ela as transforma". 

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* É colunista do Facetubes, desde Londres/15/08/2023

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Joizacawpy Há 3 anos São Luís Excelente texto, valiosa análise, o preconceito continua, a luta por igualdade e justiça social, é constante, visto que ainda vivemos num mundo que segrega e quando oportuno a seus anseios destrói vidas.
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