Dra. Flora Guilhonm, Orientadora Ocupacional (England/United Kingdom).
tradução livre
Esta crônica foi originada em uma conversa que tivemos juntas, durante nosso chá das 5h, aqui em Londres, eu e Karina Joiviska, uma japonesinha linda, investidora, de 35 anos, filha de mãe russa e pai japonês. Ela me contou uma história bem interessante.
- Namorei uma pessoa durante 8 anos. E nos casamos felizes da vida. No entanto, alguns meses depois, nos separamos.
É um fato corriqueiro. Assim como namorar bastante tempo, às vezes não dá certo após o casamento, namorar dois, três ou quatro meses e casar, acaba dando certo e o casal vive até subirem para a outra vida.
E o que pensar disso? No âmago dessa reflexão se encontra uma perspectiva que transcende a mera noção de tempo, mergulhando profundamente na intensidade e na determinação de concretizar nossas aspirações. À medida que exploramos essa ideia, é impossível não evocar as palavras de Sêneca, o grande filósofo estoico, que afirmava: "Não é que tenhamos pouco tempo, mas perdemos muito. A vida é longa e breve ao mesmo tempo; perdemos o passado, o presente e o futuro."
Isso nos convida a refletir sobre o papel das relações interpessoais em nossas vidas. Em meio às narrativas das pessoas que cruzam nosso caminho, algumas podem nos deixar cheios de incertezas, enquanto outras nos preenchem de certezas há muito buscadas. A distinção entre esses dois extremos, como observou Sartre, reside na "profundidade da disposição interior".
Já o dilema da indecisão versus determinação encontra seu eco no legado filosófico de Friedrich Nietzsche. Ele nos adverte que "Aquele que tem um porquê para viver, pode enfrentar quase todos os 'comos' (...)". Essa máxima ressalta que a presença de uma vontade forte, apoiada por uma motivação intrínseca, tem o poder de moldar nossas escolhas e ações de maneiras surpreendentes. Aqueles que buscam desculpas sob a égide do tempo frequentemente revelam, de acordo com Nietzsche, uma falta de profundidade em sua conexão com o que está em jogo.
Em última análise, o que emerge desse debate é a noção de que a intensidade e a vontade enriquecem a nossa jornada, enquanto a indecisão e a procrastinação esvaziam o valor do tempo. A sabedoria reside em discernir se vale mesmo apostar nossas energias em algo que só é duradouro, mas sem respostas concretas. Aí está a mágica de "apostar" em um relacionamento. Tem que saber se esse, realmente se alinha com a autenticidade do duo-princípios*.
Nesse sentido, é a intensidade do compromisso e a boa vontade que se tornam os verdadeiros capitães do navio do tempo, guiando-nos rumo às praias da satisfação e do crescimento pessoal.
Portanto, cuidem-se, leitores, antes de se contrair uma situação exdrúxula, como essa da crônica.
Aliás, para encerrar, meu editor Mhario Lincoln tem uma frase incrível que molda essas minhas reflexões acima: "Sinto que teus abraços tem cheiro de fuga". Muito bem! Que o calorzinho maravilhoso do Brasil aqueça as mentes e corações. Até a próxima.
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Nota do tradutor: foi traduzido de forma livre a expressão "duo-understanding", como sendo "duo-princípios".
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