
A jornalista, editora e tradutora carioca Rosa Freire d'Aguiar construiu uma carreira invejável ao longo de suas quase oito décadas de vida, sendo uma das maiores responsáveis por trazer ao público brasileiro textos emblemáticos em diversos gêneros literários. Com maestria nas línguas inglesa e espanhola, possibilitou a muitos brasileiros o primeiro contato com grandes obras internacionais. E, agora, pela Companhia das Letras, lançou seu novo livro de memórias, com o título “Sempre Paris: crônica de uma cidade, seus escritores e artistas”.
Quando era correspondente internacional em Paris durante as décadas de 1970 e 1980, capturou a essência da cultura e política internacionais em suas reportagens. Seu trabalho abrangia desde os restaurantes mais populares da época até eventos significativos como a chegada do primeiro avião comercial supersônico e a devolução do deserto do Sinai, ao Egito.
No livro, ela recria essa atmosfera efervescente de Paris, numa verdadeira viagem no tempo, transportando o leitor para a era de ouro das publicações impressas, marcada por longas 21 entrevistas, com com intelectuais, escritores e políticos que são personagens incontornáveis da história cultural do século XX.
Entre eles estão Alain Finkielkraut, Alberto Cavalcanti, Conrad Detrez, Élisabeth Badinter, Ernesto Sabato, Eugène Ionesco, Fernand Braudel, François Perroux, Françoise Giroud, Georges Simenon, Jorge Semprún, Julio Cortázar, Michel Serres, Norma Bengell, Peter Brook, Raymond Aron, Roger Peyrefitte, Roland Barthes, Romain Gary, Simone Veil e Suzy Solidor. Cada um desses personagens contribui para a rica história cultural que Rosa Freire d’Aguiar habilmente conta em seu livro.
Rosa compartilha, ainda, reflexões e reminiscências da vibrante cena cultural parisiense, epicentro de suas experiências. A obra está prevista para chegar às prateleiras no dia 24 de outubro. Além de seu vasto currículo no jornalismo, formado pela PUC-Rio em 1971 e correspondente a revistas renomadas como Manchete e IstoÉ, a capital francesa desempenhou um papel especial em sua vida pessoal. Foi em Paris que ela deu-se sua união com o renomado economista Celso Furtado em 1979.
Celso Furtado, figura proeminente no cenário econômico e cultural brasileiro, esteve no exílio desde 1964 devido ao regime militar no Brasil. Professor na prestigiosa universidade Sorbonne, ele é lembrado por suas valiosas contribuições ao desenvolvimento econômico, tendo, inclusive, sido um dos pioneiros na análise econômica da cultura.
A vida em Paris e, posteriormente, em Bruxelas, ofereceu ao casal a oportunidade de conviver com destaques intelectuais e políticos da época. Após essas experiências, eles retornaram ao Brasil, estabelecendo-se em Brasília, onde Furtado continuou sua trajetória distinta.
Deixando temporariamente o jornalismo, Rosa mergulhou no mundo editorial, ampliando seu papel como tradutora, cujo papel foi entregar traduções grandiosas aos leitores brasileiros, esses, convidados a explorar o mundo dos maiores escritores e pensadores do século 20: Fernand Braudel, Roland Barthes e Simone Veil, entre outros, que, de diversas maneiras, moldaram a cultura e o pensamento contemporâneo, garantindo assim, uma jornada literária rica e inspirada.
Rosa não é apenas uma jornalista, editora e tradutora carioca; ela é uma ponte pela qual muitos brasileiros foram introduzidos em textos que moldaram a compreensão literária de várias gerações. Sua fluência em inglês e espanhol permitiu que o Brasil tivesse acesso, em sua própria língua, a obras que até então eram inatingíveis.
Assim, "Sempre Paris: crônica de uma cidade, seus escritores e artistas" não é apenas um título, é um manifesto. Reflete o coração e a alma das horas incontáveis que Rosa passou na cidade luz, absorvendo sua cultura, suas histórias e, claro, seus artistas.
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