
"O Nobel foi frequentemente criticado por vários motivos. Em 2018, a cerimônia de entrega foi postergada devido a um escândalo sexual relacionado ao movimento #MeToo que afetou os 18 membros da Academia Sueca, responsável pelo Nobel de Literatura. Isso resultou na saída de vários membros. Após superar esse período turbulento, a organização enfrentou novas críticas em 2019 quando concedeu o Nobel de Literatura ao escritor austríaco Peter Handke, uma figura controversa por causa de acusações de que ele teria feito apologia a crimes de guerra na Sérvia. A sequência de prêmios após 2020, que viu a poetisa americana Louise Glück sendo homenageada, ocorreu depois de anos tumultuados para a Academia, marcada por controvérsias e um escândalo significativo, em 2018". (DW/www.dw.com).
O PRÊMIO DE 2023
A Academia Sueca anunciou Jon Fosse, escritor e dramaturgo norueguês de 64 anos, como o Nobel de Literatura/2023. Este reconhecimento se deve a “sua prosa e dramaturgia avant-garde, que habilmente articulam o inexprimível”, destaca a Academia.
Fosse, apesar de ser uma figura proeminente na dramaturgia global, tem sua prosa crescentemente apreciada. Seu vasto corpo de trabalho, ao longo de quatro décadas, abrange cerca de 40 peças, romances, ensaios, coletâneas poéticas e notáveis obras infantis.
Suas criações transcenderam fronteiras, com traduções em mais de 40 línguas e inúmeras produções teatrais ao redor do mundo. O autor possui uma presença literária no Brasil como os romances "É a Ales" e "Melancolia", com "Brancura" aguardando sua publicação iminente.
Recentemenmte o premiado Fosse expressou sua admiração e um sobressalto palpável ao ver essa distinção como uma "ode à literatura pura, que se mantém acima de outras contingências".
Além disso, Jon Fosse, que se utiliza da versão "novo norueguês" do idioma – uma língua enraizada em dialetos rurais do século XIX e representativa de apenas 10% da população norueguesa – vê o Nobel, também, como um tributo à sua língua e à causa que ela sustenta.
CONTROVÉRSIAS DO NOBEL DE LITERATURA
Annie Ernaux, a renomada escritora francesa, foi a laureada com o Nobel de Literatura 2022, marcando mais um capítulo na história do prêmio. Ernaux, famosa por suas obras autobiográficas e livros de memórias, segue os passos do escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah, vencedor de 2021. O prêmio Nobel tem sido objeto de críticas por sua aparente preferência por autores europeus e americanos. Entre os mais de 100 laureados, apenas 17 são mulheres e Gurnah foi apenas o sexto premiado com raízes africanas. Os prêmios de 2020 e 2021 foram concedidos após anos de controvérsias e escândalos. Em 2018, o prêmio foi adiado em meio a alegações de um escândalo sexual que abalou a Academia Sueca, responsável pela organização do Nobel de Literatura.
ABALOS
O movimento #MeToo teve um impacto significativo no Prêmio Nobel de Literatura. Em 2018, o prêmio foi adiado devido a um escândalo sexual que abalou a Academia Sueca, responsável pela organização do Prêmio Nobel de Literatura1. O escândalo envolveu o marido de uma das membros da Academia, que era uma figura proeminente na vida literária de Estocolmo. Ele foi acusado por 18 mulheres de assédio sexual e até mesmo estupro ao longo de muitos anos.
Este incidente provocou indignação nacional na Suécia e levou a um êxodo de vários membros da Academia1. Apesar da Academia ter superado esse período turbulento, ela voltou a ser alvo de críticas em 2019 ao conceder o prêmio ao romancista austríaco Peter Handke, cuja escolha gerou controvérsia devido às acusações de apologia aos crimes de guerra na Sérvia. Portanto, o movimento #MeToo teve um impacto direto no Prêmio Nobel de Literatura, levando a mudanças significativas na forma como o prêmio é administrado e concedido.
O QUE É O #METOO
Na Suécia, o movimento #MeToo teve um grande impacto e uniu os movimentos femininos em uma campanha global contra o sexismo e a violência12. O movimento consistiu principalmente no envolvimento de indivíduos privados em grupos de chamada, baseados em profissões, indústrias ou comunidades de interesse. O apelo deixou claro que o assédio e abuso sexual não são fenômenos marginais, mas ocorrem na maioria das profissões e contextos.
Este projeto interdisciplinar examina o movimento #MeToo na Suécia: seu desenvolvimento, consequências e estratégias1. Através de uma seleção estratégica de diferentes indústrias, os pesquisadores querem ser capazes de comparar as condições em diferentes contextos: como o sexismo e o assédio foram descritos, e como o trabalho para combatê-los foi conduzido durante este período transformador1.
Sarah Ljungquist, pesquisadora em estudos de gênero na Universidade de Gävle, estudou as consequências do movimento e seu impacto no contexto sueco2. Ela observou que o #MeToo mostrou a magnitude do problema com assédio sexual e agressão. Como consequência, compartilhar histórias de sexismo e agressão sexual se tornou mais aceito. A vergonha e a culpa de ter sido vítima foram transferidas da vítima para o perpetrador2.
--------------------------
Vinculações
#metoo activism in Sweden: Development, consequences, strategies | University of Gothenburg (gu.se)
How #MeToo changed Sweden - Högskolan i Gävle (hig.se)
#metoo activism in Sweden: Development, consequences, strategies - Stockholm University (su.se)
Mín. 13° Máx. 20°