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Clérigos em Declínio? O Celibato é um motivo real da escassez de Padres em escala global?

Redação do Facetubes, sob supervisão do editor-sênior, jornalista Mhario Lincoln.

11/10/2023 às 20h47 Atualizada em 12/10/2023 às 09h30
Por: Mhario Lincoln Fonte: Departamento de Pesquisas/Facetubes
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Ilustração Hipotética (Art: MHL).
Ilustração Hipotética (Art: MHL).

 

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Redação do Facetubes/Departamento de Pesquisas 

A imprensa divulgou bastante esta semana o caso do padre Ferdinando Henrique Pavan Rubio, de 41 anos de idade, que serviu como um dos líderes espirituais na Paróquia Santa Luzia, na cidade de Franca/SP, desde janeiro de 2023, mas em setembro, foi afastado de suas funções porque revelou que está prestes a se tornar pai. O assunto tem sido alvo de um silêncio notável na cidade, com as pessoas evitando discutir o tema.

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Ele mesmo pediu afastamento por não cumprir o Celibato (uma norma disciplinar de Fé) e agora deve buscar a validação de sua dispensa junto ao Vaticano. De acordo com o Direito Canônico, que regula as normas da Igreja Católica, nenhum padre pode manter relacionamentos amorosos ou se casar. Este episódio destaca a complexidade das questões que envolvem o Celibato e as responsabilidades sacerdotais na Igreja Católica.

Assim, a equipe do Facetubes caiu em campo para desvendar alguns mistérios acerca do Celibato, numa reportagem que contou com muita pesquisa e a ajuda de nossos estagiários que acessaram algumas informações (até parte de encíclicas papais), para trazer um texto de fácil leitura e entendimento.

 

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As novas ferramentas de pesquisa e informação do Facetubes

 

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1 – O CELIBATO IMPEDE O CRESCIMENTO SACERDOTAL DA IGREJA CATÓLICA?

Existem vários fatores que contribuem para a diminuição do número de padres em todo o mundo, e o Celibato pode ser um deles. No entanto, é importante ressaltar que a questão é complexa e não pode ser atribuída a uma única causa.

A regra do Celibato na Igreja Católica, que exige que os sacerdotes permaneçam castos, não é um dogma de fé, mas um regulamento da Igreja.

Alguns padres, como o brasileiro Fábio de Melo, um dos mais famosos sacerdotes católicos da atualidade, já deu entrevistas dizendo que a norma do celibato deveria ser abolida, "por ser algo da Idade Média". De acordo com ele, a Igreja deveria ordenar casados - e manter a possibilidade de Celibato àqueles que quisessem fazer uma "entrega mais radical".

No entanto, também, é importante notar que o número de sacerdotes está diminuindo globalmente em 0,3%, mas houve, no entretanto, um aumento das vocações na África e na Ásia.

"Embora possa haver alguma correlação entre o Celibato e a diminuição do número de padres, é difícil estabelecer uma causa direta sem estudos abrangentes. A questão provavelmente envolve uma combinação de fatores, incluindo mudanças sociais, escolhas pessoais e regulamentos da Igreja", confessa um padre que abandonou a Ordem para efetivar seu casamento.

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O CELIBATO

Pelas concepções católicas romanas, o Celibato Sacerdotal é uma forma de consagração a Deus e à Igreja, que implica a renúncia voluntária ao matrimônio e à vida sexual. “Essa escolha não se baseia na desvalorização do amor humano, mas na busca de um amor mais pleno e universal, que se expressa no serviço aos fiéis e na dedicação ao Reino de Deus. O Celibato Sacerdotal não é uma imposição, mas um dom que Deus concede a alguns homens chamados ao ministério ordenado”, dizem os especialistas no assunto, ouvidos pela reportagem, mas que não autorizaram divulgar seus nomes.

Também existem religiosos e religiosas que, mesmo não sendo sacerdotes, fazem votos de castidade, pobreza e obediência, seguindo o exemplo de Cristo. Além disso, há casais que, por motivos espirituais ou pastorais, decidem viver em continência, ou seja, sem ter relações sexuais, mas mantendo o vínculo matrimonial.

 

Uma honra e um orgulho.

2 – DIFERENÇA ENTRE VOCAÇÃO VIRGINAL E CELIBATO SACERDOTAL

Segundo o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, “(...) a vocação virginal é diferente do Celibato Sacerdotal, pois se refere à condição de quem nunca teve relações sexuais e se compromete a permanecer assim por amor a Deus. Essa vocação pode ser vivida por pessoas solteiras ou casadas, desde que haja um consentimento mútuo entre os cônjuges. A virgindade é um sinal de pureza e de fidelidade a Deus, que exige uma vida de oração e de testemunho cristão”.

 

A ORIGEM DO CELIBATO

A origem do Celibato Sacerdotal remonta aos primeiros séculos do cristianismo, quando alguns padres e bispos optavam por viver em castidade, seguindo o conselho de São Paulo (1 Cor 7,32-35). No entanto, somente no século 12, nos concílios de Latrão I e II, o Celibato se tornou obrigatório para todos os clérigos da Igreja Católica Romana.

Essa medida visava evitar os problemas causados pelo nepotismo, pela herança dos bens eclesiásticos e pela infidelidade dos clérigos. Desde então, o Celibato Sacerdotal tem sido mantido como uma ‘norma disciplinar’ da Igreja, que pode ser modificada em casos excepcionais.

Então, a que o apóstolo Paulo – em carta advertindo Timóteo - exortava quando disse: “A mim tudo é permitido, mas nem tudo me convém. A mim tudo é permitido, mas não me deixarei dominar por coisa alguma”.

Na interpretação lógica, Paulo não estaria admoestando contra a imoralidade sexual e exortando os cristãos a “glorificar Deus em seus corpos???” (1Coríntios 6,20).

E complementa sua carta: ”gostaria que todos fossem como eu. Mas cada um recebe de Deus um dom particular: um este, outro aquele. Digo, pois, aos não-casados e às viúvas, que é bom para eles ficarem assim, como eu. Se, porém, não conseguem dominar-se, casem-se, pois é melhor casar do que arder em desejo” (1Coríntios 7,1-2.7-10).

Em recente entrevista publicada no “L'Osservatore Romano”, o Papa Francisco, sobre o Celibato na Igreja ocidental, explicou: «É uma prescrição temporária... Não é eterna, como a ordenação sacerdotal... O Celibato, ao contrário, é uma disciplina». «Então, poderia ser revisto?», perguntou o entrevistador. «Sim», respondeu o Papa.

Também foi publicada recentemente uma opinião do Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos. Sobre o Celibato. Ele disse: ”recordo a problemática dos abusos, pela qual o celibato está sendo questionado. De algum modo, é preciso responder ou explicar, mas isso seria um estudo que vai além do objetivo do Simpósio. Já disse em outras ocasiões que, para aprofundar as causas dos casos de abusos, o que é muito vergonhoso para a Igreja, precisaremos de um estudo teológico e histórico, o que ainda não foi feito. Os estudos realizados até agora por vários países, como Alemanha, França e Austrália, são mais sociológicos e culturais, mas não tocam no aspecto teológico em profundidade.”.

 

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3 – EM PORTUGAL, PAPA FRANCISCO VOLTOU A TOCAR NO ASSUMTO CELIBATO

Na recente visita do Papa Francisco fez a Portugal, começo deste ano de 2023, durante a Jornada Mundial da Juventude um noviço o perguntou sobre “(...) como podemos sempre cuidar melhor da nossa formação como Jesuítas a nível emocional, sexual e físico?

O Papa Francisco, assim respondeu: “(...) o grave problema diz respeito aos refúgios ocultos da autobusca, que muitas vezes dizem respeito à sexualidade, mas também a outras coisas. O que fazer? Encontro ajuda no exame de consciência, como pedia Santo Inácio. Santo Inácio raramente o dispensava. Ele te dispensou da oração se você estivesse doente, se não pudesse, mas não te dispensou do exame, porque te ajuda a ver o que está acontecendo dentro de você. E há pessoas consagradas que têm o coração exposto aos quatro ventos, com janelas abertas, portas abertas. Em suma, não têm consistência interna (...)”.

E Francisco complementa: “...ao que você pergunta, eu respondo: «Faça uma pergunta a si mesmo: que espírito me move? Qual é o espírito que normalmente me move, e que me move hoje ou me moveu naquele dia?”. Eu não tenho medo da sociedade sexualizada, não; tenho medo dos padrões mundanos. Prefiro usar o termo “mundano” em vez de “sexualizado” porque o termo abrange tudo. Por exemplo, o desejo de se promover. A ansiedade de se destacar ou, como dizemos na Argentina, de “subir”. E pensar que quem sobe acaba se machucando”.

4 - LIVROS QUE FALAM DE CELIBATO

4.1 - Livros direto da Cúria Romana, em pesquisa direta, também foram encontrados:

“Sacerdotalis Caelibatus” - Esta é uma encíclica do Papa Paulo VI, publicada em 1967, que reafirma o valor e a importância do celibato sacerdotal na Igreja Católica. Nesta encíclica, o Papa Paulo VI defende o celibato como uma prática que permite aos sacerdotes se dedicarem totalmente ao serviço de Deus e da Igreja.

 

“Pastores Dabo Vobis” - Esta é uma exortação apostólica pós-sinodal do Papa João Paulo II, publicada em 1992, sobre a formação de sacerdotes nas situações atuais. Embora o documento abrigue uma variedade de temas relacionados à formação sacerdotal, há cláusulas que tratam especificamente do celibato como um dom e um compromisso para aqueles que são chamados ao sacerdócio.

 

OUTROS

- "O Dom do Celibato na Vida e na Missão da Igreja", organizado por Luís Henrique Eloy e Silva, “(...) a riqueza do Dom do Celibato compõe o acervo doutrinal inesgotável e de valor perene na vida e na missão da Igreja. As abordagens aqui publicadas retomaram a doutrina tradicional, antiga, porém sempre nova do ponto de vista teológico e canônico, emoldurando outras abordagens que permitem constatar a luminosidade própria da experiência e vivência do Celibato como verdadeiro e fecundo Dom na vida e na missão da Igreja”.

-"Amor e Celibato/Como uma vida sem casamento pode ser bem sucedida"? (de Wunibald Muller). Esse livro causou muita polêmica. A resenha diz que a vida celibatária, que carece de amor e é vivida como uma renúncia ao amor, espalha esterilidade e estreiteza. Pode ser uma expressão da imaturidade humana se for entendida como distância dos semelhantes. Neste volume, Wunibald Müller examina criticamente o celibato compulsório da Igreja Católica e relata suas conversas e encontros com homens e mulheres celibatários. Uma vida conscientemente celibatária só pode ter sucesso por razões religiosas se o encontro com as pessoas apaixonadas não for dificultado, mas promovido.

 

QUESTÕES ADJUNTAS

ÚNICA:  Gerhard Müller, prefeito emérito do antigo Santo Ofício, responde assim a uma pergunta de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 10-10-2019:

Pergunta: Sem o celibato, os abusos sexuais cometidos por padres não diminuiriam?

Resposta: Não, é falso. Isso esconde uma falsa antropologia. Um abuso é uma contradição contra a castidade. Os abusos ocorrem em toda parte, não apenas no sacerdócio. E não devemos esquecer que estatisticamente mais de 80% das vítimas não são crianças, mas adolescentes do sexo masculino. Isso significa que muitos abusos são cometidos por pessoas que não querem respeitar o sexto mandamento. Ninguém deveria ser admitido no sacerdócio se não aceita viver de acordo com os mandamentos de Deus e as exortações de Cristo. Escrevi meu livro para muitos padres bons e fiéis, obrigados a enfrentar acusações por causa de alguns que cometem erros.

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Edna Debastiani Dias Há 3 anos Curitiba/PR Artigo excelente, matéria relevante nos tempos atuais! Parabéns pela completa abordagem!
Fátima MeloHá 3 anos SAN Francisco, Califórnia O polêmico tema foi pesquisado a fundo pelo Mhario Lincoln. O celibato vai contra as próprias palavras de Jesus quando disse que o celibato é uma escolha pessoal, sem condená-lo ou louvá-lo acima do casamento e da maternidade(Mateus 39:12). O celibato vai também contra as próprias palavras de Deus quando disse “crescei e multiplicai-vos e andai sobre a terra e enchei-a” Gênesis 9:7.
Maria da Graça da Silva TasmoHá 3 anos Rio De JaneiroVejo o celibato como uma agressão a natureza humana, servir a Deus não tem nada a haver que se privar de relações sexuais, coisa básica para o nascimento dos padres. Como se pode querer mais padres, se eles não podem se multiplicar? Queremos ser e viver aquilo que assistimos e vivenciamos em nossas famílias , portanto nunca podemos querer ser padre, sem ter tido uma vida com ele, quando criança. Tudo que somos hoje , trazemos da nossa experiência da infância . O Celibato deve acabar urgente!
MARIA NAUZA LUZA MARTINSHá 3 anos BrasíliaPeço desculpas a todos. Celibato é uma palavra que não combina com o sexo masculino. Não curto polêmica, principalmente religiosa. No entanto, penso que todos já estão caducos de saber que raríssimos homens (cada um por motivos próprios que sei e não citarei) não conseguem manter celibato. Se não mantém as sagradas promessas feitas no altar ao se casarem porque raios de motivos manteriam celibato pra serem padres? Poderia ir além, mas, hoje estou da pá virada. Fico por aqui. Salve salve!
EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRAHá 3 anos São LuísExtraordinária análise do sr. Editor Mnario Lincoln. Desde o Genesis Deus deixou claro não ser bom que o homem viva só. Daqi porque o celibato? É preciso reanálise o celibato como necessário.
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