Trad. livre do espanhol: MHL
Luicci Ruérez, sociólogo, filósofo e historiador cubano.
Você sabe ler? Não é ler, é entender a leitura?
Nem sempre a gente consegue ler uma obra, de qualquer gênero, de forma correta. Isso é básico. Porque existem algumas regrinhas para que o leitor consiga mergulhar no mundo do que quer passar o autor da obra. Não é vengonha a gente saber sobre isso. Vergonha é ler 100 livros no ano e não saber praticá-lo no dia-a-dia ou em discussões literárias. Por isso, decidi hoje, escrever sobre o tema. Aliás, para ser ainda mais preciso, distingo quatro espécies de leituras:
1 - Lê-se para se formar e se tornar alguém;
2 - Lê-se em vista de uma tarefa;
3 - Lê-se, a fim de se exercitar para o trabalho e para o bem;
4 - Lê-se para se distrair.
Portanto, há leituras de fundo, leituras de ocasião, leituras de estímulo ou de edificação, e leituras de repouso. Todas essas espécies de leituras devem ser feitas à luz das nossas observações; cada uma apresenta também suas exigências particulares. As leituras de fundo exigem docilidade, as leituras de ocasião, maestria, as leituras de estímulo, ardor, as leituras de repouso, liberdade.
Na vida, quase tudo ainda precisa ser adquirido, só depois disso, chega a hora de iniciativas. Quando se trata de uma ideia de aprendizado ou interpretação, os autores consultados para esse fim devem ser antes acreditados - que criticados - e seguidos em suas próprias vias, e não utilizados segundo os caminhos do leitor. Agir cedo demais prejudica a aquisição; inicialmente, é sensato dobrar-se. "É preciso acreditar no seu mestre", diz São Tomás, repetindo Aristóteles. Ele mesmo acreditou e saiu-se muito bem.
"Só se aprende a arte do comando obedecendo, também a maestria do pensamento só se obtém pela disciplina... é uma necessidade tão evidente que somente os pedantes e os presunçosos negam-se a ela.".
Não se trata de entregar-se às cegas; um espírito nobre jamais aprisiona; mas como só se aprende a arte do comando obedecendo, também a maestria do pensamento só se obtém pela disciplina. Uma atitude de respeito, de confiança, de fé provisória, enquanto não se possui todas as normas para o juízo, é uma necessidade tão evidente que somente os pedantes e os presunçosos negam-se a ela.
Por outro lado, deve-se atentar muito ao processo de escolha das leituras, tanto para estímulo pessoal quanto para descanso e recreação. (Depois vou me reportar à formação profissional em outro texto, aliás, de grande importância no cenário da leitura exagesa).
LEITURA DE AUTO-AJUDA
As leituras de autoajuda geralmente enfatizam eficácia. Porém, isso varia intensamente de pessoa (leitor) para pessoa. Há um reconhecimento de que o que funciona para um indivíduo pode não funcionar para outro, e vice-versa. Isso destaca a necessidade de uma abordagem personalizada no que diz respeito à leitura para desenvolvimento pessoal. Urge que o leitor reflita sobre experiências passadas, com determinadas leituras para entender o que pode ser mais benéfico para ele no futuro.
No gancho, a ideia de que certos livros ou autores podem servir como um recurso valioso em tempos de necessidade, como uma depressão intelectual ou espiritual também merece total atenção. O leitor deve identificar primeiro, obras que possam lhe proporcionar conforto, inspiração ou revitalização, e mantê-las acessíveis para momentos de necessidade. No Brasil se chama "livros de cabeceira", não é isso? Desta forma, o livro passa a funcionar para a manutenção do bem-estar emocional e intelectual.
Mas nem tudo é leitura de autoajuda. Quem sabe, numa hora de aperto, o leitor não deveria escolher uma leitura para descanso e lazer (além da Bíblia, para a maioria dos Cristãos?). Aqui, o autor argumenta que, embora a escolha possa parecer menos crucial do que a de materiais de desenvolvimento pessoal, ainda é importante selecionar leituras que se alinhem com os objetivos e necessidades pessoais do indivíduo. Porém, atenção: livros que são muito estimulantes ou muito relaxantes podem ser contraproducentes, dependendo do que o indivíduo precisa para restabelecer o equilíbrio.
A importância de uma abordagem reflexiva e personalizada na escolha de leituras, seja para crescimento pessoal, conforto emocional ou relaxamento é primordial para que o leitor comece a "aprender a ler" de forma correta, ou seja, o leitor passa a considerar cuidadosamente diferentes tipos de leituras que podem afetar ou melhorar seu bem-estar intelectual e emocional. Basta fazer escolhas conscientes que atendam às suas necessidades individuais.
Nos próximos dias darei continuidade a esse tema. Obrigado a todos os brasileiros que estão lendo minhas opiniões neste espaço. e se possível, comentem. O comentário é muito importante para nosso próprio feedback.

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