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Mundo Analistas

A gente pensa que sempre lê uma obra de forma certa, certo? Não, nem sempre!

Texto de Luicci Ruérez, sociólogo, filósofo e historiador cubano. É convidado da Academia Poética Brasileira e integra a equipe de pesquisadores internacionais do Facetubes.

13/01/2024 10h02
Por: Mhario Lincoln Fonte: Original de Cuba: Luicci Ruérez
arte: MHLc/IA
arte: MHLc/IA

Trad. livre do espanhol: MHL

Luicci Ruérez, sociólogo, filósofo e historiador cubano.

Você sabe ler? Não é ler, é entender a leitura?

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Nem sempre a gente consegue ler uma obra, de qualquer gênero, de forma correta. Isso é básico. Porque existem algumas regrinhas para que o leitor consiga mergulhar no mundo do que quer passar o autor da obra. Não é vengonha a gente saber sobre isso. Vergonha é ler 100 livros no ano e não saber praticá-lo no dia-a-dia ou em discussões literárias. Por isso, decidi hoje, escrever sobre o tema. Aliás, para ser ainda mais preciso, distingo quatro espécies de leituras:

1 - Lê-se para se formar e se tornar alguém;

2 - Lê-se em vista de uma tarefa;

3 - Lê-se, a fim de se exercitar para o trabalho e para o bem;

4 - Lê-se para se distrair.

Portanto, há leituras de fundo, leituras de ocasião, leituras de estímulo ou de edificação, e leituras de repouso. Todas essas espécies de leituras devem ser feitas à luz das nossas observações; cada uma apresenta também suas exigências particulares. As leituras de fundo exigem docilidade, as leituras de ocasião, maestria, as leituras de estímulo, ardor, as leituras de repouso, liberdade.

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Na vida, quase tudo ainda precisa ser adquirido, só depois disso, chega a hora de iniciativas. Quando se trata de uma ideia de aprendizado ou interpretação, os autores consultados para esse fim devem ser antes acreditados - que criticados - e seguidos em suas próprias vias, e não utilizados segundo os caminhos do leitor. Agir cedo demais prejudica a aquisição; inicialmente, é sensato dobrar-se. "É preciso acreditar no seu mestre", diz São Tomás, repetindo Aristóteles. Ele mesmo acreditou e saiu-se muito bem.

 

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"Só se aprende a arte do comando obedecendo, também a maestria do pensamento só se obtém pela disciplina... é uma necessidade tão evidente que somente os pedantes e os presunçosos negam-se a ela.".

 

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O autor e seu livro.

Não se trata de entregar-se às cegas; um espírito nobre jamais aprisiona; mas como só se aprende a arte do comando obedecendo, também a maestria do pensamento só se obtém pela disciplina. Uma atitude de respeito, de confiança, de fé provisória, enquanto não se possui todas as normas para o juízo, é uma necessidade tão evidente que somente os pedantes e os presunçosos negam-se a ela.

 

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Por outro lado, deve-se atentar muito ao processo de escolha das leituras, tanto para estímulo pessoal quanto para descanso e recreação. (Depois vou me reportar à formação profissional em outro texto, aliás, de grande importância no cenário da leitura exagesa). 


LEITURA DE AUTO-AJUDA


As leituras de autoajuda geralmente enfatizam eficácia. Porém, isso varia intensamente de pessoa (leitor) para pessoa. Há um reconhecimento de que o que funciona para um indivíduo pode não funcionar para outro, e vice-versa. Isso destaca a necessidade de uma abordagem personalizada no que diz respeito à leitura para desenvolvimento pessoal. Urge que o leitor reflita sobre experiências passadas, com determinadas leituras para entender o que pode ser mais benéfico para ele no futuro.


No gancho, a ideia de que certos livros ou autores podem servir como um recurso valioso em tempos de necessidade, como uma depressão intelectual ou espiritual também merece total atenção. O leitor deve identificar primeiro,  obras que possam lhe proporcionar conforto, inspiração ou revitalização, e mantê-las acessíveis para momentos de necessidade. No Brasil se chama "livros de cabeceira", não é isso? Desta forma, o livro passa a funcionar para a manutenção do bem-estar emocional e intelectual.


Mas nem tudo é leitura de autoajuda. Quem sabe, numa hora de aperto, o leitor não deveria escolher uma leitura para descanso e lazer (além da Bíblia, para a maioria dos Cristãos?). Aqui, o autor argumenta que, embora a escolha possa parecer menos crucial do que a de materiais de desenvolvimento pessoal, ainda é importante selecionar leituras que se alinhem com os objetivos e necessidades pessoais do indivíduo. Porém, atenção: livros que são muito estimulantes ou muito relaxantes podem ser contraproducentes, dependendo do que o indivíduo precisa para restabelecer o equilíbrio.


A importância de uma abordagem reflexiva e personalizada na escolha de leituras, seja para crescimento pessoal, conforto emocional ou relaxamento é primordial para que o leitor comece a "aprender a ler" de forma correta, ou seja,  o leitor passa a considerar cuidadosamente diferentes tipos de leituras que podem afetar ou melhorar seu bem-estar intelectual e emocional. Basta fazer escolhas conscientes que atendam às suas necessidades individuais.


Nos próximos dias darei continuidade a esse tema. Obrigado a todos os brasileiros que estão lendo minhas opiniões neste espaço. e se possível, comentem. O comentário é muito importante para nosso próprio feedback.

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Renata da Silva de BarcelllosHá 3 anos atrásRio de JaneiroO problema que dizem LER mas não assimilam NADA A boa leitura transforma o SER O melhora O aprimora
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