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Mundo Música Instrumental

João Pedro Borges torna-se lenda viva e passeia entre o Místico e o Mítico, quando se trata da música instrumental

Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira e editor-sênior da Plataforma do Facetubes.

07/03/2024 08h29 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/João Pedro Borges
A foto está sobreposta ao altar da Chapelle Sainte Marie d’en Haut-Grenoble, onde João Pedro Borges fez seu primeiro concerto na França.
A foto está sobreposta ao altar da Chapelle Sainte Marie d’en Haut-Grenoble, onde João Pedro Borges fez seu primeiro concerto na França.

*Mhario Lincoln

Em uma jornada musical que atravessa fronteiras, o violonista brasileiro João Pedro Borges (maranhense), conquistou o Mundo. Especialmente os franceses com sua arte. Sua estreia ocorreu em Grenoble, cidade na histórica região Rhône-Alpes, no sudeste da França, logo após o lançamento de um disco gravado com a colaboração do engenheiro de som Olivier Jouy. O álbum chamou a atenção de um violonista da associação Guitare Actuelle, que convidou Borges para apresentar seu trabalho no país.

Desafiado a se diferenciar em um cenário cheio de grandes nomes do violão europeu, Borges optou por um repertório de música brasileira erudita e tradicional, incluindo obras de Marlos Nobre, Lina Pires de Campos e Villa-Lobos. O concerto, que também contemplou peças de João Pernambuco, Garoto e Paulinho da Viola, foi um sucesso estrondoso, atraindo professores de violão e alunos de diversas regiões francesas. A apresentação, realizada no museu da capela de "Santa Maria do Alto", foi tão aclamada que sofreu um atraso devido ao grande número de espectadores.

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Além de seu impacto na França, Borges, conversando comigo no 'Whats App', me contou ainda, algo emocionante: após se mudar do Rio de Janeiro para Petrópolis, um amigo e ex-aluno lhe ofereceu um apartamento em Copacabana para dar aulas. Foi nesse local que o talentoso Rafael Rabello o procurou para aprimorar sua técnica, influenciado pelo flamenco de Paco de Lúcia. Borges, com sua experiência, orientou Rabello, contribuindo significativamente para o desenvolvimento do jovem músico.

O prof. de Genebra e o Catálogo do Concerto em Grenoble.

A história de Borges se entrelaça ainda mais com a de Marcos André, outro violonista e ex-aluno, que anos mais tarde entrou em contato com Borges para compartilhar suas experiências musicais na Suíça. Curiosamente, um professor da Universidade de Genebra, fã de música brasileira, (foto) revelou a Marcos André sua admiração por um concerto de Borges em Paris, sem saber que ambos eram alunos do mesmo mestre.

Vale ressaltar que esse é o mesmo concerto da cidade de Grenoble, que o professor e amigo do Marcos André se referiu. Na época, ele foi de Paris para assistir Borges, no sudeste da França. A curiosidade é que o Marcos estudou com Borges e com o professor citado, da Universidade de Genebra. Essa coincidência ressalta a influência global do artista maranhense e a interconexão surpreendente entre músicos e admiradores da música brasileira.

Bom, queria fazer uma pausa nessa história para falar de minha admiração pessoal por Borges. O conheço desde minha cidade natal, São Luís do Maranhão e acompanho, claro, por ser jornalista e amante da música, sua trajetória e ensinamentos; muito mais que isso. Acompanho sua universalidade, inspirando gerações de músicos e construindo pontes culturais entre o Brasil e o mundo.

Por isso, torna-se impossível não falar aqui sobre a virtuosidade desse músico que imprime uma marca indelével na história do manejo do violão. Eu o qualifico de "o eterno moderno Borges".  Até mesmo me lembrei do amigo comum Chico Saldanha que me disse certa vez:

- Impressiona, Mhario, a técnica refinada e capacidade de concentração, quase sobrenatural, de João Pedro Borges.

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MHL.

Ao ler o livro sobre Borges, entendi mais sobre “essa concentração maior”. O mesmo Saldanha confidencia que, enquanto o pai de Borges, que era radiotécnico, consertava aparelhos em um local, dentro de casa, em meio à barulheira dos aparelhos, nosso músico esta alí, perto, fazendo suas escalas. Era só concentração nos estudos que fazia, concomitantemente. Ou seja, dentre essas e outras coisas, o instrumentista usa técnicas capazes de impactar profundamente os ouvintes, (e os amigos, como eu) transportando-os para um universo onde a música tem linguagem única, desconectando-o de ruídos externos.

O livro a que me referi acima é "João Pedro Borges-Violonista por Excelência", de Wilson Marques. E lá, ratifiquei o que havia escrito há alguns anos, em uma de minhas colunas no "Jornal Pequeno", sobre a excepcional e concetradíssima apresentação dele com Turíbio Santos (outro monstro sagrado), no Teatro Arthur Azevedo.

Significa dizer que a cada ano, Pedro Borges transforma seu instrumento em literal narrativa, onde cada composição é um capítulo de uma história que ajudou o músico a se eternizar na Academia Poética Brasileira, Cadeira de número 06, que, a partir da última reforma do Estatuto da APB, o tornou, meritoriamente - Paraninfo Imortal da dessa cadeira.  Assim, as pessoas que, no futuro, vierem a ocupar a Cadeira 06, terão como paraninfo-fundador, o imortal João Pedro Borges.

Que assim, seja!

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*Mhario LIncoln é presidente da Academia Poética Brasileira e editor-sênior da Plataforma do Facetubes.

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Carmen Regina DiasHá 2 anos atrásCascavelEstou encantada com esta matéria. Um violão nas mãos de um músico deste naipe gera o estado de êxtase, maravilhamento, encantamento, desejo de quero mais e mais e mais. Era só concentração nos estudos que fazia, concomitantemente. Ou seja, dentre essas e outras coisas, o instrumentista usa técnicas capazes de impactar profundamente os ouvintes, (e os amigos, como eu) transportando-os para um universo onde a música tem linguagem única, desconectando-o de ruídos externos. Palmas!!!
Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 2 anos atrásSão José de Ribamar Fico muito feliz com o sucesso de João Pedro Borges, fui casada com o fotógrafo Mobi, que foi amigo dele e que sempre o elogiava. Parabéns pelo excelente trabalho!
Cordeiro FilhoHá 2 anos atrásPor Whats App (S.Luís-MA)O violão de João Pedro Borges e meu velho companheiro de muitos anos. Ele é Clássico e aí mesmo tempo Popular. João Pedro conseguiu fazer uma carreira com esmero e dedicação. Não deixa de estudar um só dia, mesmo quando estava de férias passadas na minha casa, quando ainda morava no Rio de janeiro. Portanto, ele é um sensacional violonista!!!
Victor vieiraHá 2 anos atrásEmbu das artes -São PauloMerecida matéria. João Pedro Borges é um verdadeiro mago do violão. Não por realizar truques, mas por nos deixar encantados e fascinados com sua musicalidade, que com suas interpretações, nos comove e nos dá a verdadeira dimensão da obra. Sinto orgulho de ter sido seu aluno de violão por 6 anos, onde aprendi para além do violão, a verdadeira filosofia da música e da vida. Mestre da música por excelência e amigo acima de tudo. Orgulho maior ainda de ser ele o meu compadre. Parabéns querido irmão.
Julio GomesHá 2 anos atrásSão Luís/ MaranhãoConsidero João Pedro Borges (Sinhô, para os amigos mais chegados), assim me considero, e Turibio Santos, como os dois melhores Violonistas Clássicos, do Mundo! PARABÉNS SINHÔ!
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