
*Mhario Lincoln
Em uma jornada musical que atravessa fronteiras, o violonista brasileiro João Pedro Borges (maranhense), conquistou o Mundo. Especialmente os franceses com sua arte. Sua estreia ocorreu em Grenoble, cidade na histórica região Rhône-Alpes, no sudeste da França, logo após o lançamento de um disco gravado com a colaboração do engenheiro de som Olivier Jouy. O álbum chamou a atenção de um violonista da associação Guitare Actuelle, que convidou Borges para apresentar seu trabalho no país.
Desafiado a se diferenciar em um cenário cheio de grandes nomes do violão europeu, Borges optou por um repertório de música brasileira erudita e tradicional, incluindo obras de Marlos Nobre, Lina Pires de Campos e Villa-Lobos. O concerto, que também contemplou peças de João Pernambuco, Garoto e Paulinho da Viola, foi um sucesso estrondoso, atraindo professores de violão e alunos de diversas regiões francesas. A apresentação, realizada no museu da capela de "Santa Maria do Alto", foi tão aclamada que sofreu um atraso devido ao grande número de espectadores.
Além de seu impacto na França, Borges, conversando comigo no 'Whats App', me contou ainda, algo emocionante: após se mudar do Rio de Janeiro para Petrópolis, um amigo e ex-aluno lhe ofereceu um apartamento em Copacabana para dar aulas. Foi nesse local que o talentoso Rafael Rabello o procurou para aprimorar sua técnica, influenciado pelo flamenco de Paco de Lúcia. Borges, com sua experiência, orientou Rabello, contribuindo significativamente para o desenvolvimento do jovem músico.
A história de Borges se entrelaça ainda mais com a de Marcos André, outro violonista e ex-aluno, que anos mais tarde entrou em contato com Borges para compartilhar suas experiências musicais na Suíça. Curiosamente, um professor da Universidade de Genebra, fã de música brasileira, (foto) revelou a Marcos André sua admiração por um concerto de Borges em Paris, sem saber que ambos eram alunos do mesmo mestre.
Vale ressaltar que esse é o mesmo concerto da cidade de Grenoble, que o professor e amigo do Marcos André se referiu. Na época, ele foi de Paris para assistir Borges, no sudeste da França. A curiosidade é que o Marcos estudou com Borges e com o professor citado, da Universidade de Genebra. Essa coincidência ressalta a influência global do artista maranhense e a interconexão surpreendente entre músicos e admiradores da música brasileira.
Bom, queria fazer uma pausa nessa história para falar de minha admiração pessoal por Borges. O conheço desde minha cidade natal, São Luís do Maranhão e acompanho, claro, por ser jornalista e amante da música, sua trajetória e ensinamentos; muito mais que isso. Acompanho sua universalidade, inspirando gerações de músicos e construindo pontes culturais entre o Brasil e o mundo.
Por isso, torna-se impossível não falar aqui sobre a virtuosidade desse músico que imprime uma marca indelével na história do manejo do violão. Eu o qualifico de "o eterno moderno Borges". Até mesmo me lembrei do amigo comum Chico Saldanha que me disse certa vez:
- Impressiona, Mhario, a técnica refinada e capacidade de concentração, quase sobrenatural, de João Pedro Borges.
Ao ler o livro sobre Borges, entendi mais sobre “essa concentração maior”. O mesmo Saldanha confidencia que, enquanto o pai de Borges, que era radiotécnico, consertava aparelhos em um local, dentro de casa, em meio à barulheira dos aparelhos, nosso músico esta alí, perto, fazendo suas escalas. Era só concentração nos estudos que fazia, concomitantemente. Ou seja, dentre essas e outras coisas, o instrumentista usa técnicas capazes de impactar profundamente os ouvintes, (e os amigos, como eu) transportando-os para um universo onde a música tem linguagem única, desconectando-o de ruídos externos.
O livro a que me referi acima é "João Pedro Borges-Violonista por Excelência", de Wilson Marques. E lá, ratifiquei o que havia escrito há alguns anos, em uma de minhas colunas no "Jornal Pequeno", sobre a excepcional e concetradíssima apresentação dele com Turíbio Santos (outro monstro sagrado), no Teatro Arthur Azevedo.
Significa dizer que a cada ano, Pedro Borges transforma seu instrumento em literal narrativa, onde cada composição é um capítulo de uma história que ajudou o músico a se eternizar na Academia Poética Brasileira, Cadeira de número 06, que, a partir da última reforma do Estatuto da APB, o tornou, meritoriamente - Paraninfo Imortal da dessa cadeira. Assim, as pessoas que, no futuro, vierem a ocupar a Cadeira 06, terão como paraninfo-fundador, o imortal João Pedro Borges.
Que assim, seja!
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*Mhario LIncoln é presidente da Academia Poética Brasileira e editor-sênior da Plataforma do Facetubes.
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