
Renata Barcellos (BarcellArtes)
Quanto à Literatura Infanto-Juvenil, trata-se de um gênero literário voltado para crianças e jovens, abrangendo desde os primeiros anos de vida até a adolescência. Ela engloba uma variedade de formas textuais, como histórias fictícias, biografias, poemas, obras folclóricas e culturais, adaptadas para a faixa etária específica. Seu objetivo principal é apresentar temas relevantes e acessíveis, estimulando a imaginação, a criatividade e o desenvolvimento emocional e cognitivo dos leitores. A Literatura Infanto-Juvenil desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças e jovens, promovendo a imaginação, a empatia e o amor pela leitura. Através de histórias envolventes, a literatura infantojuvenil apresenta aos jovens leitores a riqueza da linguagem e os ajuda a compreender diferentes visões de mundo. Conforme Nilma Boechat (professora e escritora), é: “uma porta que se abre ao imaginário da criança. Ali nesse momento entre cavalos, cavaleiros, piratas, príncipes, princesas, e tantos outros personagens, ela viaja, imagina, cria, vê e enxerga além do que se passa no seu dia-a-dia. A criança que tem acesso a toda essa vivência literária, torna-se um adulto melhor, mais criativo, com linguagem rica, lê com boa dicção, escreve com vocabulário amplo, diversificado e terá facilidade de relacionar-se melhor com o mundo. É capaz de ensinar a outrem as lições aprendidas nos livros”.
Para divulgação da leitura e do livro infantil, Cecília Meirelles esteve à frente da primeira biblioteca pública infantil brasileira, localizada no Pavilhão ou Espaço Mourisco, inaugurada em 1934. Em 1931, quando Anísio Teixeira foi designado para a Diretoria Geral de Instrução Pública do Distrito Federal, três anos depois, convidou-a para criar e organizar a primeira biblioteca infantil pública do Brasil. Dessa forma, para divulgação da leitura e do livro infantil, estava à frente da primeira biblioteca pública infantil brasileira localizada no Pavilhão ou Espaço Mourisco (ficava localizada no final da avenida Beira Mar –atual enseada de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro), inaugurada em agosto de 1934. Parte do projeto de remodelação da cidade, durante o governo de Pereira Passos, o Pavilhão foi projetado pelo arquiteto Burnier.
O Mourisco foi criado para funcionar enquanto café-concerto, sendo muito frequentado pela sociedade carioca do início do século XX. Localizado na Praia de Botafogo na recém inaugurada, em 1906, Avenida Beira-Mar (Gazeta de Notícias, 13 de novembro de 1906), em frente à Rua Voluntários da Pátria, seu projeto foi do arquiteto e engenheiro francês naturalizado brasileiro Alfredo Burnier (18? – 1929). Em 1915, o prefeito Rivadávia Corrêa (1866 – 1920 ) cedeu o Pavilhão Mourisco, já mal conservado, para sediar chás e concertos dançantes, eventos beneficentes das Senhoras do Patronato de Menores. Em um deles, houve uma apresentação do músico Catulo da Paixão Cearense (1863 – 1946). A primeira feira livre de diversos gêneros no Rio de Janeiro foi instalada, em 17 de abril de 1921, junto ao Pavilhão Mourisco, e funcionava de 7 as 11 horas da manhã. Em 1926, o prédio foi cedido pela prefeitura para ser a sede da União dos Escoteiros do Brasil.
A biblioteca era composta por nove sessões: livros, gravuras, cartografia, recortes, selos e moedas, música e cinema, atividades artísticas, propaganda e publicidade e pesquisa. Também oferecia atividades culturais como cinema, música e cartografia e transformou-se em um Centro de Cultura Infantil. Para Cecília Meireles, a biblioteca não seria “uma simples reserva de livros catalogados e dados a ler às crianças, mas um local de encantamento e de pesquisa, “um órgão cooperador da educação primária” (A Noite, 17/05/1934). “Vamos mudar o nome. Biblioteca diz muito pouco das proporções a que vai atingir a esfera de ação desse departamento. Acho que iremos denominar ‘Centro de Cultura Infantil’. Aqui vai ser o Bureau da Criança, digamos assim”.
Em 1935, com a demissão de Anísio Teixeira, a biblioteca encontrou dificuldades para permanecer existindo. Dois anos depois, em outubro de 1937, em pleno vigor do Estado Novo, o Pavilhão Mourisco foi invadido pelo interventor do Distrito Federal e o Centro Cultural foi fechado. Rapidamente, o acervo de livros da biblioteca foi enviado para uma escola pública localizada no bairro da Urca. Finalmente, na década de 1950, o Pavilhão Mourisco foi demolido para a construção do Túnel do Pasmado.
Em 1964, Cecília Meireles inaugurou uma nova fase na literatura infantil brasileira ao lançar uma coletânea de poemas para crianças, chamada de Ou Isto Ou Aquilo.
Vale destacar e esclarecer quais são os precursores da Literatura Infanto-Juvenil no Brasil são Julia Lopes de Almeida com ‘Contos Infantis’, de 1886, e ‘Era Uma Vez’, de 1917 e Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), romancista, cronista, jornalista, poeta e um dos primeiros autores a adaptar os contos europeus para circulação no Brasil: de Charles Perrault, dos Irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen Em 1894, publica Contos da Carochinha, o primeiro livro infantil publicado no Brasil. Também foi o primeiro a publicar um livro infantil no Brasil, tendo traduzido e adaptado clássicos para a juventude como As mil e uma noites, Dom Quixote e Robinson Crusoé, além de vários contos dos Irmãos Grimm.
Carl Jansen (educador, militar, escritor e jornalista teuto-brasileiro) por traduzir clássicos como Robinson Crusoé, Viagens de Gulliver, As Aventuras do Celebérrimo Barão de Münchhausen e D. Quixote de La Mancha. Foi pioneiro ao traduzir, em português brasileiro, obras para a juventude, entre as quais romances de Swift, Defoe e Cervantes.
Em 1904, "Poesias Infantis", de Olavo Bilac (1865 a 1918 ) e “Através do Brasil”, editado em 1910, de autoria de Olavo Bilac e Manuel Bonfim. Entre outras obras, escreveu livros escolares e a tradução de alguns clássicos infantis: “O que mais desenvolveu minha imaginação e o que consolou as vagas e indefinidas tristezas da minha adolescência foi a leitura de Verne”.
Thales Castanho de Andrade (1890-1977) redigiu A Filha da Floresta’ (1918) e ‘Saudade’ (1919).
Em 1920, A menina do narizinho arrebitado" , de Monteiro Lobato (1882 a 1948). A obra é constituída por personagens e cenários brasileiros. Além de abordar temas relevantes para a cultura nacional, como a valorização do campo e a crítica social. Para Zilberman (2005), destaca-se a importância de Monteiro Lobato (1812 – 1948) por ser o primeiro escritor brasileiro a apostar no intelecto das crianças, valorizando a curiosidade e o poder de compreensão que elas possuem sobre determinados. Reconhecido por ter modernizado a literatura infantil brasileira, declarava que “gostaria de criar livros nos quais as crianças pudessem morar como ele havia morado no Robinson Crusoé e nos Filhos do Capitão Grant” na sua infância.
Em 1923, Cecília editou o seu primeiro livro para crianças: Criança Meu Amor.
Continuamente reeditado desde seu lançamento, em 1938, Cazuza é um livro que não envelheceu. Trata-se de um dos maiores sucessos da Literatura Infanto-Juvenil Brasileira. Esta é a história do menino que dá título ao livro e que, depois de adulto, resolve escrever suas memorias de infância. O menino Cazuza vive em um lugarejo do Maranhão, no final do século XIX, e realiza seu grande desejo de entrar na escola. Mas o primeiro dia de aula é uma grande decepção. Cazuza se depara com um ensino rígido, que usa a punição como principal ferramenta de controle dos alunos. O romance publicado pela primeira vez em 1938, relata vivências do próprio autor, o maranhense Viriato Corrêa. "Cazuza" questiona o ensino da época, os preconceitos e, com descrições leves e bem-humoradas, traz informações do Brasil e da sua história para o público infanto-juvenil.
No Brasil, a Lei nº 8.069/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é o principal marco legal que trata da proteção integral à criança e ao adolescente, incluindo o acesso à Literatura Infanto-Juvenil como um direito fundamental. Além do ECA, outras leis como a nº 10.639/2003 e a nº 11.645/2008 abordam a importância da inclusão de histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas na educação e, na literatura, incluindo a Infanto-Juvenil.
Por fim, de acordo, Zuleika Crespo (acadêmica da ACL -Academia Cabofriense de Letras e diretora da Biblioteca P.M.P.Walter Nogueira de Cabo Frio. Escritora em várias antologias), Literatura Infanto-Juvenil “ajuda a despertar a imaginação, além de aprender o que gira ao seu redor, mostrando que são capazes de conseguir e realizar seus desejos, aprendem valores que serão necessários ao longo de sua vida ajudando também em problemas emocionais!”.
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