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Afeganistão em fios: tapeçarias que narram a paz e a guerra

Com a colunista e ceramista MARI RODRIGUES.

17/07/2025 às 11h47
Por: Mhario Lincoln Fonte: MARI RODRIGUES.
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Colunista Mari Rdorigues
Colunista Mari Rdorigues

Editoria de Arte e Cultura da Plataforma Nacional do Facetubes/Colunista Mari Rodrigues (www.facetubes.com.br).

 

O Museu Oscar Niemeyer (MON) apresenta a impactante exposição Afeganistão – Tapetes de Paz e Guerra, em cartaz na Torre do Olho, com curadoria do colecionador Victor Nosek e colaboração do diplomata e professor Fausto Godoy. Em exibição até 10 de agosto de 2025, a mostra reúne 37 tapetes afegãos que, entre formas geométricas, cenas pastoris e ícones bélicos, revelam a força estética e simbólica de um país marcado por contrastes extremos.

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Mais do que objetos decorativos, os tapetes afegãos são registros sensíveis de um povo cuja arte caminha lado a lado com os rumos da história. Enquanto as peças mais antigas evocam a serenidade da vida rural e a geometria da tradição, as mais recentes escancaram o trauma dos conflitos bélicos, sobretudo do período entre 1970 e 1980, durante a invasão soviética. Nessas obras, a beleza convive com a dor — e a trama do fio se torna crônica da resistência.

 

Foto: Mari Rodrigues.

 

A exposição também exibe 32 joias típicas do cotidiano afegão, criando uma ponte entre o universo da tapeçaria e o corpo feminino, onde o ornamento também é linguagem cultural. Para a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika, a mostra é uma oportunidade rara de mergulhar em um saber milenar. Ela lembra que, após a doação de milhares de peças por Fausto Godoy, o MON passou a deter o maior acervo de arte asiática da América Latina, alinhando-se aos grandes museus internacionais que vêm redirecionando seu olhar para além do eixo europeu.

A secretária de Estado da Cultura do Paraná, Luciana Casagrande Pereira, destaca o papel do museu como espaço de diálogo, não apenas de conservação. Segundo ela, a iniciativa amplia as referências culturais do público ao dar visibilidade a expressões artísticas da Ásia e da África, hoje parte essencial da curadoria do MON.

Fausto Godoy, que atuou como embaixador do Brasil no Afeganistão, observa que a tapeçaria também reflete a geopolítica do país, situado em uma encruzilhada entre civilizações e religiões milenares. Ele provoca: “É preciso olhar para esses tapetes e perceber como é possível criar beleza mesmo na guerra.”

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Victor Nosek reforça a importância histórica da arte como testemunha do tempo. Os tapetes de guerra, diz ele, são uma dramática atualização de uma tradição que permanece viva entre tribos seminômades, capazes de transformar o trauma em matéria poética. Ao unir passado e presente em fibras e cores, a exposição desafia o espectador a enxergar a guerra não apenas como destruição, mas como parte de uma narrativa que a arte insiste em contar — e, talvez, transcender.

Editoria de Arte e Cultura da Plataforma Nacional do Facetubes/Colunista Mari Rodrigues (www.facetubes.com.br).

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JaimeHá 11 meses BSB/DFArtigo muito esclarecedor.
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