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Maranhense Marcos Sousa rompe barreiras e se torna bailarino da Ópera de Paris

A conquista de Marcos Sousa simboliza também a força transformadora da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, que lhe serviu de berço artístico.

08/08/2025 às 07h54 Atualizada em 08/08/2025 às 09h17
Por: Mhario Lincoln Fonte: Facetubes/arte.
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Imagem poética: Ginai/Mhl
Imagem poética: Ginai/Mhl

Editoria de Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/Agência Brasil.

 

Nascido em Grajaú, Maranhão, Marcos Sousa superou distância, pandemia e lesões para brilhar em Paris. Formado pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, ele faz história ao conquistar contrato vitalício como integrante do corpo de baile da Ópera de Paris.

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Da infância dançando quadrilhas juninas sob o céu de Grajaú aos holofotes da Opéra Garnier, a trajetória de Marcos Sousa, 18 anos, desenhou-se com perseverança e paixão. Nesta semana, o jovem bailarino maranhense tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar um contrato vitalício no corpo de baile da tradicional Ópera Nacional de Paris, uma das companhias de balé mais prestigiadas do mundo. A notícia, recebida em 28 de junho, abriu caminho para uma nova etapa em sua carreira fulgurante. Antes desse triunfo histórico, Marcos trilhou um caminho repleto de obstáculos.

Ainda menino no interior do Maranhão, ele já revelava a vocação para a dança ao se divertir nas quadrilhas juninas de sua cidade natal, Grajaú. Foi lá que o coreógrafo Timóteo Cortez o descobriu e, impressionado com seu talento natural, o convidou a ter aulas em uma academia local quando o garoto tinha apenas 10 anos. Mesmo após uma breve pausa de um ano, a chama da dança permaneceu acesa em Marcos. Com o apoio da família, ele retomou os treinos e, aos 12 anos, encarou a primeira grande oportunidade: uma audição para a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.

Em 2019, viajou à capital São Luís para a pré-seleção e, mais tarde, a Joinville (SC) para a fase final – retornando vitorioso com a vaga conquistada. A mudança para Joinville em 2020 marcou o início de um período de crescimento árduo e transformador. Longe de casa e da mãe pela primeira vez, Marcos precisou amadurecer depressa. A saudade e as diferenças culturais eram desafios diários, logo agravados pela chegada da pandemia de Covid-19 apenas dois meses após o início de seus estudos. Sozinho em terra desconhecida e com aulas suspensas, o jovem manteve o foco e a disciplina que o balé exige. “Jamais lhe faltou perseverança”, diriam os que o conhecem.

No ano seguinte, a mãe pôde se mudar para Joinville, dando-lhe suporte emocional enquanto ele brilhava nos palcos estudantis. Marcos se destacou em apresentações da escola e provou tamanha evolução técnica que foi promovido de turma antecipadamente, encurtando em um ano sua formação no Bolshoi. Era o prenúncio de voos mais altos. O sonho de Paris começou a tomar forma quando Marcos decidiu, por iniciativa própria, buscar uma chance na venerada École de Danse de l’Opéra de Paris. Em 2022, munido de coragem e humildade, enviou um e-mail – primeiro em inglês, depois em francês – perguntando sobre a possibilidade de uma audição.

A resposta chegou no dia de seu aniversário, 5 de abril de 2023: um convite para audicionar na capital francesa. Marcos viajou à Paris acompanhado de Germana Saraiva, sua primeira professora no Bolshoi brasileiro, em quem confia plenamente. Quatro dias antes da prova, porém, o destino o testou com uma entorse no tornozelo direito. Longe de desistir, ele redobrou os cuidados com fisioterapeutas, controlou a dor e apresentou-se na audição mesmo assim. Diante de avaliadores exigentes, superou a barreira do idioma e mostrou sua técnica moldada no rigor russo. Ao final da sessão, ouviu da diretora Élisabeth Platel a notícia tão sonhada: havia sido admitido na escola francesa, para iniciar em setembro daquele ano.

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Marcos mal podia acreditar – a porta para o mundo acabava de se abrir. A temporada de estudos em Paris foi intensa, um rito de passagem em meio a desafios e aprendizados. Nos primeiros meses, Marcos lutou para se adaptar a um novo método de balé, uma nova língua e uma cidade grandiosa, enquanto lidava com a saudade dos amigos de Joinville. Mas a cada aula ele reafirmava seu lugar. Em poucos meses, a dedicação excepcional rendeu frutos: a direção da escola, impressionada com seu progresso, promoveu-o diretamente para um nível acima, abreviando de três para dois anos sua formação na Ópera de Paris.

Nem mesmo uma lesão no ligamento do tornozelo esquerdo, em novembro de 2024, foi capaz de frear seu ritmo. Marcos ficou dois meses longe da barra e do palco, recuperando-se com afinco, e voltou a dançar no final de janeiro de 2025, determinado a recuperar o tempo perdido. Em abril de 2025, viveu um dos momentos mais emblemáticos de sua jovem carreira: no mítico palco da Ópera Garnier, dançou um duo no espetáculo de fim de ano ao lado do paulista João Pedro Silva – dois brasileiros unidos por uma sintonia rara.

A diretora reconheceu a energia especial da dupla, coroando a apresentação. Esse brilho nos palcos parisienses antecedeu o derradeiro desafio que se aproximava: conquistar um lugar definitivo na companhia dos sonhos. No dia 28 de junho de 2025, com o diploma da École de Danse em mãos, Marcos apresentou-se ao concurso anual de ingresso no Ballet de l’Opéra National de Paris. Durante 45 minutos, executou exercícios técnicos complexos sem o apoio da barra, seguido de saltos virtuosos no centro do salão e uma variação solo de A Bela Adormecida (coreografada por Rudolf Nureyev) – uma escolha clássica e desafiadora.

A tensão deu lugar à euforia quando a lista dos aprovados foi afixada na parede e seu nome brilhava entre os selecionados. Dos candidatos de sua turma, apenas três rapazes – incluindo ele – e quatro moças conquistaram o cobiçado contrato. Era oficial: Marcos Sousa integraria em definitivo o elenco do balé da Ópera de Paris, com contrato vitalício garantido até a idade de aposentadoria. Emocionado e incrédulo, o jovem conta que os pensamentos giraram “como um carrossel” em sua mente ao ver o resultado.

A primeira ligação foi para a mãe, sua maior apoiadora, seguida por uma chamada para a professora Germana. Entre risos e lágrimas, celebraram juntos a realização de um sonho que, há poucos anos, parecia distante como a própria Paris. A conquista de Marcos simboliza também a força transformadora da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, que lhe serviu de berço artístico. Fundada em 2000 em Joinville, Santa Catarina, como a única extensão do Bolshoi fora da Rússia, a escola forma gratuitamente cerca de 260 alunos do Brasil e de países vizinhos, difundindo a excelência do balé clássico e oferecendo oportunidades a jovens talentosos de todas as origens.

Mais de 70% dos seus egressos atuam profissionalmente na dança, prova de que a arte pode mudar destinos – como mudou o de um menino maranhense apaixonado pelo balé. Agora, com 18 anos e um futuro luminoso pela frente, Marcos Sousa prepara-se para retornar a Paris no dia 20 de agosto e se juntar ao corpo de baile na abertura da nova temporada, dia 26. No majestoso repertório de estreia está Giselle, clássico dos balés românticos. Marcos nunca dançou Giselle, mas sempre a admirou das coxias. Em breve, pisará novamente o palco dos seus sonhos – não mais como estudante, mas como profissional amparado por um contrato vitalício – e cada passo será a celebração poética de uma jornada singular, tecida de talento, coragem e perseverança.

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Salgado Maranhão Há 10 meses WhatsApp Que orgulho! Viva ele! Viva o nosso Maranhão!
Judith Bittencourt Há 10 meses WhatsApp Acredito que Marcos Sousa seja o reflexo da emanação divina, e reluz sua luz nos palcos dos seus sonhos. Meu embevecimento e gratidão ao maranhense que alçou voos através do balé clássico.
Silvânia Tamer Há 10 meses São Luís WhatsApp Que história linda e de superação. Que Deus abençoe a vida do Marcos. Parabéns pela bela matéria.
Romualdo VicenteHá 10 meses Curitiba PrO Marcos é um bailarino impecável. Merecedor dos aplausos. A Bernadéte Costa acompanhou o desenvolvimento dele na escola. Soube aproveitar a oportunidade que se abriu na vida dele. Um talento!
JaimeHá 10 meses BSB/DFPresidente ML, sempre pinçando, notícias magníficas, como essa acima. Aplausos de Pé ao senhor e ao bailarino, pela conquista. Parabéns!!!
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