
SEGUNDA POÉTICA
Simplesmente é uma honra para a Editoria de Literatura e Arte receber tantas indicações (durante a semana) de poetas que fizeram emocionar esses leitores, com seus poemas. Por isso, ao longo desse período separamos os 5 nomes mais comentados e publicamos todas as Segundas-Feiras.
Deliciem-se, pois, com a poesia exuberante desses cinco poetas grandiosos, abaixo. Cada um, com seu gênero e suas digitais afiadas:
Saudade
GRACILIENE PINTO
Será saudade esse vulto
Que as vezes me assombra a alma,
Afaga com a meiga palma
E embala como a canção?
É algo assim como um culto,
Uma devoção pungente
Que reza dentro da gente,
Como fervente oração.
Que dá vida a uma lembrança,
Traz ao olfato um perfume,
No peito põe doce lume
Aquecendo o coração,
Coreografando a dança
De uma melodia vaga
Que fremente o peito afaga,
Balé da recordação.
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Pés de Carvão
MARCIO GLEIDE
Ela falou que eu era poeta, cheio de lírica e realismo no que escrevia.
Nem sabia que o que escrevia era estrofes ou redondilhas... mas ela sabia.
Pois aprendi correr por aí mais do que deixavam um neguinho caminhar.
A corri sendo poeta rabiscando a cara da sociedade hipócrita.
Teve tempos de não ter calçado para adentrar a sala de aula.
Quando uma delas deu o salve a criançada... quem tem um sapatinho ou um tênis que vocês não usam mais para trazer pro amiguinho, pois está muito frio esses dias.
E o amiguinho Lorival, o qual não vejo depois daqueles tempos de escola me trouxe logo três pares... um deles uma bota de Xerife do velho Oeste, de couro...estrela e tudo.
Minhas professoras foram minhas bússolas para trilhar horizontes...
Me guiaram para o caminho do bem.
Ao caminho correto minha rainha já tinha dito suas palavras amorosas.
E por nada iria eu contrariar seus ensinamentos.
Assim saio rabiscando chãos de terra, estradas e rodovias.
Levantando irmãos que caíram pelo caminho quando pude e levantarei até quando puder.
Vou por aí rabiscando meus pensamentos e filosofias que a rua me ensinou.
Vou por aí desenhando histórias com meus pés de carvão.
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Tanatose
OSMAROSMAN AEDO
Enquanto brincam de esconde-esconde
Com o futuro das probabilidades,
As esquinas, envaidecidas por tantas luas nuas
Esmorecem suas tentativas
Em querer tanto alcançar as ruas
Que chegam a negar abrigo ao sobrado centenário
Que guarda sigilosos segredos que ficaria eu, temeroso
Por não a permitir seguir adiante.
Enquanto a sombra
Fingir-se discreta e acobertar os dias,
Nada ficará de pé diante da luminosidade
Ainda que montem tendas de deserto
Ao oeste dos oásis
Enquanto de sede soterrarão as dunas.
Aí cai um susto distante da realidade
E ao tentarem reanimá-lo
Sofrem a decepção de ser o susto
A causa de insônia da morte.
...o espelho reflete sem arrependimento...
...o reflexo se contorce, inerte...
Do meu livro: DIÁRIO DO AMANHÃ (cápsula sem tempo)
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Balanço
ANGELA HADADE
Sempre penso no que não fiz:
porque nem consegui imaginar,
porque quis e não soube realizar,
porque não me esforcei o bastante para saber,
porque limites do corpo
e estados da alma
impediram-me de tentar.
E por tantas outras razões,
paralisei em vez de avançar.
No balanço geral,
encontrei pouco, quase nada
e uma sensação de desperdício,
um sentimento de vazio que ecoa.
Tenho feito menos do que podia,
muito menos do que queria.
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Saudade na Alma
ROSA LEME
Saudade na alma
Sim saudade
Não sei do que
Paixão talvez?
Saudade, vontade de ir
Não sei para onde.
Todos os dias são assim
À tarde declinando,
O som do vento e do mar...
Os sons são tormentos...
A lembrança doida
Entra casa adentro
E a tarde vem desmaiando...
A tarde traz dor no coração,
Encanto nos olhos,
E uma saudade doída na alma!
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