
*Matéria produzida pela Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes, com colaboração do poeta e escritor Luis Augusto Guterres)
A Academia Sueca anunciou nesta quinta-feira (9 de outubro de 2025) que o húngaro László Krasznahorkai é o laureado com o Prêmio Nobel de Literatura 2025, em razão de uma obra descrita por seus avaliadores como “convincente e visionária, que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”.
Krasznahorkai, nascido em 5 de janeiro de 1954, em Gyula, Hungria, ocupa hoje o lugar de segundo escritor húngaro a conquistar o Nobel — o primeiro foi Imre Kertész, laureado em 2002.
Ao longo de sua carreira, publicou romances densos, de procedimento formal rigoroso e tom existencial: entre eles, Sátántangó (1985), Melancolia da resistência (1989) e Seiobo There Below (2008).
Sua obra se caracteriza por frases longas, muitas vezes extensas a ponto de abranger capítulos inteiros, com poucos cortes — recurso que reforça uma sensação de imediatez e de vertigem interior.
Em Sátántangó, obra que o projetou ao reconhecimento internacional, Krasznahorkai explora um vilarejo isolado e decadente, onde as relações de poder e as ambiguidades morais se entrelaçam em clima de fim de mundo.
A influência dessa narrativa se estendeu ao cinema: o cineasta Béla Tarr adaptou Sátántangó em um filme em preto e branco com cerca de sete horas de duração.
Outros romances seus dizem respeito à desintegração social e política. Melancolia da resistência pode ser lido como alegoria crítica do comunismo, ao narrar a chegada de um circo a uma cidade marcada por símbolos de abandono e ordem corroída.
Em Herscht 07769, publicado em 2021, Krasznahorkai desloca a ação para uma pequena cidade no leste da Alemanha, mergulhando em tensões post-industriais, anarquia e violência, com precisão quase documental em seu retrato social.
Sua mais recente incursão ficcional em Zsömle Odavan retorna ao pano de fundo húngaro, agora através de figuras como Józsi Kada, de 91 anos, que carrega uma reivindicação secreta ao trono enquanto tenta desaparecer do mundo.
Em sua entrevista concedida após a premiação, Krasznahorkai disse que a notícia o surpreendeu — estava em Frankfurt, visitando um amigo enfermo, quando recebeu o telefonema de Estocolmo.
Ele afirmou sentir orgulho por poder agora pertencer à linhagem de grandes escritores e poetas, e destacou que “sem fantasia, é uma vida absolutamente diferente” — atribuindo ao ato de ler o poder de nos sustentar em tempos difíceis.
O comitê do Nobel elogiou Krasznahorkai como um escritor épico da tradição da Europa Central, em linha que vai de Kafka a Thomas Bernhard, marcado por um “absurdismo e excesso grotesco”.
Para eles, sua obra oferece uma rebelião estética diante da desesperança — reafirmando que a arte pode resistir mesmo em contextos de apocalipse.
Com essa distinção, Krasznahorkai receberá a medalha e o diploma durante a cerimônia em Estocolmo no dia 10 de dezembro.
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