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As palavras (calão ou baixo calão) usadas por Portugal, após o Grande Terremoto?

Professor Marco Neves, direto de Lisboa (portugal) para a Plataforma Nacional do Facetubes

12/10/2025 às 11h37 Atualizada em 12/10/2025 às 11h47
Por: Mhario Lincoln Fonte: Marco Neves
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Capa doi livro citado. (Original do texto).
Capa doi livro citado. (Original do texto).

Marco Neves

Alguma vez pensou como era o calão da época do terramoto? Não o português bem-comportado de grande parte dos livros da época, mas antes o que as pessoas diziam no dia-a-dia, na rua, entre amigos, entre familiares?

 

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Há um livro precioso, escrito no século XVIII, poucos anos depois do terramoto, que se chama Enfermidades da Língua e foi escrito por Manuel José de Paiva. Depois de um discurso (provavelmente irónico) sobre as maleitas da língua, o autor apresenta uma lista de 4000 expressões e palavras que não se deveriam usar — que deveriam ser eliminadas da língua.

 

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A tal lista é uma recolha de calão ou de palavras mais informais da época e é engraçado ver como algumas delas ainda são usadas, enquanto outras desapareceram por completo (e nem sabemos bem o que significam). A língua borbulha, há muito que desaparece e há umas quantas palavras ou expressões que ficam... Vou dar dez exemplos, sem mais comentários:⁠

 

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Bumba catumba.Bimbalhada.
Custou-lhe os olhos da cara.
Anda com a creca à mostra.
Deus te pregue os miolos de uma parede.
Afincou-lhe quatro lambadas.
Ficou mamado.
Vai guardar os pintos ao cura.
Migou-lhe os focinhos.
Mamou-lhe o dinheiro.

 

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Os falantes estão sempre a inventar (e ainda bem). Algumas dessas invenções desaparecem rapidamente, outras ficam e tornam-se parte da tradição da língua. Pelo que vemos, “afincou-lhe quatro lambadas” é bem mais tradicional do que parece.

Em tempo: o livro foi reeditado recentemente, numa edição ao cuidado de José Teixeira (Edições Húmus).

 

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O autor.

*********

MARCO NEVES: (Certas Palavras [email protected]

NOVAS PALAVRAS: Este é um projecto pessoal onde partilho a minha paixão pelas línguas e culturas. Para apoiar este trabalho.

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