
Editoria de Pesquisa e Extensão do Facetubes c/Mhario Lincoln.
Hoje, neste domingo, 9.11.2025, o circo da Fórmula 1 se instala para mais uma prova. O Circuito brasileiro de Interlagos tem o nome “José Carlos Pace” e foi ele, um dos primeiros brasileiros a se destacar nesse esporte que disse: “nada melhor que um bom livro para melhorar a concentração da prova seguinte”.
Deve-se concluir, então, que ler um bom livro deve ser, também, parte do treino invisível de grandes pilotos de Fórmula 1. Será isso verdade? Basta atentar para o fato de que atletas de alta performance, como esses pilotos, precisam de corpo, reflexos e telemetria. Porém esses pormenores não sustentam sozinhos os pódios (pegando o gancho de Pace). É preciso repertório, clareza mental e um vocabulário interno que organize pressão, medo e ambição.
Então, neste 9 de novembro de 2025, o grid que acelera a mais de 300 km/h também desacelera nas páginas: biografias, clássicos de estratégia e memórias esportivas ajudam pilotos a pensar melhor, decidir mais rápido e sustentar a identidade quando tudo vibra ao redor.
Bom confirmar isso, porque não é mito de vestiário. A boa leitura educa a atenção, dá linguagem às emoções e aprofunda o senso de propósito — três combustíveis raros em temporadas longas. Como resumiu Pelé, outro grande atleta de altíssima performance: “(...) sucesso não é acaso; é trabalho duro, perseverança, aprendizado, estudo, sacrifício e, sobretudo, amor pelo que você faz”. A frase costura talento, formação contínua e satisfação genuína no ofício — exatamente o que separa lampejo de consistência.
Desta forma, o que realmente leem os artífices da Fórmula 1, após seus motores serem desligados?
Lewis Hamilton (o mais brasileiro dos ingleses), visita “O Alquimista”, de Paulo Coelho, como quem volta a um mantra de estrada. Um pastor segue um sonho e descobre que o tesouro está no caminho — narrativa simples que acende propósito e resiliência, duas palavras-chave do heptacampeão.
Max Verstappen mergulha no universo de Johan Cruyff, lendo a autobiografia “My Turn” e o livro de ideias do craque holandês. Bastidores, filosofia de jogo, liderança e simplicidade como vantagem competitiva — um espelho útil para um piloto direto, que dribla o supérfluo e foca na execução.
Fernando Alonso (apelidado de “vovô garoto”, por correr ainda nas pistas, apesar da idade), escolhe “Open”, as memórias de André Agassi. É esporte como autópsia emocional: talento, rejeição, reinvenção e a dureza de competir quando o corpo cobra juros. Para quem envelheceu bem nas pistas, o livro oferece uma ética da longevidade que evita romantismo.
Carlos Sainz também ficou com “Open”. A confissão sem verniz de um ídolo do tênis vira manual de autoconhecimento aplicado: treinar a cabeça, metabolizar pressão, aceitar cicatrizes. É leitura que casa com um ferrarista metódico, mais artesão do que artista.
Sergio Pérez (volta a correr no ano que vem), para no espanhol “Urbrands”, de Risto Mejide, tratado pop sobre construir marca pessoal “como se projeta uma cidade”. Marketing, coerência e imagem pública em tempos de fábrica de narrativas — útil para um latino disputando espaço no time-espetáculo do circo da Fórmula 1.
Pierre Gasly aposta em “The Core”, do médico Aki Hintsa: desempenho como círculo virtuoso de saúde, propósito e rotina. O livro troca o mito do herói exausto pelo atirador paciente: dorme melhor, come direito, treina com sentido — e o resto vem.
Lance Stroll (o príncipe) leu “Rafa”, a autobiografia de Rafael Nadal. Uma jornada de dor controlada, obsessão pelo ponto seguinte e humildade técnica. Para quem cresceu sob dificuldades de afirmação, Nadal oferece a pedagogia do trabalho, aquela que não grita, mas aparece no placar.
Nico Hülkenberg (o alemão) admitiu ter lido “um livro sobre Donald Trump” — curiosidade política, sem fetiche. Mais do que preferência literária, é termômetro do mundo que circunda o paddock: poder, mídia, narrativa. Serve para lembrar que corrida nenhuma acontece no vácuo.
Bom, e o nosso único piloto brasileiro a correr, hoje, no Circuito de Interlagos, a partir das 13.30h? Pelo que há em fontes abertas, não foi encontrado nenhum registro público confiável (oficial) do que o Gabriel Bortoleto leu ou está lendo. Nas entrevistas e perfis pesquisados, o que aparece para as horas de folga é sobretudo treino técnico e estudo em simulador (ele já disse passar 8–10 horas por dia nisso). Porém, ele já fez referência a Ayrton Senna, onde alguns livros sobre ele, já publicados, são suas fontes de inspiração. Contudo, não citou quais livros, especificamente.
O interessante, enfim, é confirmar que a maioria das pessoas que tem superperformances, seja em que esporte for, ou mesmo os chamados de atletas intelectuais, buscam a leitura (seja física ou digital) para melhorarem os dons recebidos dos Céus.
Vale chamar, destarte, para a mesma mesa Joseph Addison, ensaísta e político inglês, nascido em Milston, Wiltshire, Inglaterra que escreveu: “(...) leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo”, em matéria publicada no “The Tatler”, um periódico fundado por ele e por Richard Steele.
Que ganhe, o melhor!
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Fontes: entrevistas da série “The Secret Life of…” e perfis oficiais em Formula1.com; escolhas de leitura citadas pelos próprios pilotos; e, no caso de Hamilton, referência direta à obra de Paulo Coelho no portal da F1.
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