Hoje, "Um Conto de Natal", de Charles Dickens. (01)
Matéria da Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes.
“muda-se um homem, não o sistema”
Clássicos universais e uma joia brasileira mostram como a literatura natalina atravessa séculos, mistura fantasia e crítica social e renova todos os anos a pergunta essencial: o que realmente celebramos em dezembro?
O Natal que o mundo aprendeu a reconhecer como tempo de compaixão, generosidade e reconciliação tem, em grande medida, a marca de um livro: Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Na figura do avarento Scrooge, visitado por três fantasmas na noite de 24 de dezembro, o autor inglês não apenas criou um personagem imortal, mas ajudou a moldar o imaginário moderno sobre o “espírito natalino”. Curto, direto, repleto de imagens de uma Londres vitoriana desigual, o texto continua funcionando como excelente leitura em voz alta em família, ano após ano, quase como um ritual laico.
Mas há de se observar dois aspectos primordiais:
1. O uso dos três fantasmas como “máquina do tempo moral”: não são apenas figuras sobrenaturais assustadoras. Cada espírito obriga Scrooge a ver o tempo de um jeito diferente. O passado revela feridas e escolhas que o endureceram; o presente escancara a vida dos outros afetada pela avareza dele; o futuro mostra o vazio que ele deixará. É uma espécie de “julgamento existencial” sem tribunal. O próprio Scrooge se vê como réu e juiz ao mesmo tempo. O intrigante é que Dickens transforma uma experiência mística em um processo psicológico muito verossímil de tomada de consciência.
2. A tensão entre crítica social e redenção individual: o conto denuncia a miséria da Londres industrial, o abandono dos pobres, o cinismo do mercado e a caridade hipócrita — tudo isso está ali. Mas a solução narrativa é profundamente pessoal: muda-se um homem, não o sistema. Scrooge passa de explorador a benfeitor quase da noite para o dia. "É exatamente aí que reside uma das grandiosidades dessa história e me gerou uma pergunta incômoda, quando o li: Dickens está sugerindo que basta 'um coração bom' para consertar injustiças estruturais, ou está usando a transformação individual de Scrooge para provocar justamente a nossa responsabilidade social mais ampla? Essa ambiguidade é um dos nervos mais fascinantes da obra", diz o editor Mhario Lincoln, ouvido pela equipe, sobre a obra.
Internacional FT Mulheres que escreveram a Espanha por dentro e com muita coragem
A MÚSICA DE MHL Rede Facetubes decide criar página no Facebook para guardar as mais de 100 letras musicais de MHL
INTERNACIONAIS Livrarias japonesas viram destino cultural e apontam nova rota para o mercado do livro
11 de SETEMBRO Além da tragédia de 11 de setembro de 2001, nos EUA: dois livros brigam por credibilidade, 25 anos depois
LEIÇÕES ACADÊMICAS Brasil e França vão eleger novos imortais no mesmo dia: sucessões de Zuenir Ventura e Vargas Llosa movimentam academias
Especiais Especial: “(...) a artista Susana Pinheiro me ensinou a compreender uma tela”, de Mhario Lincoln Mín. 10° Máx. 19°
Mín. 10° Máx. 17°
Tempo nubladoMín. 11° Máx. 21°
Tempo nublado
Colunista Socorro Guterres COMO UM CÃO: O ABSURDO JURÍDICO EM O PROCESSO
Coluna de RUY PALHANO Dr. RUY PALHANO em texto que fala profundamente sobre a “perda do sentido e o vazio exsistencial”
Academias Brasil/Exterior Coirmãs João Ewerton celebra 50 anos de pintura e revela, em sete fases, as raízes culturais do Maranhão
Coronel Carlos Furtado De Carlos Furtado:“A DIFÍCIL ARTE DE SER POETA”