Mhario Lincoln
Hoje (05.03.2026), o jornalista José Salim, aplaudido em todo o Maranhão, completa 80 anos. Fomos colegas enquanto eu atuava na imprensa escrita e diária em minha terra natal, São Luís-MA, fato que me deu experiência para continuar minha profissão em terras curitibanas, onde estou há 20 anos. Mas o importante é que José Salim sempre esteve ao nosso lado em todos esses anos; e neste 05 de março de 2026, ele chega aos 80 anos ainda mais disposto a continuar seu legado aqui neste Planeta-Vida.
Por isso, tomo a liberdade de homenageá-lo mostrando duas entrevistas que me deram muito prazer em fazê-las. Uma, com ele mesmo em sua casa, quando estive na Ilha, acho que em 2024. A outra foi uma exclusiva que fizemos nos estúdios da então “TV Artesanal”, já embrião da TVFacetubes, em 2009 (ainda em VHS), com Hercílio Luz como cinegrafista. O grande entrevistado (coisa rara) foi Bita do Barão, famoso por receber em sua Codó-MA dezenas de artistas, famosos e políticos para consultas.
Bom frisar que Bita era ligado ao “Terecô”, uma variação da Umbanda, que acabou por consolidar-se no Brasil como uma das expressões religiosas mais influentes na formação cultural do país, especialmente por sua capacidade de dialogar com diferentes tradições espirituais e por sua presença constante na vida pública.
Na verdade, pelos dados mais recentes e oficiais disponíveis hoje (Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE em 6 de junho de 2025), a Umbanda não aparece isolada: ela entra no grande grupo “Umbanda/Candomblé”, que inclui outras religiões afro-brasileiras, como o Terecô, linha de gira de Codó-MA, onde o grande destaque era Bita do Barão. O instituto aponta um crescimento de 1,0% na população brasileira.
Esse 1,0% não representa pouca coisa. Aliás, as religiões de cunho afro-brasileiro mais que triplicaram, se comparadas a 2010, por exemplo, quando eram 0,3%. Dessa forma, Pais e Mães de Santo tornaram-se figuras de referência não apenas para comunidades locais, mas também para artistas, empresários, colunáveis e políticos que buscavam aconselhamento espiritual, proteção ou simplesmente uma leitura simbólica dos desafios que enfrentavam. Essa interlocução ajudou a projetar a Umbanda para além dos terreiros, inserindo-a no cotidiano de personalidades públicas e ampliando sua visibilidade nacional.
Pois, pensando nessa ascensão (ainda em 2009), apontamos todas as possibilidades de conversar com Bita do Barão em um momento estratégico em que já se vislumbrava um crescimento significativo da religião afro, especialmente no Maranhão. A entrevista completa durou mais de 2 horas. Muitos assuntos foram levantados, inclusive o sucesso no exterior da Tenda Espírita de Umbanda Rainha Iemanjá, que ainda recebe visitantes de diversos países, movimentando a economia local e projetando o município maranhense de Codó internacionalmente.
A entrevista, na verdade, é um documento histórico (a última entrevista de Bita do Barão para uma TV independente), pois reforça a dimensão pública que Bita do Barão alcançou. Por essa razão, quando José Salim, parceiro nessa entrevista histórica, completa 80 anos, nada melhor do que relembrar (em dois minutos) alguns aspectos interessantes dessa entrevista com Bita. A outra entrevista é com José Salim mesmo. Uma conversa direta e destemida que tivemos em uma tarde chuvosa no bairro Vinhais Velho, onde ele reside.
COM BITA DO BARÃO (2009)
COM JOSÉ SALIM (quase Catarse).
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