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Flora Guilhonm: “Pessoas brilhantes permanecem pequenas quando a necessidade de admiração vence o crescimento pessoal”

Um das armadilhas atuais mais agressivas:“Inteligência sem humildade vira fronteira fechada” (FG).

11/05/2026 às 09h23 Atualizada em 11/05/2026 às 09h32
Por: Mhario Lincoln Fonte: Dra. Flora Guilhomm,
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arte: mhl/ginaiFT
arte: mhl/ginaiFT

Manchete
EXCLUSIVO: Plataforma Nacional do Facetubes c/ Dra. Flora Guilhonm, orientadora ocupacional, England, United Kingdom, correspondente da Plataforma Nacional do Facetubes. (Tradução livre: jornalista Mhario Lincoln. Profissional MTb-1015-MA).

 

“O egóico quer ser alimentado. Precisa de autoelogio, de aplauso, de plateia, de comparação vantajosa. Quando não recebe esse alimento, reage com irritação, desprezo ou fuga. É nesse ponto que a inteligência perde para a vaidade”. (FG).

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A grande discussão da semana, aqui em todo Reino Unido, foi sobre as ações egóicas que têm transformado instituições literárias, legais, e coletivas em uma batalha de egos e sobre-egos, fato que tem causado grande prejuízo à comunidade britânica e aos cofres oficiais em razão de algumas brigas externas, homéricas – “do eu sou melhor; eu faço melhor"! Na verdade, em pleno século XXI, onde a máquina inteligente já se incorporou ao universo cultural das pessoas, ainda há aqueles, que, mesmo sabendo muito, lendo muito, falando bem em público, impressionando pela memória, pelo repertório e pela rapidez com que organizam ideias, não conseguem atravessar a própria fronteira. E continuam estagnados em seu próprio mundo ou em uma comunidade falsa que lhe aplaude por obrigação.

Vivem cercadas por uma muralha invisível, feita de vaidade, comparação, ressentimento e medo de perder o lugar imaginário que construíram para si mesmas. São inteligentes, mas não crescem. Têm conceito, mas não têm expansão. Possuem informação, mas lhes falta a parte mais difícil do conhecimento, que é a capacidade de se corrigir.

A psicologia ajuda a entender esse paradoxo. O que no uso comum chamamos de “ego doentio” pode se aproximar, em certas situações, de traços narcisistas ou de padrões rígidos de personalidade, sem que isso autorize diagnosticar qualquer pessoa fora de avaliação clínica. O NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, explica que transtornos de personalidade envolvem formas de pensar, sentir e se comportar que podem causar sofrimento ou dificuldades persistentes nas relações.

O Royal College of Psychiatrists também ressalta que, mais do que um rótulo, a avaliação deve buscar uma formulação ampla da vida da pessoa, de suas relações e de suas dificuldades. O drama é que esse tipo de ego não quer apenas ser reconhecido. Ele quer ser alimentado. Precisa de autoelogio, de aplauso, de plateia, de comparação vantajosa. Quando não recebe esse alimento, reage com irritação, desprezo ou fuga. É nesse ponto que a inteligência perde para a vaidade. A pessoa sabe argumentar, mas não sabe ouvir. Sabe defender sua imagem, mas não sabe reformar sua conduta.

Por isso, algumas pessoas ótimas nunca sobem os degraus da própria evolução. Elas estudam, acumulam títulos, vencem debates, citam autores, dominam técnicas, mas continuam presas ao mesmo andar moral. O ego puxa para baixo porque transforma qualquer convivência em disputa. O outro deixa de ser parceiro, amigo, colega ou semelhante. Vira ameaça, sombra, concorrente. E quem vive ameaçado pelo brilho alheio acaba reduzindo o mundo ao próprio reflexo.

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Ainda o Royal College of Psychiatrists observa que a compreensão clínica desses quadros deve considerar a história da pessoa, seus relacionamentos, seus mecanismos de defesa e suas formas de lidar com sofrimento, conflito e frustração. Essa instituição destaca que o cuidado adequado passa por metas possíveis, aliança terapêutica, plano de crise, avaliação de riscos e continuidade de acompanhamento. Isso importa porque o chamado “ego doentio”, quando se torna rígido, não é apenas vaidade. Pode virar modo de funcionamento que fere vínculos, desorganiza convivências e impede o reconhecimento do outro.

Daí nasce a ausência de compromisso coletivo. O ego adoecido não pergunta o que pode construir com os demais. Pergunta o que pode ganhar deles. Não reconhece o esforço compartilhado. Apropria-se do resultado, foge da responsabilidade e reivindica aplausos por conquistas que muitas vezes nasceram do trabalho alheio. Quando algo dá certo, quer a fotografia. Quando algo dá errado, procura culpados. É uma inteligência que aprendeu a se proteger, mas não aprendeu a servir.

Há tratamento quando existe sofrimento, prejuízo nas relações, conflitos repetidos no trabalho, explosões diante de críticas, manipulação, incapacidade de reconhecer limites, uso recorrente dos outros como instrumento de validação ou sensação permanente de injustiça quando não há admiração.

Esse ego exacerbado é uma doença. E pode ser tratada. A NICE, instituição britânica que orienta boas práticas em saúde e cuidado, defende que pessoas com transtornos de personalidade, especialmente nos quadros estudados com maior profundidade, tenham acesso a terapias psicológicas e participem da escolha do tipo, duração e intensidade do tratamento. A Mind também indica abordagens abordagens como DBT, (Terapia Comportamental Dialética), voltada ao manejo de emoções intensas, comportamento e mudanças práticas na vida.

No campo específico do narcisismo patológico, há produção clínica britânica dentro do próprio sistema NHS. A East London NHS Foundation Trust registra estudo sobre contribuições da psicoterapia focada na transferência no tratamento de transtornos narcisistas, indicando que esse campo exige intervenção especializada, leitura cuidadosa da relação terapêutica e manejo das defesas que sustentam a grandiosidade.

Pesquisei no Brasil a fim de que o doente (difícil é convencer a pessoa doente, nesse caso, que precisa de um tratamento) possa buscar ajuda. E tem. Até o Sistema Único de Saúde -SUS oferece isso para transtornos de personalidade, focado na abordagem multiprofissional, com destaque para a psicoterapia e o manejo de comorbidades (outros transtornos associados). A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS), pode ser a porta de entrada para esses cuidados, também. Opção para quem não tem como investir em tratamentos particulares.

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Assim, todo esse arcabouço médico não serve para “quebrar” a pessoa, nem para humilhá-la. Serve para ajudá-la a enxergar o que a própria vaidade impede de ver. Serve para transformar superioridade defensiva em responsabilidade afetiva. Serve para ensinar que conviver não é vencer todos os dias, que pedir desculpas não diminui ninguém, que reconhecer o mérito do outro não rouba mérito próprio e que a inteligência só se completa quando se torna capaz de tornar-se humildade.

Desta forma, vale aqui citar OSHO: “O ego é uma ilha cercada pelo inferno.” Para Osho, (influente e polêmico líder espiritual indiano, fundador do movimento Rajneesh), o ego isola a pessoa. Ela pensa que está se protegendo, mas acaba cercada por tensão, comparação e sofrimento. Isso porque o verdadeiro limite das pessoas com esse tipo de transtorno (sempre é o outro, nunca ela), não é geográfico, social ou profissional. É interior. Elas não ultrapassam fronteiras porque carregam a alfândega dentro de si. Barram a crítica, barram o afeto, barram a cooperação, barram a gratidão. E, assim, permanecem cercadas por uma forma triste de grandeza: aquela que precisa parecer alta porque nunca aprendeu a crescer.

 

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Monica Puccinelli Há 1 mês Curitiba Pr BR Melhor e expor nosso conteúdo do jeito que criamos os filhos, desejando a eles saúde e prosperidade e não reconhecimento a nós como educadores, que a vida,( a rede ) dê a eles o caminho que cada um souber construir assim seja.
JORGE CRUZ DE OLIVEIRA JUNIORHá 1 mês CuritibaOrgulho e egoísmo, as principais chagas da humanidade atual. Essas duas puxam todas as outras doenças: vaidade, desonestidade, egocentrismo, intolerância.
Carlos Furtado Há 1 mês São Luís-MAML, mais um o texto importantíssimo que oferece um alerta válido: inteligência sem humildade tende ao isolamento e à estagnação. O verdadeiro crescimento exige não apenas acúmulo de conhecimento, mas disposição contínua para rever-se, aprender com o outro e conviver de forma construtiva.
Maria Das Neves Azevedo Há 1 mês São Luís MA Dra. Flora Guilhonm disse tudo que eu gostaria de dizer, mas não saberia dizer tão bem quanto ela. Aqui no Maranhão não é diferente. O mundo cultural se transformou numa briga de egos, machistas, etc. Ainda não entendemos que eu posso ser uma estrela, junto a uma constelação que também brilha. Bravo, bravíssimo! Neves Azevedo
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