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Humberto Napoleon, Joema Carvalho, Elisa Lago e Daniel Maurício, convidados da SEGUNDA POÉTICA

Humberto Napoleon Varela Robalino, poeta equatoriano e vice-presidente internacional da Academia Poética Brasileira

11/05/2026 às 18h26 Atualizada em 11/05/2026 às 21h20
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Literatura e arte da Plataforma Nacional do Facetubes 
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Arte: mhl/GinaiFT
Arte: mhl/GinaiFT

SEGUNDA POÉTICA
Editoria de Literatura e arte da Plataforma Nacional do Facetubes 


A Segunda Poética, uma das seções mais acessadas da semana na Plataforma Nacional do Facetubes, reafirma seu papel como vitrine literária de alcance formativo e cultural. Seu objetivo é simples e necessário: aproximar o grande público de vozes poéticas que merecem circulação mais ampla, reunindo autores brasileiros e estrangeiros em torno de uma mesma ideia editorial: a poesia ainda é território de encontro, escuta, delicadeza e pensamento.
Nesta edição, a seção amplia esse diálogo ao trazer nomes como Humberto Napoleon Varela Robalino, poeta equatoriano e vice-presidente internacional da Academia Poética Brasileira, autor de um poema de forte densidade simbólica em Salmo de las Piedras; Daniel Maurício, da APB-PR, com versos breves, sensoriais e diretos Mis Pies ; e Elisa Lago, da APB-MA, cuja poesia em Abraço (publicada na edição internacional da Antologia da APB & amigos), traduz o desejo humano de acolhimento, segurança, afeto e gratidão. E mais: Joema Carvalho que retrata a sensibilidade natural, num existencial lírico de primeiríssima grandeza. É nesse cruzamento de linguagens, geografias e sensibilidades que a Segunda Poética cumpre sua missão: fazer a poesia sair dos círculos restritos e chegar ao leitor comum com força, beleza e atualidade.

 

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“Salmo de las Piedras” é um poema de forte construção simbólica. A pedra, elemento aparentemente imóvel, duro e silencioso, deixa de ser apenas matéria mineral para se transformar em objeto de contemplação, afeto, memória e denúncia. O título já orienta a leitura: não se trata de uma simples descrição das pedras, mas de um salmo, isto é, uma espécie de oração lírica diante daquilo que costuma passar despercebido.
O poema se estrutura por meio de verbos no imperativo: “palpa”, “mira”, “ama”, “siente”, “contempla”, “maravíllate”, “alaba”. Essa sequência cria um ritmo quase litúrgico. O leitor é convocado a tocar, olhar, amar e reverenciar as pedras. O poeta desloca a pedra do campo da indiferença para o campo do sagrado. Aquilo que parecia frio passa a guardar uma temperatura moral.
O poema também tem uma dimensão social evidente. Ao falar de pedras “mais duras que as mãos dos povos calejados”, o texto aproxima a matéria mineral do trabalho humano, da pobreza, da resistência coletiva. 
As referências míticas e bíblicas ampliam o alcance do poema. A “pedra de Sísifo” lembra o esforço interminável da condição humana. A “pedra de David” remete à coragem diante do gigante cotidiano. A “primeira pedra que nadie lanza” recupera a lição evangélica contra o julgamento moral apressado. Assim, a pedra passa de objeto físico a símbolo ético, espiritual e histórico.
O poema também tem uma dimensão social evidente. Ao falar de pedras “mais duras que as mãos dos povos calejados”, o texto aproxima a matéria mineral do trabalho humano, da pobreza, da resistência coletiva. A pedra que ergue moradas também pode formar muros, criptas, patíbulos. Ela abriga e condena. Constrói e separa. Sustenta a casa e marca o túmulo. Na verdade, é um poema sobre a humildade das coisas simples e sobre a grandeza daquilo que o tempo não consegue apagar.

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Humberto Napoleon.

SALMO DE LAS PIEDRAS 
Humberto Napoleon Varela Robalino

Palpa con alegría las piedras
como cuando tocas las orillas de lo amado
jamás con tristeza
como cuando mueren los tulipanes.
Mira con ternura las piedras
como cuando te mira un niño
jamás con desamor
como cuando el olvido borra la memoria.
Ama eternamente las piedras
como cuando el amor te humedece
jamás con efímero temblor
como cuando está al borde el llanto.
Siente la frescura de las piedras
como cuando descansas bajo el árbol de las utopías
jamás con la sequedad de las cenizas.
Contempla la solemnidad silenciosa de las piedras
como cuando no puede el sol escaparse del eclipse
jamás con la angustia atrapada por el miedo.
Maravíllate con la soledad de las piedras
como cuando decodificas lenguajes nuevos
jamás como la misma soledad de los claudicantes dioses.
Alaba la humildad de las piedras
como lo hace la poesía con las cosas más simples.
Ama las piedras como te amas a ti mismo:
blancas piedras
piedras negras
vida acumulada
cristalizada muerte
esplendorosa ira
paz aun mas lisa que las manos
vestigios de infiernos menos pavorosos que este.
Piedra de Sísifo
piedra de David que derribó al Goliat de cada día
primera piedra que nadie lanza
porque nadie está libre de pecado.
Despedidas en petrificados labios
endurecidos panes porque nunca fueron compartidos.
Piedras piedras
terrenales piedras
piedras celestiales
piedras callejeras
monumentales piedras
piedras patibularias
de los muros
de las criptas
hasta en los riñones piedras.
Piedras más duras que las manos de los encallecidos pueblos
flores frescas pintadas con sílices de sangre
insectos fosforescentes en fosilizados bosques.
Fraternales piedras que levantan las moradas
Evangelios apócrifos en memoria de los hombres.

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D. Maurício (APB-PR)

O poema de Daniel Maurício trabalha com extrema economia verbal. Em apenas cinco versos, cria uma cena de intimidade física e afetiva, na qual os pés funcionam como ponto de partida para sugerir entrega, desejo e reconhecimento do outro.
A força do poema está justamente na contenção. Daniel Maurício não explica o amor; sugere. Não descreve a paixão; deixa que o corpo a revele. É uma poesia breve, sensorial e direta, em que o desejo aparece como memória física, quase instinto.

Daniel Maurício (APB-PR), publicado na Argentina: 

Mis pies 
Entre los tuyos. 
Viciado en ti, 
El resto del cuerpo 
Ya sabe el camino.

 

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No poema “Abraço”, publicado na Primeira Antologia Brasileira da Academia Poética Brasileira, “República do Texto”, Elisa Lago constrói uma lírica de aparente simplicidade, mas de forte densidade emocional. O abraço, no texto, não é apenas gesto físico. É abrigo, reconciliação, desejo de presença limpa, sem cálculo, sem medo e sem a dureza das relações contaminadas por julgamento e hipocrisia.
“Abraço” confirma uma poesia de linguagem acessível, emocional e comunicativa. Elisa Lago escreve a partir de sentimentos reconhecíveis, mas não cai no mero sentimentalismo. Seu poema alcança o leitor porque toca uma necessidade essencial: a de encontrar, no outro, um lugar onde a alma possa descansar sem defesa.

Elisa Lago (APB-MA).

Abraço
Elisa Lago

Queria um abraço apertado
Colado, sem embaraço
Coração com coração
Sentir na troca de energia
A amizade, o laço.

Queria olhos nos olhos
Em silêncio ficar
Sentir no abraço apertado
Querença do bem
Sem medo de machucar.
Queria um afago nas mãos
Encontro num canto qualquer
Sentir plena segurança
De uma amizade de fé.

Queria falar de amor
Palavras com exatidão
Caminhar pela calçada
Sentar-me num banco de praça
Livre de julgamento e de hipocrisia
Na alma, só gratidão.

Queria ganhar uma bela flor
Pra enfeitar meus cabelos
Abrir um largo sorriso
Aquebrantar o pesadelo.

*****

 

CONVIDADA ESPECIAL

O poema de Joema Carvalho nasce de uma escuta fina da natureza. O som da maré, o voo da abelha, a brisa na nuca e o céu formam uma paisagem mínima, mas viva, onde tudo parece se comunicar por sinais delicados. A poeta não observa o ambiente de fora. Ela entra nele com o corpo inteiro, como quem entende que a natureza não é cenário, mas presença. O “mundo mirim” do verso final sugere essa grandeza pequena que só os olhares atentos percebem. Há ali uma ecologia íntima, feita de mar, ar, inseto, pele e silêncio.

Como engenheira, Joema parece carregar para a poesia uma percepção precisa das estruturas naturais, mas sem deixar que a técnica endureça a sensibilidade. Ao contrário, transforma experiência, paisagem e afeto em linguagem leve. O poema mostra que a natureza também pensa em nós quando sabemos ouvi-la. A abelha, a maré e a brisa deixam de ser elementos dispersos e passam a compor uma espécie de respiração do mundo. Sua força lírica está nessa união entre delicadeza pessoal e consciência ambiental, como se cada pequeno movimento da natureza pudesse revelar uma forma de pertencimento.

 

Joema Carvalho.

O VOO DA ABELHA MIRIM

Joema Carvalho 

 

no som da maré

mudo

o voo da abelha 

soa brisa na nuca

do céu

mundo

mirim

 

 

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Cecy Bastos Há 1 mês São José de RibamarMe identifiquei muito com o poema "Abraço" de Elisa Lago. Parabéns perfeito!
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