
SARAH SHERAN - Esta matéria integra a seção de “Textos Escolhidos”. Autorização exclusiva para a Plataforma do Facetubes (www.facetubes.com.br). Sarah Sheran, consultora/colunista de astrologia vinculada à Plataforma Nacional do Facetubes. (Tradução livre: Mhario Lincoln).
A resposta e esses questionamentos iniciais nem sempre vem no discurso. Vem no gesto. Vem na maneira como tratamos quem nos contraria. Vem no modo como reagimos ao sucesso do outro. Vem quando alguém precisa de ajuda e não tem nada a nos oferecer em troca. Porque há perguntas que parecem simples, mas abrem uma porta difícil. “Será que eu sou assim mesmo?” “Será que eu faço?” “Será que vou conseguir?” Em geral, fazemos essas perguntas pensando em sucesso, reconhecimento, dinheiro, cargo, prestígio ou vitória pessoal. Mas a pergunta mais dura talvez seja outra. Será que eu realmente sigo aquilo que minha orientação religiosa ensina?
Toda fé que se leva a sério passa pela caridade. Não, a caridade de doar alguma coisa que sobra, mas a de diminuir a dureza do olhar. Ter caridade é não transformar o outro em inimigo apenas porque pensa diferente. É não usar a religião como pedestal. É não fazer da própria crença uma arma para humilhar quem caminha por outra estrada.
Há pessoas que dizem amar a verdade, mas vivem como donas dela. Apontam caminhos como se só elas soubessem viver. Corrigem todos, mas não corrigem a si mesmas. Falam de humildade, mas disputam superioridade em tudo. Falam de amor, mas alimentam ciúme, inveja, egoísmo e comparação. Falam de luz, mas escurecem o ambiente com palavras duras.
Também não existe a fé sem estudo. Aquele que não lê, não aprende, não examina, não amadurece. Apenas repete o que ouviu dizer. Reproduz frases prontas, condenações fáceis e certezas herdadas sem reflexão. Uma pessoa assim pode até ter devoção, mas corre o risco de transformar a crença em hábito vazio. A fé que não aprende pode virar ruído.
A orientação religiosa, quando é profunda, também ensina respeito. Respeito ao pai e à mãe, mesmo quando há divergências. Respeito ao chefe no trabalho, sem servilismo, mas com responsabilidade. Respeito à esposa, ao esposo, ao companheiro, à companheira. Respeito aos filhos, que não pediram para nascer e não devem receber apenas cobrança, mas presença, cuidado e exemplo.
Há quem queira ser grande fora de casa e pequeno dentro dela. Trata desconhecidos com cortesia, mas desconsidera quem divide a mesa, o teto e a vida. Prega paciência em público, mas dentro de casa entrega impaciência. Fala de família, mas não escuta a família. Fala de amor, mas não sabe pedir desculpas.
A vida material também entra nessa conta. Não ser econômico, gastar sem medida, comprar por vaidade, trocar necessidade por aparência, tudo isso revela uma forma de desordem. Não se trata de condenar o prazer nem o conforto. Trata-se de entender que a futilidade permanente consome mais do que dinheiro. Consome tempo, equilíbrio e responsabilidade.
O mesmo vale para o dedo apontado. Apontar o erro do outro estando errado comprovadamente é uma das formas mais antigas de fuga moral. É mais fácil denunciar a falha alheia do que olhar para a própria incoerência. Mas nenhuma orientação espiritual séria autoriza a arrogância como método de vida.
A pergunta, então, volta mais limpa. Será que eu sou aquilo que digo ser? Será que faço aquilo que cobro dos outros? Será que minha fé aparece apenas na fala ou também aparece no modo como trabalho, gasto, escuto, perdoo, estudo, respeito e amo?
Talvez a maturidade comece quando a pessoa para de perguntar apenas se vai conseguir vencer e passa a perguntar se merece vencer sem destruir ninguém pelo caminho. Porque ser melhor não é ser superior ao outro. Ser melhor é ser menos escravo do ódio, da inveja, do ciúme, do egoísmo e da vaidade.
No fim, a orientação religiosa não deveria servir para fabricar juízes de plantão. Deveria formar pessoas mais justas, mais conscientes e menos apressadas em condenar. Quem crê de verdade não precisa gritar que sabe o caminho. Precisa caminhar de modo que a própria vida não desminta a fé que anuncia.
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Na PARTE II falarei desse 'psiquê' que leva à doenças graves. Especialmente se as pessoas que comentem essas ações não conseguirem mudar o rumo. Daí, vira enfermidade grave.
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