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Cronista Edomir Martins de Oliveira conta uma história incrível: "O Casamento da Perda das Alianças"

Um casamento inusitado. Tudo aconteceu.

26/02/2021 às 11h11 Atualizada em 27/02/2021 às 13h37
Por: Mhario Lincoln Fonte: edomir martins de oliveira
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Capítulo 46

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira é vice-Presidente Nacional da APB

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O CASAMENTO DA PERDA DAS ALIANÇAS

                    Eram um casalzinho lindo de pajem e daminha rumo ao altar, entrando logo após os padrinhos, anunciando a entrada da noiva. Ele conduzia uma cestinha de vime com uma almofada em seu interior bem visível mostrando as alianças presas por um laço. A daminha, muito graciosa, entrou com um lindo buquê de flores, adequado para sua estatura e idade.

                    Era o casamento de um casal apaixonado, cuja cerimônia e festa foram planejadas nos mínimos detalhes ao longo dos últimos doze meses. Tudo seria perfeito!! As mães dos noivos ajudaram muito, pois eram senhoras finas e de muito bom gosto. Tudo foi escolhido com muito requinte e elegância.

                    A entrada da noiva foi triunfal, estava linda e radiante, acompanhada por emocionante música tocada por uma orquestra maravilhosa destacando-se os violinos, piano e sax. Lágrimas de emoção rolavam pela face de muitos familiares e amigos, inclusive pela face do noivo que não conseguiu segurar a emoção ao ver a sua amada tão deslumbrante.

                    O Padre, procedendo a sua homilia e entregando uma mensagem aos noivos, preliminarmente, disse que tivessem sempre em mente a necessidade de uma vida conjugal harmoniosa, leal, com respeito mútuo. Lembrou-lhes que o casamento fora instituído por Deus e que por isso deveriam amar-se nas alegrias e nas doenças a que estamos sujeitos.

                    Que eles não se esquecessem que estavam casando autorizados pelas leis Divinas, que exigem fidelidade recíproca, e também nas leis do País, que advertem os noivos para um bom comportamento social.

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                    Em que pese a inspiração do padre com as suas belas palavras e as músicas maravilhosas que tocavam os corações dos presentes, a cerimônia estava bastante longa e, por conseguinte, o pajem e a daminha já estavam entediados, o que é próprio dos seus respectivos oito e sete anos. 

Montagem: ML

E assim, o pajem virou-se para daminha e disse: - Você sabia que se eu desatar esse laço das alianças eu faço um mais bonito ainda? - E eis que prontamente a daminha diz: - Eu duvido. - Com essa resposta, o estrago estava selado. Imediatamente o laço foi desfeito e o que eles não imaginavam é que as alianças pulariam para fora da almofada e rolariam pelo chão. A cara de desespero deles foi notável e começaram a chorar. Os padrinhos que estavam próximos foram até eles para saber do que se tratava e quando eles explicaram aos prantos a arte que tinham feito, o pânico tomou conta.

                    Um padrinho foi imediatamente até o cerimonial, explicou o fato e pediu a máxima discrição na procura das alianças para não comprometer a bela cerimônia em andamento. Mas esse foi o maior desafio que esse tão renomado cerimonial havia recebido, pois as alianças poderiam ter rolado para muito longe e a igreja estava cheia de convidados. E pela previsão do elegante caderno da missa, eles teriam somente uns dez minutos para achá-las. Uma missão quase impossível.

                    Imediatamente, várias pessoas começaram a se abaixar e procurar as alianças. Os convidados estavam achando aquilo meio esquisito, mas preferiram se concentrar na belíssima cerimônia. Os noivos não tinham a menor noção do que estava acontecendo. E eis que, de repente, uma moça que se encontrava abaixada, membro da expedição à procura das alianças, saiu correndo desesperada para fora da Igreja, chorando muito, pois havia se deparado com duas imensas baratas e ela sofria de catsaridafobia (medo de baratas). O seu choro era convulsivo, incontrolável e, assim, a expedição teve três baixas, a dela própria e de mais dois colegas que foram a seu auxílio, pois ela estava passando com um forte ataque de pânico com sensação de desmaio.

                    A chefe do cerimonial, vendo a impossibilidade de cumprir a missão, resolveu trabalhar em cima de um plano B. Foi até a mãe da noiva, explicou o fato e pediu a sua aliança emprestada bem como a do seu marido, pois mesmo que ficassem folgadas nos dedos dos noivos, era melhor do que não ter nada. Fariam dessa forma apenas para cumprir o ritual, momento tão sublime em um casamento; e quando a Igreja estivesse vazia tentariam encontrá-las e, em último caso, novas alianças teriam que ser compradas.

                    Discretamente, os pais retiraram as suas alianças dos dedos e imediatamente a chefe do cerimonial, com muita maestria, foi até o pajem e refez o laço dando-lhe uma reprimenda.

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                    O tempo parecia ter sido cronometrado. Tão logo o pajem se refazia da reprimenda, sabendo que fora bem merecida, o padre pediu que lhe fossem trazidas as alianças para que pudesse impor as mãos sobre elas e simbolicamente as abençoasse desejando-lhes felicidades na vida matrimonial que estavam iniciando. Ao entregar as alianças o pajem, devidamente orientado, pediu para dizer um segredo no ouvido do noivo: - As alianças vão ficar folgadas e são diferentes das suas, mas depois eu juro que vou lhe entregar as verdadeiras. Avisa a noiva para ela não estranhar. - Quem diria!... O noivo não tinha outra opção a não ser fazer o que fora solicitado pelo pequeno. Todos acharam engraçado o pajem dizendo um segredo ao noivo e a grande maioria nem imaginava do que se tratava. Os noivos não entenderam nada, mas enfrentaram a situação com discrição e elegância. O padre, além das belas palavras padronizadas para esse momento, encerrou citando I Coríntios 16: 14: “Que tudo o que vocês fizerem seja feito com amor”. E os noivos da mesma forma, após citarem as tradicionais palavras para esse bonito momento, declararam um ao outro o Cantares 6:3: “Eu sou do meu amado (a) e o meu (minha) amado (a) é meu (minha)” ...

                    Encerrada a cerimônia, os noivos souberam o que realmente houvera acontecido. Claro que não ficaram nada satisfeitos. Mas quando estavam quase entrando no carro, de mãos fechadas para não cair a alianças folgadas dos pais, viram o pajem, a daminha e uma cerimonialista correndo até eles para lhes comunicar, cheios de felicidade, que haviam encontrado as alianças. Os noivos entregaram as alianças dos pais à cerimonialista. As crianças abraçaram os noivos, choraram de alegria e pediram perdão. Os noivos estavam tão felizes que entenderam a peraltice própria das crianças e adoraram ver as suas alianças verdadeiras em seus dedos. O mesmo ocorreu com os pais da noiva que estavam inquietos com seus dedos anelares da mão esquerda vazios, que o Cerimonial devolveu também, agradecendo.

                    A colaboradora do cerimonial que enfrentou a crise de pânico pela fobia de barata que tinha, já recuperada, foi pedir ao padre que providenciasse a dedetização da Igreja, ao que este explicou que estava mesmo vencido o prazo e perguntou logo se ela não gostaria de contribuir, pois o caixa da igreja estava muito baixo, o que ela comunicou ao pai da noiva.

                    O cerimonial aumentou mais ainda a sua reputação por ter conseguido contornar com tanta excelência uma situação como aquela. O pai da noiva, quando soube das baratas na Igreja, fez uma boa doação ao padre para que aquilo não mais se repetisse. Enfim, no final tudo deu certo. A recepção foi primorosa e todos estavam muito felizes, e o casamento da perda das alianças, como ficou conhecido, foi um retumbante SUCESSO!!!

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Keila MartaHá 5 anos São LuísMeu Deus tudo pode acontecer em um dia especial como esse, e que tempinho milagroso. Ainda bem que terminou tudo nos conformes, gostei muito, pois gosto de crônicas que tem desfecho, não gosto de ficar no vacuo. Parabéns, caríssimo Edomir!
Edomir Martins de OliveiraHá 5 anos SAgradeço a todos os leitores e comentaristas que me honraram durante esta semana, estes cada vez mais participativos, o que muito me alegra. Amanhã teremos outra.
Pe LustosaHá 5 anos Caucaia CESe alguém algum dia te disser que histórias de amor estão limitadas aos jovens, não acredite! John e Phyllis se conheceram no lar de idosos Kingston Residence, em Ohio – Estados Unidos, se apaixonaram e decidiram se casar. Ele com 100 anos e ela com 103, este casal é a prova viva de que o amor não tem idade e ele deve ser celebrado durante toda a vida. Ô cronica que ficará gravada para a eternidade. Isso é coisa de Deus, pastor Edomir.
filicianaHá 5 anos Brasília/DFMister Edô, que lindo. Vamos em frente.
Lucia (12 anos)Há 5 anos É pra ler vovó)Repete aquela cronica dos velinhos.
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Edomir Martins de Oliveira
Sobre o blog/coluna
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