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Racismo: 80 anos desde que Billie Holiday chocou os EUA com sua interpretação da canção 'Strange Fruit'

Horror!

09/05/2020 às 17h49 Atualizada em 09/05/2020 às 18h23
Por: Mhario Lincoln Fonte: BBCBrasil/Mhario Lincoln
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Racismo: 80 anos desde que Billie Holiday chocou os EUA com sua interpretação da canção 'Strange Fruit'

Racismo: 80 anos desde que Billie Holiday chocou os EUA com sua interpretação da canção 'Strange Fruit'

 

"Você consegue imaginar nunca ter ouvido essa música antes e perceber qual é a estranha fruta pendurada no choupo? Há alguma coisa reveladora quando você a escuta, e aquela imagem de olhos arregalados e boca distorcida salta na direção do ouvinte." Nessa frase, a crítica cultural Emily J. Lordi descreve o poder específico de uma canção que ainda choca, mesmo 80 anos depois de ter sido gravada.

Em 20 de abril de 1939, a cantora de jazz Billie Holiday (nascida em 1915, sob o nome de Eleanora Fagan) entrou num estúdio com uma banda de oito músicos para gravar Strange Fruit (Fruta Estranha). Essa chocante música sobre os horrores dos linchamentos nos Estados Unidos não foi apenas o maior sucesso de Billie Holiday, mas também se tornaria uma das mais influentes canções de protesto do século 20 – e que continua a nos dizer coisas sobre violência racial nos dias de hoje.Em 1999, ela foi escolhida pela revista Time como a "canção do século", e a história de como Strange Fruit foi concebida tornou-se lendária. Originalmente um poema chamado Bitter Fruit, ela foi escrita pelo professor judeu Abel Meeropol, sob o pseudônimo Lewis Allen, em resposta aos linchamentos de negros em Estados do sul dos Estados Unidos. "Eu escrevi Strange Fruit porque odeio os linchamentos, odeio injustiça e odeio as pessoas que os perpetuam", disse Meeropol, em 1971. Ele nunca testemunhou um linchamento, mas acredita-se que ele tenha composto a canção depois de ver a perturbadora foto do linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith, em 1930 em Indiana, feita pelo fotógrafo Lawrence Beitler. Na época em que o poema foi publicado, os linchamentos haviam começado a diminuir – mas fotos como a de Beitler colocaram essas imagens explícitas na consciência da opinião pública.

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Pouco depois da publicação, Meeropol transformou o poema numa música. Ela foi cantada em reuniões de sindicatos e até mesmo no Madison Square Garden, pela cantora de jazz Laura Duncan. Dizem que foi lá que Robert Gordon, então gerente do clube de jazz Café Society, ouviu Strange Fruit, em 1938. Ele a mencionou para Barney Josephson, fundador do clube, e Meeropol foi convidado a tocá-la para Billie Holiday.

 

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EM TEMPO:

No livro A BULA DOS SETE PECADOS, a ser lançado ainda este ano, do poeta e jornalista Mhario Lincoln, ele faz uma releitura da letra STRANGE FRUIT. Mhario Lincoln explica sobre essa releitura. Leia abaixo:

“StrangeFruit” é uma canção em cima de um poema, com um realismo que impressiona, cuja versão mais famosa é a de Billie Holiday condenando o racismo americano, especialmente, o linchamento de afro-americanos que ocorreu principalmente no Sul dos Estados Unidos. Prendo-me a essa letra-poema por seu realismo. Trouxe-me reações adversas ao lê-la. Talvez por isso seja considerada a Canção do Século e incluída na lista da Recording Industry of America e da National Endowment for the Arts. No poema, está a estranha e amarga colheita. “StrangeFruit” é, originalmente um poema escrito por Abel Meeropol (um professor judeu de colégio do Bronx), sobre o linchamento de dois homens negros, Thomas Shipp e Abram Smith, em Marion, Indiana, ocorrido em 7 de agosto de 1930. Ele o publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan.

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Estranhas Frutas

Versão: Mhario Lincoln

Árvores do Sul produzem uma estranha fruta,

Sangue nas folhas e nas raízes

Corpos negros balançam sob a brisa do Sul

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Estranhafruta pendurada nos álamos.

Cena bucólica do valente Sul:

olhos inchados e a boca torcida.

Perfume de magnólias; doce e fresco.

Repentinamente, vem o cheiro de carne queimada.

Eis a fruta para os corvos arrancarem,

para a chuva lavar, para o vento sugar,

para o sol apodrecer e

para as árvores deixarem cair.

Ouça o original de Billie Holiday:https://www.youtube.com/watch?v=Web007rzSOI

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