Quinta, 11 de Junho de 2026
13°C 20°C
Curitiba, PR
Publicidade

A SACERDOTISA DE DOM PEDRO II: CONHEÇA A INCRÍVEL MÚMIA DE SHA-AMUN-EN-SU

Em 1876, o Imperador do Brasil fez uma viagem pelo Egito

17/06/2020 às 22h06
Por: Mhario Lincoln Fonte: aventurasnahistoria.uol.com.br
Compartilhe:
Sha-Amun-en-su no Museu Nacional / Crédito: Wikimedia Commons
Sha-Amun-en-su no Museu Nacional / Crédito: Wikimedia Commons
Comitiva brasileira no Egito / Crédito: Wikimedia Commons

A SACERDOTISA DE DOM PEDRO II: CONHEÇA A INCRÍVEL MÚMIA DE SHA-AMUN-EN-SU

Em 1876, o Imperador do Brasil fez uma viagem pelo Egito, quando ganhou os restos mortais de uma importante sacerdotisa-cantora, um raríssimo presente

Original de: ANDRÉ NOGUEIRA/Aventuras na História

Continua após a publicidade

Durante sua segunda viagem pelo Oriente Médio, em 1876, o então imperador brasileiro Dom Pedro II passou um tempo no Egito, cuja história era um tema que o fascinava. Como líder de Estado, ele foi acompanhado pelo então vice governante do protetorado otomano do Egito, Ismail Paxá.

Durante a viagem, discutiu sobre as maravilhas do local, e conseguiu fazer uma troca excepcional: ao presentear o político com uma obra sobre a história do Brasil, o monarca ganhou um sarcófago lacrado contendo uma múmia.

A relíquia foi levada para o Palácio de São Cristóvão, onde integrou a coleção particular do imperador. As inscrições dos hieróglifos na superfície do sarcófago, que Pedro estudava, marcavam o nome da antiga mulher mumificada: Sha-Amun-en-su, uma importante sacerdotisa-cantora do Terceiro Período Intermediário do Egito.

O nome "Sha-Amun-en-su" faz referência a sua posição no mundo religioso faraônico e significa, literalmente, “os campos férteis de Amon”, o que destacava o deus do templo ao qual integrava o corpo sacerdotal.

A egípcia teria vivido em Tebas durante a Vigésima Segunda Dinastia (século 8 a.C.), trabalhando no famoso templo de Karnak, onde Amon era cultuado. Ela, a pronunciadora de cânticos sacros.

Dentre as possíveis posições que a artista poderia ocupar, Sha-Amun-en-su era uma Heset, ou seja, uma liderança formal de grande destaque entre as organizadoras dos rituais que envolvem músicas.

Continua após a publicidade

Além disso, ela tinha um papel relevante no auxílio à sacerdotisa tratada como Esposa Divina, uma consorte do poderoso deus ligado ao vento. Seu destaque social foi gravado em seu caixão, que foi produzido em madeira sendo cuidadosamente trabalhado e estucado, pintado em diversas cores.

A múmia de Sha-Amun-en-su era o item favorito de Pedro II, que adorava o artefato. Dizem que o rei, inclusive, conversava com o sarcófago em momentos particulares. No entanto, desde aquela época, o objeto funerário é envolto em diversas teorias.

Pouco se sabe sobre a história da peça antes do século 19. Durante o translado do caixão para o gabinete do imperador, houve um acidente que fragmentou a lateral esquerda da madeira. Ela foi restaurada, mas a intervenção era completamente visível.

Depois que o acervo imperial tornou-se parte do então chamado Museu Nacional, a múmia passou a ser estudada, possibilitando a realização de diversos testes. “Quem tem múmia tem, quem não tem não vai ter mais. Se a perdermos, jamais conseguiremos outra coisa remotamente parecida. Temos que conservá-la ao máximo”, disse o egiptólogo André Brancaglion Júnior, curador da coleção egípcia do museu, à FAPESP.

Depois, foram realizadas novas análises, revelando informações inovadoras em relação àquela relíquia.

Tomografias realizadas no caixão revelaram seu interior numa reprodução em 3D. Assim, Brancaglion descobriu novas informações: a garganta de Sha-Amun-en-su estava revestida com uma espécie de resina em uma bandagem aplicada no momento do embalsamamento.

Continua após a publicidade

Isso tem um grande significado: os agentes funerários em Tebas tiveram o cuidado de preparar o corpo da sacerdotisa para a Vida Eterna focando na proteção daquele que era o instrumento sacro de seu corpo: a origem da voz que entoava músicas ritualísticas sacras.

“Há pouquíssimas múmias de cantoras no mundo, ainda mais dentro de um caixão lacrado”, disse Brancaglion. “Outra que existe está em Chicago e também parece ter uma proteção na garganta.”

Todavia, o mundo perdeu a relíquia em setembro de 2018, quando um incêndio se alastrou pelo Palácio do Alto da Boa Vista, destruindo boa parte do acervo. A tragédia acabou com uma importante jornada iniciada em 1889.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
15°
Parcialmente nublado

Mín. 13° Máx. 20°

15° Sensação
1.38km/h Vento
96% Umidade
100% (4.7mm) Chance de chuva
06h59 Nascer do sol
05h34 Pôr do sol
Sex 19° 11°
Sáb 17°
Dom 15°
Seg 12° 11°
Ter 18° 10°
Atualizado às 19h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,10 +0,01%
Euro
R$ 5,91 +0,14%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 342,457,13 -0,08%
Ibovespa
171,497,23 pts 1.71%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias