
Obs: Esta publicação não tem fins ucrativos, nem publicitários.
"A música é um fenômeno acústico para os prosaicos; problema técnico de melodia, harmonia e ritmo para os profissionais; expressão da alma, que pode nos elevar ao infinito e que encerra todos os sentimentos humanos, para aqueles que verdadeiramente a amam de todo coração". (Kurt Pahlen).
OS FESTIVAIS DA CANÇÃO
Textos Escolhidos. Original e íntegra em: https://musicabrasilis.org.br/temas/festivais-da-cancao (textos e fotos).
Um vídeo histórico recuperado. (Ver mais abaixo).
OS FESTIVAIS
A palavra festival vem do latim “ festivitas ”, que significa tanto ‘um dia de festa’ quanto ‘uma maneira engenhosa de dizer’. E essa maneira engenhosa faz-se muito presente nos festivais da década de 1960, precisamente pelo caráter crítico à ditadura militar vigente no período. Exemplo emblemático é a música "Para não dizer que não falei de flores" ou ”Caminhando” de Geraldo Vandré, que até hoje é cantada nas passeatas e manifestações políticas, principalmente as da classe dos estudantes. Ela concorreu no 3º FIC, em 1968, pouco antes da vigência do Ato Institucional número 5 (AI-5), instrumento legal que decretou censura absoluta aos meios de comunicação e nas manifestações artísticas, sobretudo a música. De certa forma, o AI-5 decretou, também, o fim dos festivais.
O que se cantava
Ao falar-se em música brasileira da década de 60 deve-se pensar em quatro gêneros: Jovem Guarda, Bossa Nova, Tropicália e MPB, que, por sua vez, eram divididos em dois grupos: os “alienados” - Jovem Guarda e Bossa Nova e os “engajados” - MPB e Tropicália. Sob esse rótulo, a música “alienada” preocupava-se com o ciúme da namorada, com a velocidade do carro, com o barquinho, a praia e o sol. Já a música “engajada” abordava temáticas de cunho social, valorizando aspectos regionais.
As músicas da Jovem Guarda e da Bossa Nova eram consideradas apolíticas, no sentido mais exato da palavra. A Jovem Guarda por ser um subproduto do rock americano e a Bossa Nova por retratar o universo da classe média da zona sul carioca. No III Festival da Canção (1968) Caetano Veloso defende a música “ É proibido proibir ”. O público não a recebeu bem, justamente por considerá-la ‘alienada’. Entretanto, este é um perfeito exemplo de música “engajada”, já que o próprio título foi extraído das palavras de ordem dos protestos universitários contra o autoritarismo ocorrido em Paris e conhecido como ‘Maio de 68’. Foi nesse dia, debaixo de estrondosas vaias, que Caetano proferiu seu célebre discurso, cujo trecho mais famoso foi: "Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? (...) Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos!"
Censura
A ação da censura durante o regime militar foi a grande responsável pelo declínio e fim dos festivais. Curiosamente, iniciou-se um período muito fértil na música brasileira, já que os compositores, diante da necessidade de “driblar” a censura, criaram inúmeras letras de fundo político traduzidas em metáforas poéticas. Mas logo no início do AI-5, a situação ficou insustentável. Chico Buarque, depois de preso e interrogado, exilou-se na Itália. Caetano e Gil não tiveram a mesma sorte. Depois de presos um tempo, foram obrigados a abandonar o país, estabelecendo-se em Londres até que pudessem voltar.
A FINAL DO III FESTIVAL DA TV Record
III Festival de Música Popular Brasileira
Local: Teatro Paramount Data: Outubro 1967 Prêmio Sabiá de Ouro Classificação: 1º Lugar: Ponteio (Edu Lobo e Capinam) - Intérpretes: Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto Novo 2º Lugar: Domingo no Parque (Gilberto Gil) - Intérpretes: Gilberto Gil e Os Mutantes 3º Lugar: Roda Viva (Chico Buarque) - Intérpretes: Chico Buarque e MPB-4 4º Lugar: Alegria, Alegria (Caetano Veloso) - Intérpretes: Caetano Veloso e Beat Boys Melhor Intérprete: O Cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta) - Intérprete: Elis Regina Momento Marcante do III Festival de MPB Beto Bom de Bola (Sérgio Ricardo) - Intérprete: Sérgio Ricardo
(Veja íntegra do vídeo abaixo, recuperado do Canal "MUSICATIS", no YouTube: III Festival da MPB 1967 - A Grande Final - TV Record)
Abaixo, Bônus. O video original
Este vídeo tem mais de 2 horas de duração. Mas é imperdível porque mostra a verdadeiramúsica de uma época de ouro do Brasil. Com direção de Solano Ribeiro (o homem dos festivais da Record) e apresentação de Blota Jr., Sônia Ribeiro, Randal Juliano e Cidinha Campos, o Festival de 1967 aconteceu entre os dias 30 de setembro e 21 de outubro no Teatro Record Centro, em São Paulo, e atingiu um índice de 55% da audiência, com 97 pontos no IBOPE. Com certeza, um marco histórico. Quem tem mais de 50 anos deve se lembrar. e quem menos, vai conhecer um dos eventos mais importantes da nossa história, onde foram revelados grandes intépretes e compositores. Portanto, tente assistir esssas duas horas e divirta-se.
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